Práticas de leitura e escrita: ultrapassando fronteiras por meio da literatura e da arte

Eliane Aparecida Bacocina [1]

IFSP / Boituva

Essa sessão pretende reunir trabalhos e relatos de práticas de leitura e escrita realizadas na educação formal e não-formal. A intenção é que sejam discutidas possibilidades de construção de espaços nos quais a língua possa ser vivenciada de forma significativa e construtiva. Sabemos que muitas estatísticas mostram o Brasil com foco em suas dificuldades, revelando um país que não lê, não compreende e não interpreta. No entanto, muitas práticas acontecem em lugares pouco pesquisados e têm se mostrado ricas em suas potências. Bakhtin (1997) utiliza o termo "fronteira" para definir esse lugar fértil no qual a linguagem acontece. Ao referir-se ao "autor" (no qual podemos pensar como o sujeito que escreve, seja na escola ou em situações cotidianas), afirma: "o autor, em seu ato criador, deve situar-se na fronteira do mundo que está criando". Guimarães Rosa, no conto "A terceira margem do rio" situa o personagem num lugar a que ele denomina "entremargem". O que estaria, portanto, nesse "entre"? Entre o ler e o não ler, entre o saber e o não saber... quais os lugares que o aprendiz precisa atravessar para criar hábitos de leitura ou escrever um texto? Nesse contexto, são bem-vindos trabalhos que pensem sobre tais fronteiras e possibilidades a partir de práticas socioculturais e dialógicas, que se fundamentam em autores que veem a linguagem como forma de inter-relação com o mundo (Vygotsky, Bakhtin, Freire, dentre outros), bem como situações pedagógicas desenvolvidas com crianças, adolescentes e adultos, que dialoguem com literatura e práticas expressivas e que tenham o foco não apenas nas dificuldades, como também nas potencialidades.

Palavras-chave: práticas de leitura; práticas de escrita; literatura

[1] elianeab3@gmail.com


SEMIÓTICA, DISCURSO E LINGUAGEM POÉTICA: CONSTRUINDO IMAGENS, SENTIDOS E SIGNIFICADOS NA CONTEMPORANEIDADE

José Flávio da Paz[1]

Nestor Raúl Gonzalez Gutierrez[2]

Resumo:

A presente Sessão Coordenada objetiva reunir trabalhos que tenham como temáticas as perspectivas semióticas em suas mais amplas áreas de interpretação e aplicação, a partir das suas imbricações históricas e descobertas oriundas do fim do século passado, sustentadas desde as concepções de Saussure, passando essencialmente pelas analises dos formalistas russos, dos referenciais teóricos desenvolvidos pelo grupo de pesquisadores da antiga União Soviética, denominado de Escola de Tártu-Moscou/ETM e delimitados por Propp, Lotman, Peirce, Greimas, Eco e outros que conseguiram reinterpretar e concretizar a base teórica sobre a semiótica geral, da comunicação, da linguagem, da cultura e demais vislumbrada na contemporaneidade e suas respectivas aplicações sobre os campos dos discursos constituídos no seio das ciências da linguagem, como: formalismo, enunciação, ideologia, formação discursiva, sujeito, em estreita colaboração com os contextos sócio histórico, cultural e o universo dos signos e significantes, da Literatura, da Arte, da Poética e sua recepção oral, verbal e visual, reconhecendo que o método semiótico como profícuo em estabelecer ligações entre diferentes códigos ou tipos de linguagem. Ressaltando que, tais trabalhos e análises devem se basear nessa teoria para revelar as relações do verbal com o não verbal, auxiliando o interpretante a compreender as aproximações e distanciamentos entre a literatura, a arte e a poesia, bem como, outras manifestações artísticas.

Palavras-chave: Ensino de Literatura e Língua Portuguesa. Gêneros textuais. Poesia. Semiótica. Linguagem.

[1] jfpaz@unir.br

[2] gonzalez2n@gmail.com


Línguas Estrangeiras/Adicionais em foco: considerações e perspectivas

Eva Cristina Francisco (IFSP, Câmpus Avaré)[1]

Fernanda de Cássia Miranda (UENP, Câmpus de Jacarezinho)[2]

A proposta para este trabalho pauta-se no ensino-aprendizagem de Línguas Estrangeiras Modernas, especificamente, Inglês e Espanhol, relacionadas às propostas educacionais, análise de materiais didáticos, gêneros discursivos, novas tecnologias, além de reflexões sobre seu ensino com as respectivas literaturas. Os aportes teóricos referentes às pesquisas (concluídas e/ou em andamento) e discussões propostas aos itens elencados para a presente sessão serão baseadas em autores da Linguística Aplicada, concernentes ao Inglês como Língua Franca (ILF) e suas implicações pedagógicas (SEIDLHOFER, 2011; GIMENEZ, 2015; TAKAHASHI, 2014); reflexões sobre o ensino-aprendizagem e o reconhecimento da Língua Espanhola nas escolas (RINALDI, 2006; MORAES, 2010); análise de materiais de LEM, sob uma perspectiva crítico-reflexiva (BRASIL, 1998; RAJAGOPALAN, 2003; CORACINI, 2007); reflexões e propostas concernentes aos gêneros discursivos e elaboração de sequências didáticas (BAKHTIN 2003; MARCUSCHI, 2003; CRISTÓVÃO, 2009); tarefas colaborativas com o apoio das novas tecnologias de comunicação e informação direcionadas ao ensino-aprendizagem de LEM (BRASIL, 2001; MOREIRA, KRAMER, 2007; PARANÁ, 2008); e a importância da Literatura nas aulas de LEM ( MOTA, 2010; MENDONZA, 2004, 2007; ARAGÃO, 2006; SANTOS, 2007). Por meio das discussões relacionadas aos teóricos mencionados, pretende-se repensar o ensino de LEM no contexto atual, sua importância na formação de professores e no âmbito escolar, como forma de promover a cidadania, a criticidade, as atividades colaborativas entre professores e alunos, o conhecimento sobre outras culturas, sem deixar de considerar a cultura e a identidade de professores e aprendizes de LEM.

Palavras-chave: Línguas Estrangeiras Modernas. Ensino-aprendizagem. Perspectivas.

[1] evacristina@ifsp.edu.br

[2] fecmiranda@uenp.edu.br


PRÁTICA DE LEITURA E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: NOVAS PERSPECTIVAS

Tânia Regina Montanha Toledo Scoparo (SEED/UEL) [1]

Em uma proposta de ensino de leitura em sala de aula para se efetivar a leitura de um texto, é importante perceber o que e como ele diz, se desvela, manifesta ideias, também o que e como ele significa. A leitura é percebida como um processo discursivo de apreensão de significação. Há um processamento complexo nessa leitura: autor, leitor e o contexto interagem nesse processo. Enquanto o autor apresenta e articula as ideias, o leitor atribui sentido conforme combina relações entre seus conhecimentos da língua, da linguagem, do mundo, uma leitura que pressupõe a ação de um sujeito sobre o texto lido, na medida em que ele construirá seu texto interpretativo a partir do confronto de seu conhecimento, sobre o fazer do outro. Uma ideia de linguagem que dê ao indivíduo o status de sujeito historicamente situado. Uma concepção que vai ao encontro do processo de ensino de língua e leitura em sala de aula, devido esse momento de aprendizagem ser entendido como social, interativo, intersubjetivo e construído entre um eu (professor) e vários tu (alunos), ou seja, o ensinar e o aprender só se efetivam quando construídos socialmente. Assim, pensando em um leitor contemporâneo, o ambiente educativo necessita acompanhar as mudanças advindas das metodologias de ensino de leitura e de língua e do avanço das tecnologias e os docentes precisam estar constantemente revendo suas práticas, para tornar o ensino e a aprendizagem mais significativos e, consequentemente, proporcionar ao aluno oportunidades de reflexão sobre o seu próprio pensar. Nessa proposta, aceitamos trabalhos que versam sobre leitura, como desenvolver a leitura produtiva de textos, como também práticas de língua nesses textos para o ensino aprendizagem de língua portuguesa.

Palavras-chave: leitura; ensino; língua portuguesa

[1] taniascoparo@uol.com.br


Estudos de Linguística Aplicada: perspectivas interculturais para o ensino de língua(gem)

Élida Cristina de Carvalho CASTILHO (IFSP-Avaré/PPGL-UFMS)[1]

Flávia Hatsumi Izumida ANDRADE (IFSP-Avaré)[2]

Durante muito tempo os estudos em Linguística Aplicada (LA) tiveram por objetivo solucionar problemas do processo de ensino-aprendizagem de Língua Estrangeira; como uma aplicação de Linguística (teoria) à prática de ensino de línguas, a “fórmulas” de aplicação teórica no aperfeiçoamento do tão almejado ler e escrever na língua-alvo. Entretanto, devido aos rumos que as ciências linguísticas têm tomado, parece, haver consenso (MENEZES, 2009) de que o objeto de investigação da LA, nas últimas décadas, é a linguagem como prática social, em contextos onde surjam questões relevantes sobre o uso da língua(gem), principalmente, quando propõe aos professores-estudantes reflexão e crítica quanto a aspectos sociais e interculturais (CORBETT, 2003; KLEIMAN, 2013). Aqui se percebe a amplitude que a LA alcançou hoje, de ciência social, de campo interdisciplinar de estudos que identificam e investigam a linguagem humana em seu aspecto real. Assim, “fazer pesquisa nesse campo, pode ser uma forma de repensar a vida social” (MOITA LOPES, 2010; 2013), de “sair do campo da linguagem propriamente dito: (e) ler sociologia, geografia, história, antropologia, psicologia cultural e social etc.” (MOITA LOPES, 2006, p.96) para tentarmos elucidar um pouco dos icebergs chamados língua(gem) e vida social. Logo, serão admitidos trabalhos que pareçam relevantes sobre os discursos que constroem o campo da LA em sua vertente mais contemporânea, a fim de compreender como essa área de investigação se constitui hoje, principalmente, na construção de conhecimentos que contemplem práticas linguísticas e pedagógicas pautadas em interculturalidade, subjetividades, desconstruções de ideologias tradicionalmente orientadas para e por uma visão de educação linguística historicamente monocultural.

Palavras-chave: Linguística Aplicada. Interculturalidade. Ensino de línguas.

[1] elida.castilho@ifsp.edu.br

[2] flavia.andrade@ifsp.edu.br


As múltiplas áreas do conhecimento e os desafios da educação do futuro.

Jean Carlos da Silva Roveri[1] (IFSP/UNESP)

O atual cenário educacional exige, cada vez mais, pensar o processo de ensino e aprendizagem a partir da multiplicidade de sujeitos que habitam o espaço escolar. Morin (2005), ao evidenciar a necessidade da fuga ao ideal de ensino cartesiano, afirma que a educação do futuro precisa ser vista como um espaço complexo, não-linear, no qual o processo de ensino e aprendizagem é tecido de constantes acontecimentos, ações, retroações, agindo diretamente no nosso mundo fenomênico, ou seja, no ambiente escolar. Além disso, é imprescindível que se enxergue a educação como um espaço tecido de constituintes heterogêneas e que não se separam, ocupando um mesmo espaço, onde o todo compõe as partes, os sujeitos, que interagem visando (re)compor o todo, a sala de aula, ambiente instável e passível de diferentes eventos. Dessa forma, o objetivo desta sessão coordenada é propor que sejam compartilhadas pesquisas concluídas, ou em andamento, sobre o processo de ensino e aprendizagem nas mais diversas áreas do conhecimento da Educação Básica, além da criação de um importante espaço de debate sobre as práticas pedagógicas, possibilitando a troca de experiências e estratégias de ensino aplicadas em sala de aula, visando uma educação interdisciplinar, humana e, acima de tudo, inclusiva.

Palavras-chave: Ensino e aprendizagem; Sujeitos; Ambiente Escolar.

[1] jean.roveri@ifsp.edu.br


USO DE FILMES COMO SUPORTE NO ENSINO DE LITERATURA

Adriana Falqueto Lemos (IFES)[1]

Os estudos de objetos culturais cinematográficos revelam que essa forma de mídia expõe representações sociais, históricas e políticas (SELDES, 1924; Eisenstein, 1929; TRUFFAUT, 2005, p. 17; MORENO, 2010, p. 75). Partindo da ideia de que, muitas vezes, esse suporte é utilizado sem qualquer mediação por parte do professor e que é empregado simplesmente para ilustrar conceitos, ou substituir a leitura do próprio livro literário (BUZZO, 1995, p. 101, SCOPARO, 2012), propõem-se discussões de metodologias para o uso de filmes como material de apoio ao ensino de literatura. A intenção é que se discutam propostas para promover atividades que possam agregar fruição ao conteúdo audiovisual e à produção de saberes que dialoguem com os estudos literários.

Palavras-chave: Cinema; Ensino; Literatura

[1] adriana.lemos@ifes.edu.br


O LETRAMENTO DIGITAL E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DE LÍNGUAS E LITERATURA

Profª. Ma. Geovana Lourenço de Carvalho (IFSP – Campus Avaré) [1]

Profa. Ma. Daiane Eloisa dos Santos (SSE-SP) [2]

A presente proposta tem como objetivo receber trabalhos que proporcionem reflexões sobre o letramento digital dos alunos ou que abordem sobre o trabalho metodológico com as tecnologias digitais no ensino de línguas e literatura, levando em consideração o importante papel que as tecnologias digitais de informação e comunicação, doravante TDIC, desempenham nas práticas sociais dos alunos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (2000), na seção de “Linguagens, códigos e tecnologias”, o ensino de língua materna deve promover aos alunos o uso efetivo da leitura, oralidade e escrita em suas diferentes práticas sociais, para não ficarem à margem dos novos letramentos. Nesse sentido, lançando mão das teorias do letramento digital de Pereira (2007), aproximamo-nos de reflexões que nos encaminham para um ensino eficiente do uso das tecnologias digitais, que vão além do simples domínio do uso do computador. Além disso, ao considerar as práticas pedagógicas do ensino de línguas e literatura que se apropriam da utilização das TDIC em seu desenvolvimento metodológico, sabemos que essas estão preocupadas com a inclusão digital no ambiente escolar, a qual é considerada de extrema importância para as atividades humanas que exigirão do aluno interação com o meio digital.

Palavras-chave: Ensino de línguas, TDIC, Letramento digital.

[1] geovana.carvalho@ifsp.edu.br

[2] dai_eloisa@hotmail.com


DAS PÁGINAS PARA A TELA: ADAPTAÇÕES LITERÁRIAS

Jéfferson Balbino - UNESP/Assis - CAPES [1]

Desde a década de 1970 que o mercado audiovisual brasileiro vem se apossando de obras literárias na produção de adaptações sejam elas no âmbito televisivo ou cinematográfico. As releituras inspiradas em clássicos do cânone literário brasileiro sempre resultam em sucesso, foi assim no cinema com o filme Dona Flor e seus dois maridos (1976), adaptação da obra homônima de Jorge Amado, dirigido por Bruno Barreto e de inúmeras minisséries e telenovelas brasileiras como, por exemplo, A Casa das Sete Mulheres (2003), inspirada na obra homônima da escritora Letícia Wierzchowski e escrita por Maria Adelaide Amaral e Walther Negrão e Ciranda de Pedra (1981), baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles e adaptada para a televisão pelo roteirista Teixeira Filho. A temática proposta na presente Sessão Coordenada visa agrupar pesquisadores que discutam as adaptações literárias em suas mais varias formas e estilos e, conseguintemente, o impacto/repercussão que estas alcançaram na sociedade brasileira. Diante disso, essa Sessão Coordenada abordará tanto textos que discutem as adaptações de obras literárias para televisão e cinema e o conceito “adaptação”.

Palavras-chave: Adaptações; literatura; mercado audiovisual brasileiro.

[1] jeffersonbalbino@seed.pr.gov.br.


A interdisciplinaridade e o ensino-aprendizagem de línguas – um olhar para o ensino médio integrado

Profª Maria Glalcy Fequetia Dalcim[1] (IFSP – Avaré)

Profª Sthefanie Kalil Kairallah[2]

Uma das principais pautas de debates educacionais, que permeiam décadas de reflexão, relaciona-se com a eleição do que deve ser orientado, ensinado ou aprendido. Em outras palavras, indaga-se o quê e o como a todo momento – como orientar, ensinar, aprender, como fazer acontecer. Todos esses questionamentos estão intrinsicamente dispostos na constituição do que chamamos currículo. O presente trabalho parte de uma visão pós-estruturalista, sócio-histórica, em que o currículo é visto como uma prática discursiva e plural (LOPES; MACEDO, 2011). Insere-se nos estudos sobre o currículo integrado dos cursos de ensino médio integrado aos cursos técnicos ofertados pelos Institutos Federais. Historicamente, temos a construção de conhecimento feita de modo especializado em um currículo fragmentado. A expectativa de uma real integração curricular da base comum com os componentes técnicos coloca-se como o grande desafio dessa modalidade educacional, seja pelo limitado entendimento da integração (MORAES; KÜLLER, 2016), seja pelo dualismo histórico entre formação propedêutica (geral) e a formação técnica mais específica (FRIGOTTO; CIAVATTA; RAMOS, 2012). Dentro dessa perspectiva, a presente sessão coordenada tem por objetivo principal discutir o trabalho interdisciplinar e suas potencialidades para uma real integração curricular, visando os fundamentos que concebem uma formação onmilateral e embasam a política do ensino médio integrado. Para subsidiar nossas discussões, recorreremos aos constructos do letramento crítico no ensino de línguas (GEE, 1996; MATTOS e VALÉRIO, 2010;) e da pedagogia crítica (FREIRE, 1987;1996; GIROUX, 1997; SAVIANI, 2013).

Palavras-chave: ensino integrado; ensino-aprendizagem de línguas; letramento crítico.


[1] Maria Glalcy Fequetia Dalcim – maria.dalcim@ifsp.edu.br

[2] Sthefanie Kalil Kairallah - sthefanie_kalil@hotmail.com


A Poesia Brasileira dos séculos XIX e XX

Profa. Ma. Cristiane Nascimento Rodrigues[1]

RESUMO:

Para a presente sessão coordenada, espera-se a inscrição de trabalhos que tratem sobre a poesia (em verso ou prosa - desde que predominantemente poética) criada e divulgada no Brasil durante os séculos XIX e XX. Assim, poderão fazer parte dessa sessão comunicações que possibilitem a discussão sobre as semelhanças e diferenças entre a arte poética produzida desde o Romantismo até fins do Modernismo. A coordenadora apresentará o trabalho “A primeira poesia de Machado de Assis: mescla clássica-romântica”, com o objetivo de mostrar como é possível captar nos primeiros poemas do escritor brasileiro, reconhecido como um dos maiores prosadores do século XIX, os resquícios das formas e temas do neoclassicismo e a força dos elementos poéticos românticos.

[1] cristiane.rodrigues22@hotmail.com


ESTUDOS DE LINGUÍSTICA APLICADA À LÍNGUA PORTUGUESA

Profa. Dra. Maressa de Freitas Vieira (IFSP – Avaré) [1]

Profa. Dra. Elaine Ap. Campideli Hoyos (IFSP – Avaré) [2]

A linguagem sempre foi tema de discussão entre os seres humanos, afinal é ela quem viabiliza a interação social. Porém, apenas no início do século XX, com Saussure, a Linguística se estabeleceu oficialmente como ciência. Após essa fase, os estudos do conhecimento linguístico voltaram-se para situações reais de uso e a Linguística Aplicada (LA) emerge desse movimento, tendo como objeto de estudo a língua como prática social em todos os contextos em que se aborde o uso da linguagem. Atualmente, trabalhos de pós-graduação têm enfocado a aplicação de linguagem, o ensino e aprendizagem e investigações aplicadas sobre seus estudos como prática social; entretanto, o mesmo não se pode dizer dos cursos de licenciatura em Letras, ainda sem tradição, conforme Cavalcanti & Moita Lopes (1991), no ensino e pesquisa de LA. Segundo os PCNs, a escola deve fazer com que o aluno desenvolva plenamente suas habilidades linguísticas, mas a fragmentação dos estudos linguísticos em leitura e compreensão, gramática e literatura, disciplinas geralmente voltadas para a decodificação da língua, não permitem uma prática reflexiva e autônoma sobre a linguagem. Assim, esta sessão coordenada tem como objetivo registrar as discussões teórico-epistemológicas sobre LA com enfoque no ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa. Tratando-se da formação de professores, refletir sobre a prática permite aos discentes se aperfeiçoarem como usuários da língua ao vivenciarem as interações sociais mediadas pelas modalidades oral e/ou escrita em diferentes esferas, de forma a atender a seus propósitos discursivos e também de seus interlocutores. Além disso, o olhar praxiológico pode suscitar aos futuros docentes construírem uma prática cidadã no que se refere às habilidades de leitura, interpretação e produção textual (oral e escrita).

Palavras-chave: Linguística Aplicada; Linguística textual; teoria e análise linguística; aquisição de linguagem.

[1] maressa.vieira@ifsp.edu.br

[2] elainehoyos@ifsp.edu.br

O romance contemporâneo português*

Charles Borges CASEMIRO[1]

O Projeto de Iniciação Científica O Romance Contemporâneo Português estuda, no IFSP-SPO, a prosa portuguesa contemporânea, discutindo a relação estabelecida entre a construção do romance contemporâneo, o discurso histórico-geográfico e as questões identitárias e de pertencimento lusos, no contexto da colonialidade. Os autores e romances selecionados como corpus do trabalho são, a princípio, os constantes da obra A Voz Itinerante: ensaio sobre o romance português contemporâneo (1993), de Álvaro Cardoso Gomes, dos quais tentamos apreender os exercícios estéticos que sedimentam a construção do que chamamos o romance histórico-identitário contemporâneo. Iago Nunes dos Santos trabalha com o passado desta base discursiva, vinculando Eça de Queirós a José Saramago; Vânia Maria da Silva trabalha com a voz feminina de Teolinda Gersão; já, Ana Lívia Pereira Batista e Ana Luiza Bertozzi trabalham, respectivamente com as poéticas de Lídia Jorge e de António Lobo Antunes e seus legados na obra posterior da jovem Isabela Figueiredo. Nesta ampla discussão, trabalhamos com três premissas filosóficas e estéticas gerais: a ideia da Forma como uma estrutura constitutiva do comportamento humano; a ideia da Forma como uma construção e manifestação inequivocamente histórica; e a ideia da Forma da História e da Forma do Romance como Formas narrativas dialéticas, particularizantes de uma História Humana Universal, conforme preconizam Goldmann, Lukács e Watt.

Palavras-chave: Romance Contemporâneo; Romance Português; Forma; Identidade.

[1] charlescasemiro@ifsp.edu.br >.


Literatura de Autoria Feminina: um olhar capitolino*

Charles Borges Casemiro[1]

O Projeto de Extensão Literatura de Autoria Feminina mantém no IFSP-SPO, desde 2015, um núcleo de pesquisadoras e pesquisadores extensionistas que se propõe ao levantamento, ao estudo, ao registro e ao compartilhamento da Literatura produzida por mulheres na história da Língua Portuguesa. Considerando o diálogo entre as histórias das Literaturas brasileira, africana e portuguesa e a sua valiosa contribuição para a construção, para o reconhecimento e para a aceitação da pluralidade, justiça e convívio democrático de gêneros nas culturas lusófonas, o Projeto se propõe, sobretudo, à compreensão da história da Literatura de Autoria Feminina no Brasil, evidenciando a sua participação na história das Literaturas de Língua Portuguesa e na história da afirmação das identidades culturais brasileiras, de modo especial, na história da afirmação das identidades da mulher brasileira. Nesse sentido, o Projeto tem compartilhado e replicado a sua discussão, ao mesmo tempo, histórica e afirmativa, em universidades públicas federais e estaduais, em escolas públicas da Grande São Paulo e em bibliotecas públicas, por meio das ações diversas dos pesquisadores-extensionistas, que fundamentam suas pesquisas e ações nas teorias da análise de discurso e nas teorias das ciências sociais atentas às relações entre os discursos políticos, econômicos e culturais e a história da mulher e da autoria feminina.

Palavras-chave: Literatura; Autoria Feminina; Identidade; Gênero

[1] charlescasemiro@ifsp.edu.br >.


* As duas propostas ocorrerão concomitantemente e o tempo para cada uma será administrado pelo coordenador da sessão.