Degustação
Um jovem branco, bronzeado, alto, forte, de semblante triste e aparentando cerca de 20 anos vem caminhando cabisbaixo pelas ruas de um bairro de classe média baixa. De repente, o jovem para em frente uma casa, abre o portão, entra nela tranquilamente, vai para a cozinha, abre a geladeira, se serve, se senta e começa a comer como se estivesse em sua casa. Alguns minutos depois, Janete, uma senhora negra, forte, aparentando uns quarenta anos, entra na cozinha e ao vê-lo pega uma vassoura, começa a bater nele com muita força e a gritar:
— Ladrão!! Socorro polícia!! ladrão!!! Socorro polícia!!!
— Para de me bater! Sou eu, mãe, o Jorge!
— Cê tá louco! O meu filho é negão! Fora da minha casa seu cara de pau!
De repente, Janete olha o jovem de cima a baixo e lhe pergunta:
— Pera aí, por que você tá com as roupas do Negão? O que você fez com o meu filho?
— Sou eu mãe, o Jorge!
— Socooorro!!! Socooorro polícia!!! Sequestrador!!! Sequestrador!!!
A seguir, Janete pega o seu celular e tenta fazer uma ligação. Neste momento, o jovem aproveita a distração dela e sai correndo da casa, mas ela larga o celular e corre atrás dele. O jovem pega uma bike que estava no quintal e tenta fugir pedalando, mas Janete corre atrás dele pelas ruas do bairro gritando bem alto:
— Volta aqui! Devolve a bike do Negão! Socooorro!!! Ladrãããoo!!! Pega ladrãããoo!!! Polícia!!!
Mas, o jovem ganha velocidade e pedala até sumir de vista. Longe dali, o jovem se senta no banco de uma praça, passa as mãos nos lugares das pauladas e chora muito.
A estória desse jovem começou há muitos anos atrás na família Santos. Nessa época, a família Santos era composta de Carlos, um mulato, metalúrgico, aposentado e motorista de Uber; Janete, a esposa de Carlos, uma negra, professora desempregada, que fazia bico de manicure para ajudar nas despesas da casa; os três filhos do casal, Jorge, o mais velho, e as gêmeas, Rebeca e Luna.
A T E N Ç Ã O
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