A V Jornada Schopenhauer da PUCPR propõe uma reflexão crítico-metafísica sobre a Vontade cega, a variação fenomênica e a reiteração das formas da existência, articulando o pensamento de Arthur Schopenhauer com as problemáticas conceituais da variação, recorrência, degeneração e do pessimismo. Ao conceber o mundo como Vontade e Representação, Schopenhauer estabeleceu uma metafísica imanente na qual as formas vegetais, animais e humanas nada mais são do que graus de objetivação de uma única força indômita e cega. Nessa perspectiva, os desvios, as diferenciações e a alteridade ontológica traduzem a constante variação dos fenômenos orgânicos sob o império da recorrência incansável do sofrimento e do ciclo de carências sem fim inerente à objetivação do querer-viver.
A proposta visa acolher pesquisas diversas, franqueando espaço tanto para estudos exegéticos do sistema schopenhaueriano quanto para abordagens epistemológicas, éticas, estéticas, psicanalíticas de filosofia política que investiguem a variação do humano, os processos de segregação, a violência estrutural e as possibilidades de emancipação ou negação da Vontade.
Escopo: Investigações voltadas ao núcleo do sistema schopenhaueriano. Aborda o princípio de individuação, os graus de objetivação da Vontade, as formas do espaço e do tempo enquanto matrizes de variação da Representação e a dimensão cíclica (recorrência) do sofrimento ético e existencial.
Temas sugeridos: O estatuto metafísico da variação organogênica e da hereditariedade; o tempo e a eterna reiteração do presente (Nunc Stans); a dor como constante existencial; pessimismo filosófico em perspectiva comparada.
Escopo: Abordagem histórico-epistemológica ligada diretamente ao Projeto Universal CNPq. Examina o diálogo entre a filosofia de Schopenhauer, a psiquiatria do século XIX (Morel, Lombroso) e o surgimento da psicanálise (Freud). Foca na tensão entre genialidade, loucura, desvio e patologização da existência.
Temas sugeridos: Schopenhauer e Lombroso (o gênio e a degeneração); a recepção epistemológica da noção de degeneração em Canguilhem e Nietzsche; aproximações, diferenças e problemas conceituais entre Schopenhauer e a metapsicologia freudiana; a desconstrução crítica dos discursos eugênicos e patologizantes.
Escopo: Desdobramentos do pessimismo schopenhaueriano no diagnóstico da cultura, na arte e na crítica das estruturas sociais e políticas. Reflete sobre como a noção de contemplação pode ser pensada para refletir sobre a questão do encontro entre as formas perenes e a transitoriedade em Schopenhauer, visando uma discussão sobre o significado possível da degradação e da degeneração no contexto da metafísica do belo.
Temas sugeridos: A arte e a tragédia como contemplação e suspensão do ciclo do querer; pessimismo ético e a compaixão (Mitleid) frente à vulnerabilidade; leituras políticas da degeneração, do racismo estrutural e do epistemicídio; a crítica da razão instrumental no mundo contemporâneo.
No âmbito da V Jornada Schopenhauer da PUCPR, reservamos um momento de profunda celebração, reconhecimento e afeto acadêmico para homenagear dois dos maiores expoentes da pesquisa schopenhaueriana contemporânea: os Professores Matthias Koßler (Universität Mainz) e Domenico Fazio (Università del Salento – UniSalento).
As duas mesas temáticas organizadas em sua homenagem prestam o merecido tributo a esses dois mestres, colegas e queridos amigos, cujos aportes acadêmicos redefiniram a paisagem dos estudos schopenhauerianos no cenário internacional:
O Professor Matthias Koßler consolidou-se como uma das figuras mais determinantes na articulação global da Schopenhauer-Gesellschaft (Frankfurt am Main) e na promoção do diálogo entre a tradição germânica e os centros de estudo schopenhauerianos no resto do mundo. Sua liderança no Schopenhauer-Forschungsstelle da Universidade de Mainz transformou a instituição em um polo irradiador de rigor filológico, edição crítica e profunda reflexão metapsicológica e metafísica.
Para além de sua notável contribuição exegética sobre o sistema schopenhaueriano e suas pontes com o pensamento do Século XIX, ressalta-se a generosidade intelectual com que o Prof. Koßler sempre acolheu pesquisadores e estudantes brasileiros em Mainz, construindo uma ponte sólida, duradoura e fraterna entre a Alemanha e o Brasil (especialmente com o nosso PPGF na PUCPR). Esta mesa dedicada à sua obra revisita sua contribuição fundamental para a compreensão dos manuscritos e da gênese do pensamento schopenhaueriano.
O Professor Domenico Fazio, ao longo de décadas de magistral atuação no Centro Interdipartimentale di Ricerca su Arthur Schopenhauer e la sua Scuola na Università del Salento (Lecce), revolucionou os estudos do pessimismo filosófico. Sua dedicação incansável à recuperação historiográfica dos interlocutores, discípulos e críticos da Schopenhauer-Schule abriu novos horizontes hermenêuticos para a pesquisa internacional.
A relação do Prof. Fazio com a comunidade acadêmica brasileira é marcada por uma amizade profunda e por uma colaboração institucional e intelectual inestimável. Sob sua liderança e acolhimento em Lecce, inúmeros docentes e pós-graduandos do Brasil encontraram interlocução rigorosa, orientação afetuosa e um ambiente vibrante para o desenvolvimento de suas teses e livros. Esta mesa celebra não apenas o seu incontestável legado conceitual e editorial, mas também a sua enorme generosidade na formação de redes internacionais de pesquisa.
Ao dedicar estas duas mesas especiais aos Professores Matthias Koßler e Domenico Fazio, a PUCPR e o GT Schopenhauer da ANPOF lançam luz sobre o fato de que Fazio e Koßler tornaram-se referências de rigor acadêmico, amizade e paixão pela filosofia, cujo impacto continuará a frutificar nas gerações de pesquisadores que formaram no Brasil, na Alemanha, na Itália e no mundo.