Intercâmbio na UnB
inscrições abertas até 16 de agosto
Por Cairo Tondato
Por Cairo Tondato
Morar e estudar em um outro país é o sonho que muitos universitários gostariam de realizar, e agora é a chance de muitos destes: a Universidade de Brasília (UnB) iniciou, no dia 3 de agosto, a pré-seleção de estudantes de graduação para o Programa de Intercâmbio no período de janeiro a junho de 2023. As inscrições vão até terça-feira, 16 de agosto. Descubra, abaixo, as principais informações sobre o intercâmbio e por que você não pode perder essa oportunidade.
Etapas para participar do Programa de Intercâmbio
Semestralmente, a Secretaria de Assuntos Internacionais (INT/UnB) lança edital de seleção de estudantes da graduação para intercâmbio nas universidades parceiras. Os requisitos para participar variam conforme edital, e, de acordo com o site da INT, eles envolvem:
Ser aluno regular de graduação da UnB;
Não possuir processo administrativo contra sua pessoa;
Porcentagem de horas de estudos/créditos obtidos mínima (40%) e máxima determinada em edital;
Índice de Rendimento Acadêmico (IRA) mínimo determinado em edital (igual ou superior a 3,0);
Domínio do idioma oficial da instituição anfitriã. O nível de proficiência deve ser comprovado a partir de testes específicos, a depender da universidade e do idioma.
No momento da inscrição, o candidato pode incluir até cinco opções de universidade dentre aquelas disponíveis no Quadro de Vagas, divulgado junto ao edital. Para o próximo semestre, a lista de países inclui:
Na América do Sul: Argentina, Colômbia, Equador e Chile
Na América do Norte: Canadá
Na Europa: Áustria, Bélgica, Portugal, Espanha, França, Itália, San Marino, Polônia e Finlândia
Na Ásia: Coreia do Sul, Japão e Taiwan.
Criamos esta rota no Google Earth. Clique na imagem abaixo e navegue por esses países:
Nesta primeira etapa, é necessário o envio de documento de identificação válido (preferencialmente o passaporte) e cópia do comprovante de proficiência requerido pela universidade de destino escolhida.
Após a inscrição, ocorre a seleção, em que os candidatos são classificados de acordo com a nota final. Essa nota é calculada considerando-se o IRA, a carga horária total pendente e a carga horária total exigida.
Em seguida, na nomeação, a Secretaria de Assuntos Internacionais começa a indicar a cada universidade estrangeira quem são os alunos selecionados. Por fim, ocorre a candidatura, que é a formalização do pedido para realizar intercâmbio perante a universidade anfitriã. Desse modo, a universidade analisa a candidatura e, se for aprovada, envia uma Carta de Aceitação.
Contrato de Estudos
Além do edital, é importante que o candidato consulte o Contrato de Estudos, documento que apontará as matérias a serem cursadas no exterior com as possíveis equivalências com matérias na UnB.
O estudante deve incluir no contrato as matérias que pretende estudar durante o intercâmbio e, por sua vez, o coordenador indica as disciplinas equivalentes na UnB. O objetivo desse contrato, portanto, é garantir que os estudos feitos no exterior sejam aproveitados pela instituição de origem.
Carta de Aceite
A Carta de Aceitação é necessária para se conseguir o visto de estudante junto ao Consulado do país de destino. Somente depois do recebimento da carta, o aluno deverá começar a se organizar para a viagem, preocupando-se com passagens aéreas, alojamento, seguro saúde/viagem internacional, etc.
Custos relacionados ao intercâmbio
É importante estar ciente de que não há auxílio financeiro. O estudante fica isento apenas das taxas acadêmicas. Ou seja, não há nenhum gasto com matrícula e mensalidade nas universidades estrangeiras. Porém, ele deve arcar com alimentação, moradia, transporte e demais gastos durante o tempo que durar o intercâmbio.
Para mais informações, acesse o link: http://www.int.unb.br/br/selecoes-int/abertas/931-edital-n-010-int-2022
Histórias de quem fez intercâmbio
Para entender de vez se o intercâmbio é ou não para você, conheça as histórias de dois estudantes que passaram por esse processo e contam, em detalhes, o impacto da experiência.
João Gabriel (22), estudante do 8º semestre do curso de Comunicação Organizacional, esteve na Universidade de Varsóvia, na Polônia, de fevereiro a julho deste ano. Para escolher o destino, ele se baseou no currículo em comunicação, uma vez que as opções de curso ofertadas pela universidade anfitriã pareceram-lhe muito boas.
O estudante explica que a decisão de viajar foi repentina e, por isso, não teve muito tempo para se organizar. “Minha amiga me lembrou da existência do intercâmbio faltavam três dias para o edital fechar. Não tinha absolutamente nada preparado, nenhum documento, nem certificado. Então eu corri atrás em dois dias e me inscrevi, mas não tive nenhum preparo”.
Quanto à hospedagem, João Gabriel optou pelo alojamento da universidade, já que, segundo ele, o dormitório é sempre mais barato porque é feito realmente para estudantes. “As universidades reconhecem que os alunos precisam de um auxílio, então acabam cobrando um aluguel mais barato”, explica.
Sobre o custo de vida na Polônia, ele admite ter tido sorte por escolher um país relativamente barato sem ter pesquisado a fundo entre as opções que tinha. Isso porque a Polônia não está na zona do euro: o país tem uma moeda própria, que equivale a pouco mais de 1,10 real brasileiro.
Ainda que João Gabriel esperasse por diferenças culturais, ele conta que o choque foi grande. “A Polônia tem uma cultura totalmente diferente da que os brasileiros estão acostumados. Eles têm uma história muito amarga de guerra. Então, é um país triste, rude, fechado e individualista”, conta. Essas características teriam prejudicado a interação com a população local, tornando a comunicação um desafio. “A minha maior dificuldade foi a língua, porque nem todo mundo fala inglês, e como eles são muito individualistas, não estão dispostos a te entender. Mesmo que você aponte ou faça mímica, eles não querem te ouvir. Em algumas situações, eu recorria ao Google tradutor”.
Em relação ao aproveitamento de disciplinas, João Gabriel fez um semestre na Faculdade de Jornalismo e Informação, mas também cursou matérias da Faculdade de Administração e Gestão. Ele explica que se as disciplinas tiverem equivalência, entram como optativas. Caso contrário, entram como módulo livre. “Essa questão da equivalência você vê com a FAC antes de ir. Você já vai ciente de quais matérias são aproveitadas como optativas e módulo livre”.
De forma geral, ele avalia como positiva sua experiência no intercâmbio. “Aprendi a ser mais independente porque, ainda que exista uma rede de apoio, com amigos, você está se jogando no mundo sozinho. É bom para o crescimento pessoal. Você começa a interagir com pessoas novas, com culturas diversas, realidades diferentes. Sua visão de mundo se modifica de uma forma indescritível”, conta o estudante.
Por último, ele dá dicas para quem deseja participar do Programa de Intercâmbio da UnB. “Planeje-se financeiramente porque são gastos muito grandes. É possível conseguir um emprego lá, mas não é algo com que a gente possa contar. Isso depende de muitas outras questões. Pesquise o lugar para onde você está indo, veja a cultura, hábitos e o idioma. E não tenha vergonha de pedir ajuda.” João Gabriel também aponta para a importância da imersão cultural. “Se você não absorver a cultura do país para onde está indo, você não vai aproveitar seu intercâmbio. Então, encare o mundo como se você realmente fosse um cidadão local”, completa João.
Catarina Xavier (22), estudante do penúltimo semestre de Publicidade e Propaganda, fez seu intercâmbio entre janeiro e junho de 2022, na Universidade de Navarra, em Pamplona, Espanha. A escolha do destino se deu por conta da possibilidade de utilizar o certificado de proficiência em inglês que ela já possuía e por considerar a localização da cidade interessante, próximo ao litoral e à fronteira com a França.
A estudante conta que sempre teve vontade de fazer um intercâmbio e aproveitou a primeira oportunidade depois da pandemia. Ela explica como a universidade a auxiliou na realização desse sonho: “a UnB resolve questões voltadas à burocracia educacional, como o contato com a instituição, sua aprovação e fornecimento de documentos essenciais, entre eles, o histórico escolar traduzido em outras línguas”.
Assim como João Gabriel, Catarina diz ter tido pouco tempo para se programar. Além disso, o fato de ter viajado aberta a viver diferentes experiências foi importante para que ela aprimorasse seu autoconhecimento. “Foi um período em que eu me descobri muito. Tive a oportunidade de desenvolver habilidades pessoais, repensar minhas relações familiares, de amizade e até educacionais”.
Quanto às dificuldades relacionadas à vivência no exterior, ela avalia que são muito pessoais. “Para mim, é você estar em um outro país, não falando a mesma língua. Isso exige muito de uma pessoa que não está acostumada com outros idiomas. Então, no começo, te esgota”, conta a estudante. Para ela, a dinâmica das relações sociais também acaba sendo um desafio. “Se você divide apartamento, tem que lidar com essa convivência exacerbada. Se mora sozinho, lida com a solidão. É difícil também estar longe da família, porque eu sou uma pessoa muito apegada à minha. Graças à tecnologia isso acabou sendo relativamente controlável”. Ela conta que chegou a ter covid enquanto estava na Espanha e que esse foi um momento especialmente delicado, em que sentiu muita falta do apoio dos familiares.
O clima foi outra questão com a qual Catarina teve que aprender a lidar: “O frio europeu era algo com que eu nunca tinha tido contato. Eu peguei temperaturas negativas e tinha que me vestir muito bem, com três camadas de roupa”.
Na Faculdade de Comunicação, em Navarra, a estudante cursou cinco matérias: Ilustração e Fotografia em Moda e Branded Content, ambas em espanhol, além de Espanhol B2.1 Comunicação e Cultura. As outras duas disciplinas eram em inglês: História do Cinema e O Negócio do Vinho e a Gastronomia do Nordeste da Espanha. Ela afirma não ter aproveitado as matérias, pois já havia cursado praticamente todas as optativas e obrigatórias.
Catarina fala sobre o contato com outros intercambistas e o privilégio de conhecer diferentes lugares no continente europeu. “Fiz amizades com pessoas de vários países, como Estados Unidos, Grécia, Coreia do Sul e Itália, e tive a oportunidade de viajar pela Europa. Existem companhias aéreas de baixo custo em que você consegue passagens de avião muito baratas, às vezes 10, 15 ou 20 euros para percorrer trechos internacionais”.
A estudante menciona o que considera essencial na hora de se planejar para um intercâmbio. “É importante ter uma tabela financeira para se organizar e saber o que está gastando. Alguns vistos estudantis exigem que você tenha um mínimo de renda comprovada para que possa se manter no país. Então, é preciso ficar atento às burocracias. Um pequeno detalhe pode acabar com o processo”. Para aproveitar ao máximo a experiência, ela aconselha viajar, estudar, conhecer pessoas novas e fazer uma verdadeira imersão na cultura local. “Se é da sua vontade fazer um intercâmbio, faça. Foi uma experiência de vida pra mim”.
Catarina possui um perfil no Instagram com fotos da viagem e dicas sobre intercâmbio. Se você tiver dúvidas ou quiser entrar em contato com a estudante, acompanhe-a na rede social: @lacatyxs.
Para abrir o formulário de inscrição em intercâmbio, acesse: https://forms.office.com/r/vy0BAzSCv0