Durante a graduação fiz estágio em uma escola municipal de uma cidade do Litoral (por motivos éticos não posso divulgar o nome), desenvolvi um projeto de psicologia comunitária que teve como foco a promoção da cultura de paz e a prevenção de comportamentos violentos no ambiente escolar. O contexto em que esse projeto ocorreu foi marcado por uma crescente preocupação com a segurança nas escolas do país devido a uma série de ataques violentos que ocorreram no Brasil, como os trágicos episódios em Suzano (2019) e Aracruz (2022), que resultaram em mortes e deixaram um impacto profundo nas comunidades educacionais. Esses eventos trouxeram à tona a urgência de se trabalhar estratégias de prevenção e mediação de conflitos dentro do ambiente escolar.
Diante desse cenário, o projeto foi pensado com o objetivo de incentivar uma comunicação mais saudável e empática entre os alunos, utilizando como base os princípios da Comunicação Não Violenta (CNV). Sempre fui curiosa e essa característica me levou a explorar uma vasta gama de abordagens e intervenções possíveis. A CNV, desenvolvida por Marshall Rosenberg, surgiu como uma ferramenta fundamental para promover o diálogo e a resolução de conflitos de maneira não agressiva. Essa abordagem ajudou a criar um espaço onde crianças e adolescentes pudessem expressar seus sentimentos e necessidades de forma assertiva, sem recorrer a atitudes violentas.
As atividades do projeto incluíram rodas de conversa e dinâmicas interativas que buscavam fomentar a empatia e o respeito mútuo. Essas atividades proporcionaram um ambiente seguro para que alunos e professores pudessem compartilhar suas experiências e frustrações, além de identificar possíveis situações de conflito antes que se tornassem episódios de violência. O objetivo era não apenas prevenir comportamentos agressivos, mas também construir uma cultura de convivência mais harmoniosa, onde o diálogo fosse sempre a primeira opção para resolver problemas.
Além disso, o projeto incluiu um passeio educativo que teve um papel crucial no despertar do sentimento de pertencimento nas crianças. Ao participarem de atividades externas à rotina escolar, os alunos puderam vivenciar experiências que reforçaram a importância do grupo e da comunidade. O passeio proporcionou momentos de interação e colaboração, fortalecendo o vínculo entre os participantes e a sensação de que todos têm um papel importante na construção de um ambiente escolar mais acolhedor e inclusivo.
Essa experiência reforçou minha crença de que a psicologia comunitária pode desempenhar um papel crucial dentro do ambiente escolar, especialmente em tempos onde a violência tem se tornado uma preocupação crescente. Este projeto foi uma oportunidade de aplicar a teoria aprendida em sala de aula na prática, e ver como intervenções psicológicas podem transformar o cotidiano escolar e promover um ambiente mais seguro e acolhedor para todos.