Realidade sobre a água

Eu fui uma sobrevivente. Com 12 anos eu lutei pela minha vida, em meio de tantas tragédias...eu estou de pé. Não é como as pessoas pensam; eu não sai ilesa, afinal, tive que deixar toda minha história para trás, mas o meu maior medo é ir buscá-la, e voltar sem nada.

Em um dia, eu tinha tudo, e hoje, NADA. O desespero é presente nos sentimentos da minha família, e a angústia está mais vivida aos olhos de quem vê. Recomeçar uma vida não é tão simples, ainda mais deixando o lugar onde vivi ,minhas primeiras experiências.

É possível enxergar a gratidão presente no meu povo, mas a solidão e os traumas vão nos seguir pelo restos de nossas vidas. Tentamos seguir firmes, com o apoio do governo, a situação melhorou, as pessoas de outros estados e regiões estão nos ajudando mais do que nunca; no final de tudo, é o povo pelo povo.

Vizinhos, conhecidos, amigos e desconhecidos se ajudam de todas as formas. Não podemos mentir que não prevíamos isso, mas ninguém teve coragem o suficiente para deixar tudo no passado. Ainda não aceitei que vou perder a melhor fase da minha vida:  a adolescência que deveria ser mágica, mas a minha, vai ser de preocupações em como vou estabilizar minha vida e como ela vai ficar daqui pra frente. Talvez, eu tenha que amadurecer mais cedo para enfrentar os próximos desafios, mas como consequência, ficarei mais forte, ainda carregando comigo todo esse evento.

 

Maria Fernanda Fernandes e Lavínia Oliveira dos Santos.

7A. 

 

SEGUNDA CRÔNICA

       É triste ver minha terrinha afundando saindo do mapa de pouco em pouco, ver pessoas com o mesmo sonho que eu indo por água abaixo e sendo destruídas pelas enchentes. 

      Mas o  que mais doeu mesmo foi quando fui resgatado por um helicóptero e tive que deixar meu cachorrinho para trás, não moro com minha família, então ele era o meu bem mais precioso.

      Tenho medo de ver como nosso estado vai ficar quando as águas baixarem.

      É triste ver terreiros de umbanda serem destruídos pelas enchentes, rezo todos os dias para meus Orixás abençoem a todos no Rio Grande do Sul e que tudo fique bem, Axé.


João Pedro R. Lemes e Miguel Delluca Ladeira


SOS Rio Grande Do Sul


Aqui no R.G.S sofremos de enchente...

As cidades vizinhas já foram completamente inundadas,

sinceramente não sei o que vou fazer...

Mas encontraremos um caminho, com certeza.


LUCAS JARDIM DELA MARTA 


AJUDE O RIO GRANDE DO SUL

Dia 04/05/2024, eu estava voltando para minha casa depois do

trabalho, por volta de 17h30.Havia chovido o dia todo sem parar.

Quando estava me aproximando de casa, vi que a rua estava um

pouco alagada, porém, não me preocupei pelo fato de que não havia

parado de chover até aquele momento; entrei em minha residência, e

segui minha rotina normalmente.

Com o passar do tempo, por volta de 20h00, havia água em

minha sala, comecei a me preocupar, mas mesmo assim, fui dormir.

Acordei no meio da madrugada assustada com o nível da água, pois

tinha avançado em uma quantidade assustadora, olhei para os lados

e comecei a chorar pedindo para que Deus me ajudasse naquele

momento. O pior momento foi em que eu vi o meu ursinho de pelúcia

flutuando naquela água suja e com mal cheiro, até iria pegá-lo,

porém, eu precisava me salvar, a água já estava à cima de minha

cintura; rapidamente tentei sair pela minha janela, e graças a Deus

consegui. A altura da sacada que tinha em minha casa ajudou-me a

subir ao telhado, fiquei por lá durante 5 dias, sem dormir, sem

comer, só estava prezando pela minha vida, naquele instante.

Depois de dias em cima do telhado que quase estava sendo

engolido pela enchente, avistei um barco que estava resgatando

pessoas com mais necessidades e logo gritei por ajuda, eles me

ouviram e me resgataram. Como já havia muitas pessoas no barco

que estávamos, eles resolveram nos levar para um abrigo. 

Chegamos bem ao abrigo, e cumpri minha palavra, estou

responsável pela guria que encontrei no barco, enquanto essa catástrofe não acaba. É muito

difícil ver a cidade em que cresci sendo dominada pela enchente,

várias pessoas perdendo suas casas, seus familiares, animais e etc.

Espero que através deste texto vocês tentem nos ajudar o

máximo que puderem. Desde já agradeço a atenção de todos.


Texto feito por: Ana Júlia Delarisse e Maria Clara Angelo