De volta aos anos 2000

Tendências e problemáticas estão retornando

(TW: transtornos alimentares e ilícitos)  

Por Marcela Nibrali

 Nos últimos meses, foi possível notar, através das campanhas fashionistas e desfiles, a volta de diversas tendências antes consideradas ultrapassadas para o mundo da moda, como calças, saias e shorts de cintura baixa e regatas lisas. As grifes como Miu Miu e Prada começaram a aderir novamente ao visual de peças “antigas” em suas coleções e isso já vem se espalhando cada vez mais entre outras marcas, e entre celebridades também, que começam a voltar a se vestir como se vestiriam de 2000 até 2010.  

Pensando somente nas roupas, sapatos e tendências, não há nenhum problema ou alarme na volta dessa estética para atualidade, afinal, a maioria quer trazer isso à tona devido a toda nostalgia que muitos têm em si por anteriormente vivenciarem a infância nesse período.  Mas se pararem para se importar também com a volta da romantização de transtornos alimentares, mudando a face da moeda, tal retorno se torna muito preocupante. 

No começo dos anos 2000 diversos blogs faziam apologia indireta e direta a anorexia e bulimia. Alguns possuíam passo-a-passo de emagrecimento com comportamentos característicos a esses distúrbios ou tutoriais descarados de como desenvolver os mesmos.  A tendência heroin chic que surgiu na década de 90 também ganhou força nessa época. De maneira resumida, a romantização do uso de drogas ilícitas pesadas e suas consequências. Mesmo estes tópicos, já sendo criticados no princípio de sua criação, não eram de todo incomum de se observar em celebridades, principalmente modelos, que muito adoeciam com esses problemas. 

Nos dias atuais, o body positive contém muito mais força do que há anos e as pessoas tratam mais sobre aceitação. Todavia, como sempre, ainda existe quem prega a magreza como regra, e a maior preocupação é o excesso de nostalgia desencadear novamente os problemas citados. Padrão de beleza é algo que  infelizmente continuará existindo por muitos anos ainda, e talvez nunca chegue ao fim, afinal, eles existem há mais tempo do que se pode imaginar, mas a conscientização das pessoas sobre eles é algo que não se pode parar, para preservação da saúde mental, principalmente entre adolescentes. 

Já é possível perceber o impacto dessa retomada nas lojas de roupas, cujos tamanhos diminuem cada vez mais, tornando um antes tamanho 36, no novo 34; e nas redes sociais também, com a volta da romantização dos transtornos alimentares.

É importante que todos continuem fazendo sua parte para que as marcas permaneçam se tornando mais inclusivas e as pessoas também. Até porque o problema não está em um pedaço de tecido, e sim em quem impõe quem pode usá-lo.