Degustação
As questões existenciais que despertam o interesse do ser humano são muitas. Certamente, as mais importantes são as mais difíceis de serem respondidas. Exemplo: O que somos? De onde viemos? O que é a vida? Como surgiu a vida no universo? Qual é o objetivo da vida? A alma existe? O que é a alma? O que acontece após a morte? Será que há outros seres inteligentes no universo? Será que o universo vai morrer? Se o universo morresse, o que aconteceria depois? Uma parte do interesse nessas questões pode ser creditada à curiosidade, outra, ao medo que a inevitabilidade da morte causa no ser humano. Uma grande parte desse medo está relacionada com as crenças e os mitos que foram criados em torno dessas questões. As religiões e similares e a ciência são os principais responsáveis pela criação, diversificação, disseminação e manutenção dessas crenças e mitos. No entanto, elas somente têm este poder porque a maioria das pessoas acredita que o único ou o melhor meio de responder a essas questões seja através delas.
A ciência tenta conquistar os seus seguidores, exclusivamente, por meio da razão. Já as religiões e similares tentam conquistar os seus por meio de mensagens de forte apelo emocional cuja origem é atribuída às suas divindades. Nessas mensagens estão contidos os valores que esses seguidores devem respeitar. As religiões e similares tentam evitar a transgressão desses valores ameaçando a quem desrespeitá-los com a ira divina. Elas também tentam evitar o questionamento dessas mensagens impondo fé incondicional de seus seguidores.
A ciência é obrigada a reconhecer que tudo que acontece no mundo é devido às leis da natureza, pois sem estas nem ela existiria. A ciência ainda não tem resposta alguma que possa ser considerada cientificamente válida para as grandes questões existenciais. No entanto, alguns cientistas acreditam que isso seja apenas uma questão de tempo. Aliás, alguns deles até já apresentaram algumas teorias para tentar explicar a origem do universo. Exemplo: A Teoria do Big Bang, a Teoria do Big Rip, a Teoria do Big Crunch, a Teoria do Big Splash, a Teoria Big Bounce etc. Nessas teorias, o universo é visto caótico e a vida como algo mecânico que pode acabar repentinamente. Contudo, nenhuma dessas teorias deve ser levada muito a sério, pois tudo que ainda não foi posto a prova não é cientificamente válido, ou seja, é apenas especulação.
A maioria das pessoas é seguidora e defensora das religiões e similares ou da ciência. Essa polarização acontece porque: as pessoas que têm coragem de questionar aquilo que já está firmemente preestabelecido são poucas; os defensores da ciência e das religiões e similares já trabalham para isso há muito tempo. Os defensores das religiões e similares tentam desprestigiar a ciência alegando que esta não é capaz de apresentar explicações para as questões existenciais que mais interessam ao ser humano. Os defensores da ciência reconhecem essa incapacidade, mas se defendem dizendo que esta pode ser temporária. Contudo, muitos deles repudiam as religiões e similares alegando que as explicações destas são inviáveis porque contrariam as leis da natureza e, consequentemente, a lógica. Os defensores das religiões e similares rebatem isso alegando que nem tudo é lógico, mas não apresentam prova alguma disso. Os defensores da ciência também acusam os defensores das religiões e similares de promoverem a discórdia e atrapalharem o desenvolvimento intelectual e humanístico. No entanto, alguns deles fazem o mesmo quando apresentam proposições que ainda não foram testadas como quase verdades. Relembrando: tudo que ainda não tenha sido submetido aos rigores do método científico, por mais lógico que seja, é apenas especulação. Acreditar nas especulações dos cientistas é o mesmo que ter fé, pois alguém se fia naquilo que foi dito ou escrito por alguém que alguém diz que é confiável.
A disputa que a ciência e as religiões e similares travam em nome da verdade é tão feroz que é muito difícil convencer alguém de que pode haver outros meios para isso. Independentemente, de quão viáveis possam ser esses meios. Aliás, propor outro meio é quase certeza de comprar briga com a ciência e as religiões e similares. Em geral, isso acontece porque as pessoas se deixam levar pelo seu condicionamento cultural e pelas suas emoções sem sequer analisar outras possibilidades. O condicionamento cultural e a dificuldade de descobrir a verdade tornam muita gente cética. O ceticismo pode ser bom ou ruim. Ele é bom quando impede a aceitação de incoerências. Ele é ruim quando constitui uma barreira para a busca e a visão da verdade. Portanto, os principais desafios para apresentar novas proposições para as questões existenciais são: 1º) Descobrir a verdade; 2º) Convencer as pessoas de que há outras possibilidades além daquelas que são ofertadas pela ciência e pelas religiões e similares; 3º) Apresentar outras possibilidades sem melindrar ninguém nem provocar a discórdia. Fazer isso é um desafio gigantesco. No entanto, vale a pena enfrentar esse desafio quando o objetivo é apresentar proposições para as questões existenciais que possam ser viáveis. Essa é a melhor maneira de contribuir para a evolução pessoal, social e humanística. O primeiro passo para enfrentar esse desafio é, obrigatoriamente, a conceituação de universo, pois tudo ocorre dentro dele. Inclusive, as grandes questões existenciais.
A palavra “universo” tem diversos significados. Contudo, o único que interessa neste livro é o seguinte: o universo é o corpo de algo que é composto de tudo que existe desde o micro até o macrocosmo. Algumas vezes, o universo também é chamado de mundo. A propósito, o significado de universo está explícito na própria palavra “universo”, que é formada pela aglutinação das palavras “único” e “verso”. A palavra “universo” tem a sua origem na percepção de que tudo que existe está integrado como se fossem as palavras de um único e imenso verso.
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