O filme Barbie merece as críticas que recebeu?
Não
Não/ J.V. De Marco Fagundes
O filme da Barbie é um filme que inspira meninas e meninos a jamais desistirem de seus mais difíceis sonhos, e a manifestar seus sentimentos, de forma que sempre que algo incomodar a pessoa, ela possa dizer, para que não percam a amizade ou o amor que sentem um pelo outro.
O filme manifesta muitas cenas de nosso cotidiano. Também demonstra como as empresas se preocupam com o lucro, o que torna o longa-metragem sensacional. A disputa por locais e a falta de harmonia presentes tanto no mundo da Barbie quanto no mundo real (onde nós vivemos), sendo elas muito diferentes entre si, demonstram a diferença na política e na administração destes dois mundos. A voz dos homens e das mulheres em cada um deles é diversificada. A faixa etária combina bem com o filme, por isso acho que não há motivo para os processos que o filme recebeu. O filme também demonstra o preconceito, tanto pelas bonecas quanto pelos seres humanos. O machismo e o feminismo, tudo em apenas um filme, o que é nada menos que impressionante.
Sim
Sim/ Marcela Nibrali
De início, a notícia de um live action da boneca loira mais querida entre as crianças animou a todos os públicos: desde os mais novos, até os mais velhos ficaram empolgados para ir ao cinema e acompanhar as aventuras de Bárbara Roberts - ou Barbie, para os mais próximos - na Barbieland. Mas, a maioria dos telespectadores não se atentou à classificação indicativa, e a expectativa do filme cor-de-rosa infantil foi quebrada. Muitos se revoltaram, e até afirmaram que a obra era desnecessária, ruim, e até fazia apelo ao vitimismo, indicando pelas redes sociais, principalmente, que não assistissem ao filme, ou para aqueles com filhos, que não os levassem para assistir.
Uma das claras consequências de não se respeitar a classificação indicativa é encontrar conteúdos inadequados para idades abaixo da recomendação, o que explica o cenário criado pelos conservadores, pais e revoltos na internet. Barbie, com certeza, não é um filme para crianças. O brinquedo, mesmo sendo destinado ao público infantil, não ganha o mesmo significado no longa-metragem, onde a imagem da boneca é associada ao estereótipo e padrão de beleza criados com base na aparência inalcançável, e toda pressão estética sofrida pelas mulheres em razão disso.
Junto às críticas aos padrões estéticos, o patriarcado e toda injustiça desse sistema são retratados, sendo quase palpável toda a misoginia representada. A Barbieland ilustra como seria o oposto, se as mulheres ocupassem os papéis dos homens na atual sociedade, e a insuficiência e insignificância sentida pelos Kens, mostra como as mulheres podem se sentir no dia a dia, mas no mundo real. Ainda, é possível observar como as ideias patriarcais podem funcionar como uma “lavagem cerebral” durante o governo masculino na Barbieland.
O filme, em suma, é como um colírio para enxergar ainda mais claramente o que já era possível de ver, e de maneira mais humorística. Todos os assuntos tratados, desde a pressão estética, sororidade, o sistema patriarcal falho, até todas as violências sofridas no cotidiano por uma mulher, são necessários. A figura da Barbie, que sempre foi associada à perfeição, ao desconstruir o pedestal e demonstrar de maneira límpida a triste realidade, é uma extrema quebra de expectativa, que causa o choque preciso para que todos aqueles que assistem - mesmo aos que o filme não agrada - tenham uma semente de questionamento plantada, ou, em alguns casos também, aquelas que sofrem com os problemas abordados se sintam acolhidas.
Em geral, não só o enredo mas o elenco é muito bom, contando com atores que se encaixaram perfeitamente em seus papéis. Todas as piadas pensadas para quebrar o clima e descontrair e os efeitos especiais imitando programas antigos se complementam e dão um toque especial a tudo. Barbie, definitivamente, é um filme bom e necessário.