CAPÍTULO 3

“Se eu fosse você, não mexeria aí."

HERMIONE GRANGER




Se nós não chegássemos logo no hotel eu entraria em colapso. Ronald e Malfoy são TÃO infantis. Vieram se empurrando no caminho me espremendo contra a porta. Eu prometo a você que seria tudo muito mais fácil se os dois simplesmente conversassem ou, então, deixassem o orgulho de lado e se desculpassem um com o outro. A sorte que tivemos hoje foi um milagre de Merlin, em nenhum outro lugar alguém ajudaria estranhos assim, provavelmente nós ficaríamos na rua até encontrar uma maneira de retornar a Hogwarts, e a forma como os dois estavam agindo poderia muito bem fazer com que o senhor Derek perdesse a paciência e caridade conosco. 

— Olha, chega. Isso tem que acabar. Chega dessas brigas bobas que vocês vem tendo há mais de horas. Ninguém tem culpa do que aconteceu, então parem de culpar um ao outro. Principalmente você, Malfoy! Só está aqui porque VOCÊ decidiu ir até a cozinha com a gente, ninguém o obrigou a nada, muito menos o Rony, que não tinha como prever o que iria acontecer. — dei uma pausa — E VOCÊ, Weasley, deveria ter maturidade e não ficar discutindo com o Draco como uma criança, você não tem culpa e sabe disso, então não há razão para entrar em uma briga.

— Mas... — Ambos começam.

— Sem mas. Acabou. — encerro ali o que já necessitava acabar há tempos.

Depois do pequeno sermão eles finalmente cessaram o empurra-empurra e os insultos, o que não adiantou tanto, já que havíamos praticamente chegado.

Neste momento estamos entrando no hall do grande hotel que é quase como um palácio, porém perceptivelmente mais moderno e sofisticado. Seu teto é enorme, quase tanto quanto o de hogwarts e possui dois grandes elevadores de... ferro? Não sei dizer ao certo o material, mas são prateados e muito bonitos. As escadas e plantas são esplêndidas também! Dão um ar familiar ao local... os balcões da recepção são de pedra branca e tão, tão bonitos! Eu sempre tive uma certa paixão por arquitetura e este lugar é um dos mais maravilhosos que já visitei.

Passo por duas portas enormes de vidro e chego até uma área aberta, que provavelmente tem ligação com a piscina. Vou até um dos quiosques presentes para olhar mais de perto a organização e decoração formidáveis.

— Se eu fosse você, não mexeria ai. — Ouço uma voz atrás de mim enquanto passo os dedos pelas cadeiras e balcão do quiosque.

Assim que me viro, me deparo com uma garota que aparentava ter minha idade ou um pouco menos, me olhando com um olhar vazio (não literalmente, espero que não imaginem ela sem olhos, por favor). 

— Eu não ia invadir, se é isso que você quer dizer. Eu estava só olhando a decoração, que por sinal é realmente encantadora. — Eu respondo.

— Eu sei que você não iria invadir, mas normalmente os hóspedes não têm paciência para esperar e pegam suas bebidas por conta própria, bagunçando todos os copos organizados. Isso irrita bastante o barman, se quer saber.

— HERMIONE! — Antes mesmo de responder ouço a voz de Rony me procurando. 

Eu ao menos percebi que havia me separado dos outros.

—  Bom, parece que eu tenho que ir. Até mais. — Digo para a garota que agora tinha um relance de curiosidade no olhar. 

— Até.

Sigo até o hall onde reecontro todo o grupo novamente. 

— Nós vamos fazer o check-in agora, crianças, para que vocês possam ter os quartos reservados. — Derek diz e nos guia até o balcão onde se encontrava uma recepcionista. 

— Boa tarde, Penélope, preciso que você faça check-in de 3 quartos quádruplos para os garotos de quem te falei, por favor. 

— Sim, senhor. — ela, que estava digitando, responde. — Seus nomes, por favor? — Agora se dirige a nós.

— Hermione Granger. 

— Harry James Potter.

— Cedric Diggory. 

— Gina Weasley. 

— Fred Weasley. 

— George Weasley. 

— Ronald Weasley. 

— Neville Longbottom.

— Mattheo Riddle. 

— E eu sou Draco, Draco Malfoy. 

Ela para de digitar e solta uma pequena risada:

— Seus nomes verdadeiros, por favor. 

— Ma... — Derek me interrompe. 

— Deixe que usem os nomes que preferirem, Penélope, não há problema.

— Mas senhor, é necessário que eles informem os nomes verdadeiros para que possam ser identificados. Isso inclusive pode os ajudar a ir mais rápido para casa e...

— Senhorita Bloom, não se preocupe, deixe-os usar esses nomes, quem os ajudará a ir para casa, afinal, é a polícia, e provavelmente vai demorar para fazê-lo, já que é preciso entrar em contato com as autoridades britânicas. — Ele responde, agora em um tom mais sério.

—  Como preferir. — ela volta a digitar, mas então novamente, para. — Senhor, só existem dois quartos quádruplos disponíveis.

— Mas ontem mesmo havia três!

— Sim, senhor, porém ontem houve a convenção da Skyart e dois empresários fizeram check-in em um desses quartos. 

— Oh meu Deus, bem agora... — ele sussurra — Bom, minha filha ocupa um quarto desses e usa somente uma suíte então... talvez ela aceite receber dois deles lá, não?

— Bem, sem ofensas, senhor, mas não tenho certeza se sua filha estaria a par disso.

Então Cher tem uma irmã... mas porque ela mora neste hotel e não com eles naquela casa estupenda? Talvez ela esteja só de visita e não se dê tão bem com a irmã, ou até mesmo com o pai...