Santos: Dra. Sandra Santos, Perita Criminal.
O que levou o senhor a escolher essa carreira? Acredita que o entretenimento tenha influenciado de alguma forma a sua escolha ou de outros profissionais que conheça?
Santos: Fazer justiça. No meu caso não influenciou em nada. Mas a nova geração, com certeza.
Há um ou mais casos que o senhor possa citar que tenha marcado sua carreira?
Santos: São inúmeros. Mas posso destacar alguns feminicídios (Tassia Mirella - morta pelo vizinho. Caso Patrícia Cristina- morta pelo ex marido numa simulação de acidente de trânsito).
O que mudou na perícia no que se refere aos avanços tecnológicos desde a época em que ingressou até agora? Alguma similaridade com o que vemos na ficção?
Santos: Mudou tudo. A ciência e a tecnologia regem nosso trabalho. Ingressei na Polícia Científica em 2001, não se falava em DNA Forense em Pernambuco. Hoje, inúmeros crimes são desvendados graças à essa tecnologia.
No mundo da ficção uma investigação possui equipes dedicadas para cada caso, além de contar com uma gama de equipamentos de alta tecnologia que auxiliam no trabalho. Em que isso difere da realidade, considerando o cenário nacional e internacional?
Santos: No Brasil, não há investimentos ou reconhecimento. Todos sabem da importância da ciência e tecnologia para desvendar crimes, mas as autoridades insistem em modelos ultrapassados e injustos. Cada perito é responsável por uma infinidade de casos (dada a crescente violência). Temos muita dificuldade para adquirir equipamentos de ponta.
No mundo da ficção há sempre muita complexidade e emoção em cada caso. Na atuação real, com quais sentimentos, bons e ruins, o senhor costuma lidar?
Santos: Quando se trata de emoções, eu diria que a realidade se aproxima muito da ficção. Raiva e perplexidade são comuns ao nos deparar com certos crimes. Alegria e vibração ao desvendar o crime.
Na sua opinião, quais as principais diferenças da Investigação Forense e a Perícia Crimina retratada no mundo da ficção para a atuação real?
Santos: Os crimes não são desvendados de forma tão óbvia e principalmente tão rápido.
Em seus momentos de descanso costuma ler ou assistir filmes, séries e/ou documentários criminais/investigativos? Consegue se identificar com alguma personagem no que se refere à sua atuação profissional? Se sim, de qual forma?
Santos: Amo ler histórias reais de crimes. Sempre me identifico com aquele policial que nunca desiste e que acredita no seu "faro".
Poderia citar livros, filmes ou séries, que na sua opinião, são mais "viajados" e outros que são mais "coerentes" com a realidade?
Santos: Todos que retratam casos reais. Os demais não me atraem.
Algo a acrescentar sobre o tema?
Santos: Apesar de ver poucos filmes e séries (da moda), entendo que esses temas de alguma forma dão visibilidade a Polícia Científica.