É muito frequente a procura de assistência médica nos setores de emergência devido a mordeduras de animais. A condução de atendimento nesses casos deve ser do conhecimento do socorrista que, porventura, possam deparar-se com o quadro, em vista dos seguintes parâmetros:
- Potencial gravidade do acometimento
- Importância de um atendimento adequado em termos de prevenção da infecção secundária e demais agentes etiológicos, que possam ser transmissíveis por esta via.
As mordeduras são na grande parte causadas por cães, sendo estimado que 80% das ocorrências são pequenos ferimentos, não havendo necessidade de atendimento de urgência.
Em relação ao local do acometimento, os adultos apresentam lesões nas extremidades, principalmente mãos, já as crianças apresentam mais comumente lesões na face.
As feridas causadas por gatos (mordeduras e arranhões) infectam-se em mais de 50% das vezes; entretanto, as humanas são as que causam lesões mais graves e com maior ocorrência de infecção.
Nas mordeduras, os aeróbios variam em incidência de acordo com o animal causador da mordida e com os fatores do acidente, já os anaeróbios são isolados em até 76% dos casos, veja relação a seguir:
Dependendo do animal agressor haverá prevalência maior de determinados agentes, como pode ser visto no próximo quadro:
Existem outros microrganismos mais raramente encontrados nas mordeduras de animais, tais como: Afipia felis, Blastomyces dermatidis, Clostridium tetani, Franscicella tularensis, Leptospira spp., Spirilum minus, Sporotrichia spp., Streptobacillus spp. e Yersinia pestis.
Além do trauma físico causado pelas mordeduras, deve-se ter a preocupação com as doenças infecciosas, que podem ser transmitidas. Estas podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus dentre outros agentes biológicos, veja no próximo quadro:
Primeiros Socorros: Os primeiros socorros em vítimas de mordedura de animais devem ser feitos de acordo com o tempo decorrido após o acidente. Antes de oito horas a vítima apresenta lesões necessitando hemostasia, limpeza, atendimentos médicos e profilaxia. Após decorrido as oito horas normalmente surgem complicações infecciosas, além do tratamento já está se dando tardiamente e/ou inadequadamente, existem outros fatores que aumentam o risco e elevam a gravidade da ferida, independente do animal envolvido no acidente. Estes fatores estão relacionados a:
Vítima:
- Idade
- Estado imunológico
- Uso de corticoterapia
- Alcoolismo
- Diabetes mellitus
- Doenças vasculares
- Edema
Lesão:
- Localização
- Tipos de lesões
- Tratamento tardio
- Contaminação
- Presença de fraturas, equimoses, hematomas e tecidos desvitalizados
A ferida deve ser bem lavada com água e sabão, deixando-se que a água escorra por alguns minutos sobre o ferimento. O sabão deve ser totalmente removido após a lavagem, para que não neutralize os compostos de amônio quaternário a serem usados posteriormente pelo pessoal de atendimento especializado. Irrigar abundantemente com soro fisiológico a 0,9%. Imobilização do membro afetado com elevação do mesmo. A conduta correta nos casos de mordidas de animais é encaminhar a vítima para um serviço de saúde para receber a orientação específica.
Pois deve-se avaliar: a espécie animal envolvida, as circunstâncias da mordida, o status imunológico do animal e o histórico de zoonoses, principalmente raiva, na região.
Entre as vítimas que são socorridas nas primeiras oito horas, frequentemente não há risco de infecção, desde que o atendimento inicial seja adequado.