Primeiros Socorros em Queimaduras Térmicas: estes tipos de queimaduras são causados pela condução de calor através de líquidos, sólidos, gases quentes e do calor de chamas.
Podem ser extremamente dolorosas e nos casos de queimaduras de segundo grau profundas ou de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha destruído terminais nervosos da pele a dor aguda é substituída por insensibilidade.
A dor e a ansiedade podem evoluir para síncope. Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas, é frequente sobrevir o estado de choque, causado pela dor e/ou perda de líquidos, após algumas horas.
Em consequência disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a prevenção.
Nas queimaduras identificadas como sendo de primeiro grau, devese limitar à lavagem com água corrente, na temperatura ambiente, por um máximo de um minuto. Este tempo é necessário para o resfriamento local, para interromper a atuação do agente causador da lesão, aliviar a dor e para evitar o aprofundamento da queimadura. O resfriamento mais prolongado pode induzir hipotermia.
Não aplicar gelo no local, pois causa vasoconstrição e diminuição da irrigação sanguínea.
Se o acidentado sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que desejar beber, porém lentamente. Sendo possível, deve-se adicionar à água sal (uma colher, das de café, de sal para meio litro de água).
Se o acidentado estiver inconsciente não lhe dê água, pois pode ocasionar-lhe a morte.
Em todos os casos de queimaduras, mesmo as de primeiro grau, são convenientes ficar atento para a necessidade de manter o local lesado limpo e protegido contra infecções.
As queimaduras de segundo grau requerem outros tipos de cuidados para primeiros socorros. Além do procedimento imediato de lavagem do local lesado, proteger o mesmo com compressa de gaze ou pano limpo, umedecido, ou papel alumínio. Não furar as bolhas que venham a surgir no local. Não aplicar pomadas, cremes ou unguentos de qualquer tipo.
Especial menção deverá ser feita quanto a certos hábitos populares prejudiciais como: uso e aplicação de creme dentifrício, manteiga, margarina ou graxa de máquina. É preciso ficar bem claro que não se pode usar qualquer espécie de medicamento tópico (pomadas) nestes casos.
Para prevenir o estado de choque o acidentado deverá ser protegido por cobertor ou similar; colocado em local confortável, com as pernas elevadas cerca de 30 cm, em relação à cabeça. Tranquilizar o acidentado devido à existência de dor e sofrimento, já que a administração de drogas analgésicas é restrita a pessoa especializada.
Nada deve ser dado à vítima como medicamento. Remover jóias e vestes do acidentado para evitar constrição com o desenvolvimento de edema. Não retirar roupas ou partes de roupa que tenham grudado no corpo do acidentado, nem retirar corpos estranhos que tenham ficado na queimadura após a lavagem inicial.
Todas as manobras deverão ser executadas com calma e precisão. A identificação do estado ou iminência de choque poderá ser feita pela observação de ansiedade; inquietação, confusão, sonolência, pulso rápido, sudorese, oligúria e baixa pressão arterial.
Realizar normalmente o exame primário, priorizando a manutenção de vias aéreas, respiração e circulação.
O acidentado deverá ser encaminhado imediatamente para atendimento especializado. Não transportar o acidentado envolvido em panos úmidos ou molhados.
O atendimento de primeiros socorros para queimaduras de terceiro grau também consiste na lavagem do local lesado e na proteção da lesão.
Se for possível, proteger a área com papel alumínio. O papel alumínio separa efetivamente a lesão do meio externo; diminui a perda de calor; é moldável, não aderente e protege a queimadura contra microorganismos.
Todas as providências tomadas para prevenção do estado de choque, administração de líquidos e cuidados gerais com vítima são as mesmas aplicadas nos casos de queimaduras de segundo grau. As queimaduras de terceiro grau têm a mesma gravidade que queimaduras de segundo grau profundas.
O acidentado de queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em ambiente fechado, deve ficar em observação para verificação de sinais de lesão no trato respiratório. Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem aparecer algumas horas depois da ocorrência e representar oclusão dos brônquios e edema pulmonar. Pode haver expectoração fuliginosa com fragmentos de tecido.
Fogo no Vestuário: a combustão das roupas do acidentado agrava consideravelmente a severidade da lesão. Nestes casos:
- Não deixar o acidentado correr.
- Obrigá-lo a deitar-se no chão com o lado das chamas para cima.
- Abafar as chamas usando cobertor, tapete, toalha de mesa, de banho, casaco ou algo semelhante, ou faça-o rolar sobre si mesmo no chão.
- Começar pela cabeça e continuar em direção aos pés.
- Se houver água, molhar a roupa do acidentado.
- Não usar água se a roupa estiver com gasolina, óleo ou querosene.
OBS: É absolutamente contraindicado a aplicação sobre a queimadura de qualquer substância que não seja água na temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo. É absolutamente contraindicado a aplicação sobre a queimadura de qualquer substância que não seja água na temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo.
Primeiros Socorros em Queimaduras Químicas: Os ácidos ou álcalis fortes podem queimar qualquer área do organismo com a qual entrem em contato. Este contato é mais frequente com a pele, boca e olhos, afetando estes órgãos.
Substâncias químicas podem queimar rapidamente; não há tempo a perder, porém a pessoa que estiver atendendo o acidentado deverá, basicamente, saber que as tentativas de neutralização química da substância podem gerar reações com produção de calor e piora da lesão e que pode se contaminar ao fazer este atendimento.
A área de contato deve ser lavada imediatamente com água, até mesmo sem esperar para retirar a roupa. Continuar a lavar a área com água, enquanto a roupa é removida. A melhor lavagem é feita com o acidentado debaixo de um chuveiro. Pode também ser feita com uma mangueira, mas, neste caso, a força do jato d'água deve ser levada em consideração. O jato de água muito forte contra um tecido já lesado causará maior lesão. O fluxo de água deve ser abundante, mas não pode ser forte.
É impossível determinar exatamente por quanto tempo uma área queimada por substância química deve ser lavada com água. Em geral, a água deve correr por um período de tempo longo o suficiente para que possamos ter certeza de que toda a substância foi removida da pele.
Frequentemente, o acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou se a dor diminuiu na medida em que a substância é removida. O tempo mínimo de 15 minutos tem-se mostrado eficaz.
As lesões das queimaduras ocasionadas por agentes químicos aparecem quase que imediatamente após o acidente; há dor e visível destruição dos tecidos.
Os cuidados subsequentes às queimaduras produzidas por ácidos e álcalis são semelhantes: cobrir a queimadura com curativo esterilizado e transportar o acidentado imediatamente para atendimento especializado.
O diagnóstico de queimadura do trato respiratório por inalação de substâncias de combustão incompleta (potentes irritantes da mucosa respiratória) será feito através do histórico de exposição a vapores ou gases tóxicos, em acidentes em ambientes fechados ou não. Alguns gases provocam distúrbios sensoriais que só se manifestam algumas horas após o acidente. Presença de hiperemia (vermelhidão) da mucosa nasal e faríngea, rouquidão, dispnéia, tosse com expectoração sanguinolenta. A principal complicação deste tipo de queimadura é o risco de edema pulmonar até 72 horas após o acidente. Observa-se que somente a inalação de vapor destas substâncias causa lesão térmica direta no trato respiratório.
Cuidados especiais com os olhos: Os olhos devem receber tratamento especial.
Queimaduras dos olhos são mais comuns em acidentes com substâncias irritantes (ácidos, álcalis), água quente, vapor, cinzas quentes, pó explosivo, metal fundido ou chama direta.
As queimaduras químicas dos olhos são emergência prioritária, podendo haver lesão permanente resultante de uma pequena exposição destes tecidos a uma substância química. O olho deve ser lavado com água, conforme o prescrito para as outras áreas do corpo, usando-se o fluxo contínuo de uma torneira, ou, de preferência do próprio chuveiro lava-olhos existente em muitos laboratórios. A lavagem deve durar no mínimo 15 minutos. Podemos ser obrigados a manter a cabeça do acidentado sob a torneira e as pálpebras abertas durante este tratamento, porque geralmente o acidentado será incapaz de cooperar. Provavelmente ela sentirá muita dor e estará agitada.
O cuidado posterior para as queimaduras oculares deve incluir o fechamento delicado do olho com a pálpebra, colocação de um curativo macio e transporte do paciente, o mais rápido possível, para assistência especializada.
Primeiros Socorros em Queimadura por Sódio Metálico: O sódio metálico tem grande afinidade pelo oxigênio, fazendo com que ele reaja com o ar, na temperatura ambiente, formando óxidos ou hidróxidos.
A reação do sódio pode ter caráter explosivo, se entrar em contato com a água.
A queimadura por sódio exige pronta intervenção nos 2 a 3 minutos após o acidente. Se atingir 20% de área corporal, é considerada queimadura grave, com difícil recuperação. Se atingir 50% de área, é considerada gravíssima, geralmente levando à morte.
Ao atender uma pessoa vítima deste tipo de acidente, retirar os restos de sódio empregando pinças ou espátulas (de madeira ou plástico) completamente secas. A seguir, impregnar as regiões com substância oleosa (vaselina líquida) a fim de eliminar os últimos restos de sódio e limpar com água corrente abundante.
Queimaduras por Eletricidade: Estas queimaduras são produzidas pelo contato com eletricidade de alta ou baixa voltagem. Os principais danos à saúde do acidentado são os provocados pelo choque elétrico. Os danos resultam dos efeitos diretos da corrente e conversão da eletricidade em calor durante a passagem da eletricidade pelos tecidos, são difíceis de avaliar, pois dependem da profundidade da destruição celular, e mesmo as lesões que parecem superficiais podem ter danos profundos alcançando os ossos, necrosando tecidos, vasos sanguíneos e provocando hemorragias.
A severidade do trauma depende do tipo de corrente, magnitude da energia aplicada, resistência, duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A corrente de alta tensão geralmente causa os danos mais graves, porém lesões fatais podem ocorrer mesmo com as baixa voltagens das residências.
A pele é o fator mais importante na resistência à passagem da eletricidade, mas a umidade reduz muito esta resistência, podendo aumentar, em muito, a gravidade do choque.
A corrente alternada é mais perigosa que a corrente contínua de mesma intensidade. O contato com a corrente alternada pode causar contrações tetânicas da musculatura esquelética, que impedem que o acidentado se libere da fonte de eletricidade, e prolongam a duração da exposição à corrente. O fluxo de corrente transtorácico, mão a mão, tem maior risco de ser fatal que a passagem de corrente mão para pé ou pé a pé.
A complicação mais importante das queimaduras elétricas é a parada cardíaca. A lesão local nestas queimaduras raramente necessita de cuidado imediato, porém as paradas respiratórias e cardíaca sim. Geralmente a parada respiratória ocorre primeiro e, se não for tratada de imediato, é rapidamente seguida pela parada cardíaca.
As queimaduras elétricas podem ser mais graves do que aparentam na observação inicial. Em geral, a ferida é pequena, porém a corrente elétrica destrói caracteristicamente uma quantidade considerável de tecido abaixo do que parece ser uma ferida cutânea sem gravidade.
A parada cardiorrespiratória por fibrilação ventricular ou assistolia é a principal causa de óbito após a lesão elétrica. A fibrilação ventricular pode ocorrer como resultado direto do choque elétrico, principalmente a corrente alternada. A parada cardiorrespiratória causada por exposição à corrente contínua frequentemente é em assistolia.
A parada respiratória pode ser causada na passagem da corrente elétrica pelo cérebro causando inibição da função do centro respiratório, contração tetânica do diafragma e da musculatura torácica e paralisia prolongada dos músculos respiratórios.
Primeiros Socorros: A segurança da cena é prioridade. Não se torne também uma vítima.
Desligar a fonte de energia, antes de tocar no acidentado.
Não tente manipular alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo luvas de borracha. Qualquer substância pode se transformar em condutor.
É prioridade interromper o contato entre o acidentado e a fonte de eletricidade.
Cobrir o local da queimadura com um curativo seco esterilizado ou papel de alumínio e transporte o acidentado para atendimento especializado. Estas queimaduras da pele, frequentemente existem em duas áreas do corpo, nos sítios de entrada e saída, geradas pelo arco elétrico.
Procurar sempre uma segunda área queimada e tratá-la como se fez com a primeira. As roupas do acidentado podem incendiar-se e causar queimaduras de pele adicionais. A passagem da corrente através dos músculos pode causar violenta contração muscular com fraturas e luxações.
Pode haver lesão muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos como o fígado e baço é rara.
As queimaduras elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem, podem provocar parada cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias aéreas dos acidentados inconscientes com manobras manuais, instituindo a respiração artificial.
Solicitar imediatamente apoio se o acidentado estiver inconsciente.
Observar cuidados com a coluna cervical.
Queimaduras por Frio ou Geladuras: O frio também pode causar queimaduras e lesões nas partes do corpo expostas por muito tempo a baixas temperaturas ou umidade excessiva.
A exposição a temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo deste, ou mesmo ao frio extremo, ainda que por curto período de tempo, pode causar geladuras.
Podem ocorrer lesão tecidual local delimitada e resfriamento corporal generalizado, que pode causar morte (hipotermia).
Na improbabilidade de acidentes graves devido à exposição ao frio intenso em nosso país, é conveniente apenas lembrar alguns detalhes importantes:
- Lesões pelo frio dependem da temperatura, da umidade relativa do ar, da velocidade do vento.
- O uso de roupas adequadas para condições ambientais extremas deverá ser observado por todos que tenham que trabalhar sob estas circunstâncias. Os equipamentos de proteção individual, que servem para isolar o frio, podem causar dificuldades na movimentação, quer para segurar objetos, quer porque a visão fica prejudicada. As luvas e as botas, com a umidade, podem congelar as mãos e os pés. Isso pode levar a acidentes de trabalho, como quedas, quedas de materiais, congelamento das mãos e dos pés, desmaios, etc. Cremes e óleos protetores para nariz, lábios e face também são usados nestas condições.
Dependendo do tipo de exposição ao frio, podem ocorrer as seguintes lesões:
- úlceras
- pé-de-trincheira
- hipotermia sistêmica
- As lesões causadas pelo frio são extremamente dolorosas.
- Deve-se ficar atento para a insuficiência cardiorrespiratória em caso de hipotermia sistêmica.
- Há risco de infecção grave no descongelamento de uma área lesada.
- A hipotermia é uma gravíssima emergência médica. O atendimento médico especializado deverá ser prioritário.
Primeiros Socorros: no caso de congelamento dos pés ou das mãos:
- Levar o acidentado a um local aquecido, mantendo-o deitado.
- Tirar imediatamente os equipamentos de segurança.
- Aquecer as partes congeladas com água quente (não fervente) ou panos molhados com água quente, realizando massagens delicadas para ativar a circulação nas partes próximas do membro congelado (nunca massagear diretamente a parte congelada).
- Dar bebidas quentes, como chá ou café (nunca bebidas alcoólicas).
- Pedir o acidentado para movimentar os pés ou as mãos, para ajudar na recuperação da circulação.
No caso de desmaio em ambientes frios:
- Retirar imediatamente o acidentado do ambiente de trabalho.
- Retirar todos os equipamentos de segurança, incluindo a roupa (nunca deixar o acidentado com as mesmas roupas).
- Cobrir com um cobertor quente, ou dar um banho de água quente.
- Fornecer bebidas quentes, como chá ou café, se estiver consciente (nunca bebidas alcoólicas).
- Levar imediatamente ao atendimento especializado.
Lembre-se: os métodos de prestação de primeiros socorros começam a ser aplicados somente depois de termos realizado as manobras de suporte básico à vida, hemostasia, prevenção de choque e assistência a outras lesões que possam colocar em risco a vida do acidentado ou piorar seu estado clínico.
Queimaduras podem ser lesões extremamente dolorosas e com sérias consequências psicológicas, dependendo de sua localização, extensão e profundidade, seguem algumas dicas de como proceder:
- Não demonstrar apreensão. Atuar com calma, rapidez, segurança e bastante compreensão. A tranquilidade do acidentado é fundamental.
- Nunca romper as bolhas.
- Não retirar as roupas queimadas que estiverem aderidas à pele.
- Não submeter à ação da água, uma queimadura com bolhas rompidas.
- Separar a causa do acidentado ou o acidentado da causa.
- Cobrir cuidadosamente com um pano limpo as partes queimadas, pois estes ferimentos são vulneráveis à infecção.
- Tomar medidas apropriadas para prevenção do choque.
- Ajudar o acidentado a obter atendimento qualificado.