Dia 1
Abertura: 8h
Palestra da Profª. Drª. Adriana Sales
Data e horário: 15 de dezembro, às 08h30
Minibio: Adriana Sales é Doutora em Estudos Linguísticos pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. É especialista em Jane Austen pela Universidade de Oxford (2010). Atualmente é professora de inglês e suas literaturas no Ensino Médio e Graduação em Letras do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). É fundadora e presidente da Jane Austen Sociedade do Brasil desde 2008. Tradutora de Mansfield Park (2009), Razão e Sensibilidade (2010) e Emma (2012).
A comemoração dos 250 anos de nascimento de Jane Austen convida o público brasileiro a uma jornada literária que atravessa o país, revelando a amplitude da recepção, leitura e recriação da autora em nosso contexto cultural. O evento “Celebrando os 250 anos de Jane Austen de norte a sul no Brasil” propõe um panorama abrangente das atividades que têm mantido viva a presença de Austen no imaginário nacional, com destaque para os pesquisadores brasileiros e as iniciativas promovidas pela Jane Austen Sociedade do Brasil (JASBRA) desde sua fundação.
Na abertura, a Dra. Adriana Sales (JASBRA – CEFET-MG) apresenta uma retrospectiva dos 17 anos de atuação à frente da JASBRA, destacando projetos de difusão, pesquisa e tradução que consolidaram o diálogo entre a obra de Austen e o público brasileiro. Entre os marcos dessa trajetória estão as traduções, as pesquisas acadêmicas que exploram a circulação e a adaptação dos textos austenianos, bem como a organização de congressos, exposições e eventos culturais que aproximam leitores, pesquisadores e artistas.
O evento celebra não apenas a permanência da autora na literatura mundial, mas também a forma singular como o Brasil lê, traduz e reinterpreta. Essa celebração nacional reforça o papel da JASBRA como ponte entre tradição e contemporaneidade, entre o texto inglês e suas múltiplas ressonâncias em língua portuguesa. Mais do que uma homenagem, trata-se de um convite à continuidade: a leitura crítica, afetiva e criativa de Jane Austen no século XXI.
Palestra da Profª. Drª. Bianca Deon Rossato
Data e horário: 15 de dezembro, às 14h
Minibio: Bianca Deon Rossato é doutora em Letras – Literatura Estrangeira Moderna (UFRGS/2018), com trabalhos que discutem comparações entre obras como Orgulho e Preconceito (1813) e Persuasão (1818), de Jane Austen, e adaptações contemporâneas. Professora de Língua Inglesa, Língua Portuguesa e Literatura na rede de institutos federais há 12 anos, atua no IFSUL – Gravataí desde 2020.
Este trabalho tem como objetivo analisar de que forma os elementos responsáveis pela construção narrativa contribuem para a produção de sentido na obra Orgulho e preconceito (1813), de Jane Austen, e no videoblog Os Diários de Lizzie Bennet (2012/2013), produzido por Hank Green e Bernie Su. Para tanto, leva-se em consideração a expressão da subjetividade nos dois contextos históricos, o início do século XIX e o início do século XXI, conforme Jon Dovey (2000). Além disso, no que se refere ao romance da escritora britânica, os tipos de narrador e a focalização provenientes de estudos narratológicos como os de Luc Herman e Bart Vervaeck (2005) embasam a investigação. Já no que concerne aos Diários, escrutinam-se tópicos como o narrador fílmico de Peter Verstraten (2009) e o uso da câmera a partir de Martin Lister et al (2009) e Kjetil Rodje (2017). O que se verifica é que as construções narrativas de ambas as obras possibilitam o surgimento de camadas de significado relevantes para a produção de sentido que vão além da comédia romântica.
Palestra do Prof. Dr. Vitor Alevato do Amaral
Data e horário: 15 de dezembro, às 19h
Minibio: Vitor Alevato do Amaral é carioca, professor de Literaturas de Língua Inglesa da Universidade Federal Fluminense e líder do grupo de pesquisa Estudos Joycianos no Brasil. É vice-coordenador do POSLIT/UFF (2022-2025). Organizou e traduziu Outra poesia (Syrinx, 2022), que reúne os poemas da juventude e os poemas de ocasião de James Joyce, e participou da tradução coletiva de Finnegans Wake (Iluminuras, 2022), ganhadora do prêmio Jabuti de melhor tradução (2023). Membro do grupo de pesquisa KEW - Kyklos de Estudos Woolfianos.
E-mail: vitoramaral@id.uff.br
Uma das marcas da obra de Jane Austen é o uso do discurso indireto livre. Em sua época de romancista, a referida técnica narrativa era uma inovação importante na ficção, que se tornava mais irônica. No discurso indireto livre “tempo verbal e pronomes pessoais relacionados ao narrador se combinam a outros elementos subjetivos relacionados à personagem, sem a subordinação a uma oração com verbo de elocução” (Eric Rundquist, Free Indirect Style in Modernism, 2018, p. xiii). Ausente dos primeiros romances, como Robinson Crusoe (1719), de Daniel Defoe, a técnica que Jane Austen manejou tão bem seria usada mais extensamente por escritores modernistas de um século mais tarde, como Virginia Woolf e James Joyce. Este trabalho visa a comparar o uso do discurso indireto livre entre os três escritores.
Palestra do Prof. Michael Kramp, PhD
Data e horário: 15 de dezembro, às 20h
Minibio: Michael Kramp is a scholar of nineteenth-century British Literature, Critical Theory, and Masculinity Studies. He is currently engaged in a multiyear project, Jane Austen and the Future of the Humanities, designed to leverage Austen’s work to showcase the importance of the humanities to diverse public audiences; this project involves a podcast, a documentary film, and a public-facing monograph. He is the author of Patriarchy’s Creative Resilience (Routledge, 2024) and Disciplining Love: Austen and the Modern Man (The Ohio State University Press, 2007) and editor of Jane Austen and Masculinity (Bucknell University Press, 2017) and Jane Austen and Critical Theory (Routledge, 2021). He has co-edited the first scholarly edition of William Delisle Hay’s The Doom of the Great City (1880) for the West Virginia University Press’s Salvaging the Anthropocene series and a new edition of Richard Jefferies’s After London (1885) for Clemson University Press. He has also published on such figures as Deleuze, Foucault, Pater, Dickens, and Lawrence. He has edited and introduced special issues of Rhizomes focused on Deleuze and Photography and Austen and Deleuze and published a series of articles on nineteenth-century visual culture and New Women literature, including pieces on the work of Hawarden, Lady Clementina, Henry Fox Talbot, Ella Hepworth Dixon’s The Story of a Modern Woman, and Amy Levy’s The Romance of a Shop. Since 2019, he has also co-mentored a cross-disciplinary social-impact film and research project on maternal health, The Mothers of Sierra Leone, which uses documentary storytelling, amplifying women’s voices in Sierra Leone to improve maternal health outcomes. He also writes regularly for public venues on topics related to men, masculinity, and contemporary patriarchy.
Change can be hard and at times overwhelming. Change can also be exhilarating and the source of empowering new possibilities. These truths—perhaps painfully obvious or even universally acknowledged truths—can also make it inevitably difficult to process and talk openly about change. Austen details characters engaging in difficult dialogues affected by such changes. It’s so very difficult to enter into civil discourse, especially with people and communities who fundamentally live and think differently from us. In Pride and Prejudice, Austen shows us how characters engage in these processes—as they process change. I explore how Austen’s great novel details dialogues that may generate surprising models for civil discourse. Not all of these conversations will demonstrate recognizable models of politeness. And I don’t think we should confuse polite conversation with civil discourse. Some of the examples we consider might appear sharp, divisive, or even rude. And yet, Austen still shows us people engaging in difficult discussions, attempting to work through changing realities, trying to process new experiences.
Dia 2
Palestra da Profª. Drª. Genilda Azerêdo
Data e horário: 16 de dezembro, às 08h30
Minibio: Genilda Azerêdo é professora titular da Universidade Federal da Paraíba, com atuação no Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da UFPB. Doutora em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (2001) e Mestra em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (1990). Realizou estágio pós-doutoral na UFSC em 2018. Desenvolve, desde 2010, pesquisa com apoio financeiro do CNPQ. Tem interesse nas seguintes áreas de estudo: teorias da narrativa literária e fílmica; narrativas poéticas; literatura e cinema; adaptação; intermidialidade; metaficção. É autora de três livros sobre Jane Austen e de artigos sobre literatura e cinema, publicados em livros e periódicos.
Jane Austen tornou-se uma escritora altamente adaptada depois dos anos de 1990. A reescrita e releitura de suas obras pela expressão audiovisual possibilitam o diálogo com diversos aspectos de sua produção literária, a partir da perspectiva do mundo contemporâneo: no nível da experiência, pensemos na relevância da subjetividade feminina, na domesticidade, na centralidade do casamento; no plano das formas, pensemos na ironia, na utilização das cartas, no uso pioneiro do discurso indireto livre. Considerando a articulação entre configuração formal e experiência, propomos discutir, através de alguns exemplos do contexto audiovisual, os efeitos que algumas adaptações engendram.
Palestra da Profª. Drª. Maria Clara Pivato Biajoli
Data e horário: 16 de dezembro, às 14h
Minibio: Professora de Literatura Inglesa da Universidade Federal de Alfenas desde 2019. Graduada em História e em Letras e Doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp (2017).
Logo após a publicação de Mansfield Park (1814) e, novamente, logo após a publicação de Emma (1816), Jane Austen coletou as opiniões de sua família e de outras pessoas próximas a respeito desses seus dois romances, posteriormente registrando-as em pequenos cadernos provavelmente montados por ela mesma. Esta apresentação propõe analisar as informações transcritas nesses dois manuscritos, hoje pertencentes a British Library, com três propósitos: primeiro, contestar a imagem recorrente de que Austen era uma escritora amadora, pouco interessada com o mercado livreiro e com o contexto literário de sua época; segundo, tomar essas opiniões a partir da teoria dos Estudos da Recepção para propor hipóteses a respeito das expectativas daquele microuniverso “entrevistado” por Austen a respeito do gênero do romance moderno e dos motivos pelos quais as obras atenderam – ou não – a essas expectativas. Por fim, alguns trechos dessas opiniões serão comparados com trechos dos romances mencionados para sugerir que, ao invés de uma transcrição fiel, esses manuscritos carregam marcas do estilo de escrita da autora.
Palestra do Prof. Dr. Rogério Miguel Puga
Data e horário: 16 de dezembro, às 19h
Minibio: Professor Associado com Agregação na Universidade Nova de Lisboa.
Tal como outras escritoras — as irmãs Brontës, Lady Mary Wortley Montagu, Katherine Mansfield e Virginia Woolf — também Austen escreve nas suas adolescência e juventude, textos (Juvenilia) que são interpretados por muitos teóricos como ‘treino’ e aprendizagem literários e entretenimento pessoal e familiar, por vezes menosprezada como documento sobretudo autobiográfico. O presente estudo analisa os estratégicos e irónicos exageros nas descrições de jane Austen para estudar as estéticas do grotesco e do ridículo na ‘flash fiction’ carnavalesca de Austen, “Frederic and Elfrina” (c.1787), que, como veremos, dialoga intertextualmente com outros textos femininos.
Dia 3
Palestra da Profª. Drª. Natália Corrêa Porto Barcellos
Data e horário: 17 de dezembro, às 08h30
Minibio: A Profª. Drª. Natália Barcellos é docente do quadro permanente do Departamento de Letras Modernas na Faculdade de Ciências e Letras da UNESP, campus de Araraquara. Doutora em Estudos Literários pela Universidade Livre de Berlim. Mestre em Estudos Literários pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UNESP. Especialista em Literaturas de autoria feminina com ênfase nas obras de Jane Austen e das irmãs Brontë pela Universidade de Oxford (UK - 2023 e 2024). Graduada em Letras com habilitação em língua e literatura alemã, língua e literatura inglesa e norte-americana, e língua e literatura brasileira e portuguesa pela UNESP. É membro do corpo editorial da Revista Itinerários do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários da UNESP (CAPES/Qualis A3). Tem experiência na área de Letras com ênfase em literaturas estrangeiras de língua alemã e inglesa do século XIX, Primeiro Romantismo Alemão, bem como na integração de textos literários ao ensino de língua estrangeira. Atualmente dedica-se especialmente ao projeto de pesquisa intitulado “Literaturas de expressão feminina: do século XVIII à contemporaneidade”.
Para celebrar a importância de Jane Austen e de seu legado, a exposição imersiva Thank you Jane! foi sendo construída ao longo de 5 anos em torno da investigação acerca da materialidade na obra de Jane Austen. Por meio de pesquisa histórica da indumentária seguindo também as pistas contidas acerca desse tema nos romances da autora, foram reconstituídos diversos trajes históricos femininos a fim de se compreender melhor o papel dos tecidos, do vestuário e dos trabalhos manuais que compõem a construção narrativa bem como a caracterização das personagens austenianas, as quais por sua vez representam mulheres daquele contexto histórico-social, o mesmo da própria autora Jane Austen. O conteúdo teórico-crítico da exposição foi elaborado de forma a estabelecer uma perspectiva dialógica entre a obra de Austen e outras pensadoras e escritoras importantes como Charlotte Brontë, Virgínia Woolf e bell hooks, passando pela recepção da obra de Austen no Brasil, além de abordar a influência de sua obra na cultura popular por meio das inúmeras adaptações para as mídias audiovisuais. Tendo em vista também a aproximação com novos leitores iniciantes em sua obra, propusemos um panorama das heroínas literárias de Austen de forma irreverente em uma linguagem leve e acessível. Com o intuito de investigar o processo criativo da escrita de Austen, propusemos a discussão de obras escolhidas em conjunto com o aprendizado de artes manuais que eram praticadas por Jane e as mulheres de seu tempo. Deste modo, reconstruímos a muitas mãos a célebre colcha de retalhos que Jane costurou com sua irmã e sua mãe por volta de 1810. A exposição contou também com objetos divididos em quatro sessões temáticas: A obra literária de Austen, Austen na cultura popular, Acessórios femininos e Cartas de Austen, fundamentais para pesquisadores que buscam pistas biográficas e do processo criativo da autora.
Palestra do Prof. Dr. Lajosy Silva
Data e horário: 17 de dezembro, às 14h
Minibio: Lajosy Silva nasceu em Capinópolis, 05 de julho de 1974. Fez Letras na Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduação na UNESP e na USP, onde desenvolveu pesquisas nas áreas de literatura, teatro e cinema. Publicou os romances O Sexo do Pêssego (2006), Lêda e o Cisne (2007), Confissão (2008), O Fim de Nós (2013), Orgulho (2013), Campina (2014), Éden (2018) e Amor na Clave de Sol (2020), além da coletânea de contos Campos Tristes (2010), com histórias inspiradas por sua cidade natal. O autor escreveu a coletânea de ensaios Leituras de Jane Austen no Século XXI (2014) e artigos sobre literatura, teatro e cinema que estão na coletânea Olhares – Teatro, Cinema e Literatura (2016).
Apesar de ser uma escritora que publicou sua obra no início do século XIX, Jane Austen tornou-se um ícone da cultura popular contemporânea, por vezes, também chamada de “cultura pop”, porque suas obras foram devidamente adaptadas para o cinema e a TV, com bastante sucesso de público e crítica. Na sua escrita, observa-se um aspecto fundamental para esse sucesso que é a teatralidade dos seus diálogos, bem como a criação de personagens que sugerem o olhar atento de uma autora para a complexidade e contradições humanas. Além disso, sua escrita inspirou releituras e tem sido fonte de inspiração para roteiristas que recriam obras a partir de estruturas de enredo oriundas dos seus romances. É algo que tem ocorrido desde meados do século XX, contribuindo em muito para a popularização da autora frente a muitos leitores jovens até os dias de hoje. Há quem veja sua popularidade como fruto da atemporalidade de sua obra, cujos temas despertam interesse e reflexões sobre representações do feminino e convenções sociais.
Palestra da Profª. Drª. Renata Colasante
Data e horário: 17 de dezembro, às 19h
Minibio: Renata Colasante é tradutora. É graduada em Letras e possui mestrado e doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela USP, tendo dedicado suas pesquisas aos romances e cartas de Jane Austen. Tradutora de Cartas de Jane Austen, publicado pela Editora Martin Claret.
O objetivo desta apresentação é discutir como as Cartas configuram um gênero literário, discutindo suas singularidades e características e demonstrar como Jane Austen inseriu-se na efervescência das trocas de correspondência da Inglaterra oitocentista. Em seguida, abordaremos como a compreensão da carta enquanto um gênero literário distinto influenciou o processo de tradução de suas cartas para o português brasileiro.