Degustação
1 Introdução
O desenvolvimento humanístico é extremamente lento quando comparado ao tecnológico. No entanto, o desenvolvimento humanístico é responsável pela lapidação das qualidades dos seres humanos. Este desequilíbrio entre o desenvolvimento tecnológico e o humanístico gerou uma situação muito complicada. A humanidade produz e utiliza coisas sofisticadíssimas. No entanto, os seres humanos continuam se agredindo por motivos que são extremamente banais, como se ainda estivessem na idade da pedra.
O subdesenvolvimento humanístico favorece o desrespeito à manifestação da individualidade por divergência de opinião e propicia o surgimento de hostilidades, tais como: guerras, ataques terroristas, assassinatos, escravizações, torturas, prisões, roubos, espancamentos, exploração, discriminação, estupros, bullying etc. Os seres humanos já fizeram duas guerras mundiais e muitas outras regionais. As guerras são o tipo de hostilidade mais nefasto que existe. Elas já mataram, feriram e mutilaram milhões de pessoas em todo o mundo. Entretanto, os ataques terroristas são quase tão nefastos quanto as guerras. Eles são muito frequentes e também já causaram uma quantidade enorme de vítimas. Só o ataque terrorista de onze de setembro de 2001, nos Estados Unidos, matou quase três mil pessoas e feriu outras tantas. Este cenário desolador pode piorar ainda mais, pois a tecnologia evoluiu tanto, que alguns povos têm poder bélico suficiente para destruir o mundo inteiro.
As agressões podem ocorrer dentro de um mesmo povo ou entre povos distintos. No entanto, os fatos demonstram que a maioria das agressões ocorre dentro de um mesmo povo. Isso acontece porque dentro de qualquer povo há uma quantidade enorme de divergências e pessoas que não sabem lidar direito com os seus sentimentos. Além disso, há também aquelas pessoas que preferem dar vazão aos seus sentimentos a serem razoáveis. Esse quadro parece pessimista, mas há muita gente que poderia melhorar o seu modo de pensar e agir depois de algum esclarecimento. Se esse esclarecimento for massivo e constante, talvez pudesse desencadear um processo de desenvolvimento cultural. O desenvolvimento cultural é a maneira mais segura e eficaz de reduzir quantitativa e qualitativamente as hostilidades.
O desenvolvimento e a evolução culturais fazem com que alguns motivos de divergências se tornem muito banais e contribui para a redução das possibilidades de hostilidade. Por exemplo: antigamente, as mulheres não podiam trabalhar em muitas profissões porque estas eram consideradas masculinas. No entanto, a evolução cultural diminuiu muito esse preconceito e discriminação. Hoje em dia, há mulheres em quase todas as profissões. Contudo, esse problema ainda persiste nas sociedades culturalmente mais atrasadas. Os fatos demonstram que as agressões e a tolerância para com os agressores diminuem à medida que a cultura do povo evolui. Essa relação mostra que o desenvolvimento e a evolução culturais são pré-requisitos da evolução humanística. Em outras palavras, o desenvolvimento e a evolução culturais são imprescindíveis para tornar as pessoas e as sociedades mais esclarecidas, amistosas e justas. Sem o desenvolvimento e a evolução culturais, os seres humanos jamais conseguirão se libertar da mentalidade que tanto atrapalha a conquista do bem estar e da paz.
A evolução da mentalidade humana requer a ampliação de conhecimentos e a revisão de crenças e valores. Isso não é fácil, pois isso tem como pré-requisito o conhecimento da verdade. A humanidade busca pela verdade há milênios. Muitos pensadores passaram as suas vidas tentando descobrir um método que possibilitasse identificar a verdade. Alguns desses métodos ficaram muito famosos. Por exemplo: a maiêutica e a dialética. Entretanto, nenhum deles se mostrou eficaz para atingir o seu objetivo. O método científico tem suas limitações, mas ainda é o melhor modo de tentar identificar a verdade. Esta impossibilidade de identificar a verdade sob qualquer circunstância gerou a seguinte questão: Como convencer alguém a mudar o seu modo de pensar sem poder lhe demonstrar o que é a verdade? Principalmente, tendo como agravante, o fato dos seres humanos serem avessos a mudanças. A melhor maneira de contornar esse problema parece ser por meio de informações que incentivem os seres humanos a serem mais questionadores. É exatamente essa a proposta do livro “O Thacentrismo”. Aliás, é por causa disso que o seu subtítulo é “Abrindo Mentes”.
O livro “O Thacentrismo” apresenta uma visão nova da realidade, mas a sua essência já é conhecida de todos. Contudo, é a primeira vez que ela é analisada tão estruturada e profundamente. O conjunto de argumentos que poderia subsidiar a apresentação do que é o thacentrismo é praticamente infinito. Absolutamente tudo que se possa imaginar poderia fazer parte dele. Por isso mesmo, esta obra vai tentar demonstrar isso mostrando que absolutamente tudo está relacionado com thacentrismo. O primeiro passo para corresponder à criação de tanta expectativa é conceituar o que é o thacentrismo adequadamente. Entretanto, isso requer estabelecer uma convenção que será muito importante para o entendimento do thacentrismo. As palavras “ser”, “coisa” e seus respectivos plurais jamais serão utilizadas como sinônimos nesta obra, pois isso poderia causar uma grande confusão. A palavra “ser” quando substantivo será utilizada apenas para designar aquilo que for fruto da natureza. A palavra “coisa” será utilizada somente para designar aquilo cuja origem não puder ser imputada para a natureza. A necessidade dessas distinções se tornará óbvia à medida que as explicações referentes ao thacentrismo forem sendo introduzidas.
2 Conceituação de Thacentrismo
A palavra “thacentrismo” foi criada combinando o prefixo “th” da palavra grega para vontade ou desejo “thélema” e “centrismo” para indicar que a vontade é o centro de, absolutamente, tudo (volucentrismo).
O thacentrismo se contrapõe ao antropocentrismo e ao teocentrismo simultaneamente. O antropocentrismo presume que o homem é o centro de tudo e o teocentrismo considera que Deus é o centro de tudo.
O antropocentrismo e o teocentrismo são considerados fatos por muita gente. Contudo, ambos se originaram a partir de crenças e valores. Essa procedência constitui um bom motivo para desqualificar ambos como verdadeiros. Acreditar que algo seja verdadeiro não é suficiente para torná-lo verdadeiro. Não interessa quantas pessoas acreditam nisso nem a importância dos papéis desempenhados por elas na sociedade. Algo somente pode ser considerado verdadeiro se isso for constatado por meio de fatos que sejam inquestionáveis.
O thacentrismo, diferentemente do antropocentrismo e do teocentrismo, não deriva de crenças nem valores. A existência dele foi inferida a partir de conhecimentos científicos e empíricos que são pontos pacíficos. O próprio leitor poderá julgar a coerência do thacentrismo no decorrer desta obra.
O thacentrismo está muito próximo do antropocentrismo e do teocentrismo apesar de toda diferença que foi comentada acima. Essas três visões têm procedências distintas, mas a essência delas é a mesma, a vontade. O antropocentrismo coloca a vontade humana no centro de tudo. O teocentrismo põe a vontade divina no centro de tudo. O thacentrismo sustenta que o centro de tudo é sempre uma vontade. Talvez, a sutileza dessa distinção não seja percebida neste momento, mas isso, certamente, mudará mais adiante.
O conhecimento da teoria do thacentrismo é importantíssimo para: melhorar a compreensão da realidade; as pessoas se situarem na vida; as pessoas tomarem as suas decisões sobre bases mais coerentes e confiáveis. Evidentemente, tudo isso somente será possível se absolutamente tudo que as pessoas conhecem, veem, fazem, sentem, pensam e passam, realmente, puder ser creditado ao thacentrismo. A melhor maneira de saber se isso é possível é por meio da análise da fundamentação do thacentrismo.
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