A dor e a delícia


De alguma forma me sinto só, não por estar só, mas por não me sentir acompanhada. Por não ter com que compartilhar tudo o que gostaria e por ser obrigada a guardar tantos pensamentos. Nem todo mundo entenderia a quantidade de loucura que minha mente é capaz de criar, às vezes está rolando uma bagunça danada aqui dentro, uma gritaria que eu silêncio, que eu guardo pra mim.


Lembro das excursões de escola, nos parques de diversões alguns iam na montanha russa, mas tinha quem ficasse de fora segurando as mochilas, na verdade, não precisava que ninguém ficasse de fora, mas tem sempre alguém que usa isso como desculpa para não ir no brinquedo. Eu era aquela que ia em todos, mais de uma vez, se fosse possível. Primeiro eu ia porque os amigos iam, depois passei a ir porque eu queria, mesmo que fosse só.


Adotei isso pra vida. Não me privo de nada pensando na opinião dos outros, ou pela falta de apoio. Faço o que quero, como posso, mesmo que ninguém me acompanhe. Percebi que algumas correntes precisam ser quebradas e mesmo assim a gente sobrevive, aprende que a liberdade tem seu preço, que nem sempre é divertido, nem sempre é fácil, mas será sempre melhor do que se anular, ou modificar-se para caber nos moldes de alguém.


Na letra de Dom de iludir, Caetano diz que “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”, e essa é sem dúvida uma verdade incontestável.

28 de julho de 2020.