Estava prestes a enlouquecer com o barulho da cadeira de Ricky gritando. Ele tinha um de nossos casos nas mãos e também os cachos cor de chocolate sobre o rosto. Isso significa que estava pensando muito – quando ele pensa muito faz isso, sempre, o que chega a ser irritante. Eu estava fazendo minhas últimas anotações depois de analisar o mesmo caso que ele estava vendo, só que não conseguia pensar, com ele mexendo a cadeira.
- Será que dá para você parar de fazer esse barulho com a coitada da sua cadeira?
- Desculpa, mas eu estou pensando, como isso é possível Stacy? Outro sumiço na cidade sem nenhum motivo - não tem sentido isso!
- Eu sei que é impossível uma coisa dessas, mas a gente vai resolver. Fica tranquilo, está tudo sob controle.
- Tranquilo? Eu estou prestes a jogar essa folha fora tentando descobrir um sentido nisso.
- Eu percebi, até a sua cadeira está gritando.
- Você é muito engraçada, sabia?
Depois de um tempo, eu e meu melhor amigo fomos ao local do sumiço misterioso. De acordo com a carta da polícia, um homem dono do banco mais próximo e por coincidência – ou pode ser que não seja uma – um dos mais famosos, simplesmente sumiu e semana passada uma mulher dona de uma loja de roupas também sumiu. Eu e Ricky tivemos a ideia de ir na casa das vitimas procurar pistas. Quando chegamos na casa do homem, Ricky olhou debaixo do tapete e viu um envelope preto. Então gritou:
- Stacy! Um envelope debaixo do tapete!
A carta se referia a um convite para uma festa. O convite estava cheio de rabiscos atrás, e o que o fechava era um colante de ponto de interrogação – literalmente, como estava minha cabeça, um ponto de interrogação – o convite amassado, mas sem parecer ter sido aberto.
Meu amigo então pegou o envelope e fomos direto para a casa da mulher. Quando entramos, fui para a sala e Ricky checou a entrada. Em cima da mesa, havia o mesmo envelope que estava abaixo do tapete da casa do homem. Achei completamente estranho e decidi pensar bem sobre o caso. Quando voltamos para nosso escritório fiquei atenta à localização das residências e percebi um padrão: a terceira casa, sempre duas ruas abaixo. Então fomos direto para a residência que seria a próxima vítima.
Quando chegamos, toquei a campainha ao menos 6 vezes e simplesmente nada. Estava prestes a desistir de entrar e então vi que na garagem havia dois carros, e claramente ninguém teria saído se os automóveis permaneciam na garagem da casa. Não restava outra opção a não ser arrombar a porta e isso foi uma tarefa para Ricky – ele não concordou, claro, mas eu o obriguei porque fazemos grandes sacrifícios em uma investigação séria.
Entramos e imediatamente corremos pela casa para ter certeza que estava vazia - e estava. Entrei em um quarto e em cima da cama havia o mesmo convite, já que o dono do convite provavelmente era o culpado. Tive a ideia de comparecer ao endereço, só que havia um pequeno problema: o endereço estava em códigos. O código era: 491 45 2695123659 N° 158, convertendo isso para a numerologia o nome da rua era Via de Tornabuoni N° 158.
Chegamos ao endereço e a casa era diferente das outras, com um ar estranho – Ricky insistiu em dizer que estava ficando maluca em ir até a casa de um louco - então chamei a policia antes de entrar. Mas pedi para serem sorrateiros, até ter a certeza de que o dono da casa era o culpado. Bati na porta, um homem velho e com cabelos desarrumados olhou para mim e para Ricky e disse:
- O que desejam, jovens?
Ricky falou com a voz um pouco falhada:
- Viemos perguntar ao senhor se gostaria de apoiar nosso trabalho de cookies, tenho uma folha com a receita e posso oferecê-la para você.
- Você acha mesmo que vou querer cookies?
O velho disse gritando e ao mesmo tempo escutei um grito.
- Olha, jovens, aceito o convite, mas estou muito ocupado agora.
Disse ele fechando a porta e eu a abri novamente:
- O senhor com certeza tem um tempo para nos receber. Arrecadamos dinheiro para uma casa de doentes e quem mais compra tem um prêmio em dinheiro, como recompensa e ajuda. Aliás, todos que ajudam, por sua maioria, são conhecidos e o prêmio é uma forma de fazer com que divulguem o projeto.
O senhor disse, interessado:
- Tudo bem, podem se sentar.
Meu amigo me olhou com uma cara de desespero e entrou primeiro. O senhor pediu que Ricky o acompanhasse, para ajudá-lo a procurar sua carteira no andar de cima – fiquei preocupada, mas era a única saída daquela situação. Os dois subiram e eu fui para a porta onde escutei os gritos. Havia as duas pessoas que haviam sumido, e tentei abrir a porta, fazendo um sinal para que a polícia se aproximasse. Enquanto isso, pude escutar que o senhor trancou meu melhor amigo – senti que minhas palavras eram simples correntes de ar e a preocupação de que algo poderia acontecer com Ricky me consumiu. O senhor estava atrás de mim, agora. Me escondi e, quando ele chegou em frente à porta, virando de costas, subi as escadas correndo e as autoridades entraram.
Abri a porta e Ricky estava bem. Claro que reclamou, dizendo que sempre se envolvia nas piores partes da investigação - eu dei risada, é claro. Mas prendemos o culpado e soltamos as vitimas. Ele as havia prendido para obrigá-las a entregar suas coisas valiosas e, com isso, dotá-lo de grande influência na cidade.
Mais um caso resolvido! Agora, aguardamos a próxima investigação.