A Asfixia: pode ser definida como sendo parada respiratória, com o coração ainda funcionando.
É causado por certos tipos de traumatismos como aqueles que atingem a cabeça, a boca, o pescoço, o tórax; por fumaça no decurso de um incêndio; por afogamento; em soterramentos, dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade respiratória, levando à parada respiratória.
Nesse caso, a identificação da dificuldade respiratória pela respiração arquejante nas vitimas inconscientes, pela falta de ar de que se queixam os conscientes, ou ainda, pela cianose acentuada do rosto, dos lábios e das extremidades (dedos), servirá de guia para o socorro à vítima.
Se as funções respiratórias não forem restabelecidas dentro de 3 a 4 minutos,as atividades cerebrais cessarão totalmente, ocasionando a morte.O oxigênio é vital para o cérebro.
Principais Causas
a) Bloqueio da passagem de ar: Pode acontecer nos casos de afogamento, secreções e espasmos da laringe, estrangulamento, soterramento e bloqueio do ar causado por ossos, alimentos ou qualquer corpo estranho na garganta.
b) Insuficiência de oxigênio no ar: Pode ocorrer em altitudes onde o oxigênio é insuficiente, em compartimentos não ventilados, nos incêndios em compartimentos fechados e por contaminação do ar por gases tóxicos (principalmente emanações de motores, fumaça densa).
c) Impossibilidade do sangue em transportar oxigênio.
d) Paralisia do centro respiratório no cérebro: Pode ser causada por choque elétrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho respiratório, por ingestão de grande quantidade de álcool, ou de substâncias anestésicas, psicotrópicos e tranquilizantes.
e) Compressão do corpo: Pode ser causado por forte pressão externa (por exemplo, traumatismo torácico), nos músculos respiratórios.
OBS: O sinal mais importante dessa situação é a dilatação das pupilas.
Primeiros Socorros:
- A primeira conduta é favorecer a passagem do ar através da boca e das narinas
- Afastar a causa.
- Verificar se o acidentado está consciente
- Desapertar as roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço, peito e cintura.
- Retirar qualquer objeto da boca ou da garganta do acidentado, para abrir e manter desobstruída a passagem de ar.
- Para assegurar que o acidentado inconsciente continue respirando, coloque-a na posição lateral de segurança.
- Iniciar a respiração de socorro (conforme relatado a frente), tão logo tenha sido o acidentado colocado na posição correta. Lembrar que cada segundo é importante para a vida do acidentado.
- Repetir a respiração de socorro tantas vezes quanto necessário, até que o acidentado de entrada em local onde possa receber assistência adequada.
- Manter o acidentado aquecido, para prevenir o choque.
- Não dar líquidos enquanto o acidentado estiver inconsciente.
- Não deixar o acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer deitado, mesmo depois de ter recuperado a respiração.
- Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para beber, logo que volte a si.
- Continuar observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a respiração cesse novamente.
- Não deslocar o acidentado até que sua respiração volte ao normal.
- Remover o acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema necessidade.
- Solicitar socorro especializado mesmo que o acidentado esteja recuperado.
Ressuscitação cardiorrespiratória: A ressuscitação cardiorrespiratória (RCR) é um conjunto de medidas utilizadas no atendimento à vítima de parada cardiorrespiratória (PCR). O atendimento correto exige desde o início, na grande maioria dos casos, o emprego de técnicas adequadas para o suporte das funções respiratórias e circulatórias.
A RCR é uma técnica de grande emergência e muita utilidade.
Qualquer interferência ou suspensão da respiração espontânea constitui uma ameaça à vida. A aplicação imediata das medidas de RCR é uma das atividades que exige conhecimento e sua execução deve ser feita com calma e disposição. A probabilidade de execução da atividade de RCR é bem pequena, porém se a ocasião aparecer, ela pode representar a diferença entre a vida e a morte para o acidentado.
Podemos definir parada cardíaca como sendo a interrupção repentina da função de bombeamento cardíaco, que pode ser constatada pela falta de batimentos do acidentado (ao encostar o ouvido na região anterior do tórax do acidentado), pulso ausente (não se consegue palpar o pulso) e ainda quando houver dilatação das pupilas (menina dos olhos), e que, pode ser revertida com intervenção rápida, mas que causa morte se não for tratada.
Chamamos de parada respiratória o cessamento total da respiração, devido à falta de oxigênio e excesso de gás carbônico no sangue.
Principais Causas: A parada cardíaca e a parada respiratória podem ocorrer por diversos fatores, atuando de modo isolado ou associado. Em determinadas circunstâncias, não é possível estabelecer com segurança qual ou quais os agentes que as produziram. Podem ser divididas em dois grupos, e a importância desta classificação é que a conduta de quem está socorrendo varia de acordo com a causa.
Causas Primárias: A parada cardíaca se deve a um problema do próprio coração, causando uma arritmia cardíaca, geralmente a fibrilação ventricular. A causa principal é a isquemia cardíaca (chegada de quantidade insuficiente de sangue oxigenado ao coração).
São as principais causas de paradas cardíacas em adultos que não foram vítimas de traumatismos.
Causas Secundárias: A disfunção do coração é causada por problema respiratório ou por uma causa externa. São as principais causas de parada cardiorrespiratória em vítimas de traumatismos.
a) Oxigenação deficiente: obstrução de vias aéreas ou doenças pulmonares.
b) Transporte inadequado de oxigênio: hemorragia grave, estado de choque, intoxicação por monóxido de carbono.
c) Ação de fatores externos sobre o coração: drogas e descargas elétricas.
No ambiente de trabalho deve-se dedicar especial atenção a trabalhos com substâncias químicas, tais como o monóxido de carbono, defensivos agrícolas, especialmente os organofosforados, e trabalhos em eletricidade, embora o infarto do miocárdio ou um acidente grave possa ocorrer nas mais variadas situações, inclusive no trajeto residência-trabalho-residência, ou mesmo dormindo.
A rápida identificação da parada cardíaca e da parada respiratória é essencial para o salvamento de uma vida potencialmente em perigo. Uma parada respiratória não resolvida leva o acidentado à parada cardíaca devido a hipóxia (falta de ar) cerebral e do miocárdio.
Se o coração para primeiro, as complicações serão maiores, pois a chegada de oxigênio ao cérebro estará instantaneamente comprometida:
- os músculos respiratórios perdem rapidamente a eficiência funcional;
- ocorre imediata parada respiratória podendo ocorrer lesão cerebral irreversível e possivelmente ocorre a morte.
A ilustração a seguir dá uma noção da relação entre o lapso de tempo decorrido entre a identificação de parada cardiorrespiratória e a possibilidade de sobrevivência, com a instituição dos métodos de suporte básico de vida.
Probabilidade de recuperação:
Como identificar uma PCR (Parada Cardiorrespiratória): A parada cardiorrespiratória é o exemplo mais expressivo de uma emergência médica. Somente uma grande hemorragia externa e o edema agudo de pulmão devem merecer a primeira atenção antes da parada cardíaca. A identificação e os primeiros atendimentos devem ser iniciados dentro de um período de no máximo 4 minutos a partir da ocorrência, pois os centros vitais do sistema nervoso ainda continuam em atividade. A partir deste tempo, como já vimos, as possibilidades de recuperação tornam-se escassas. A eficácia da reanimação em caso de parada cardíaca está na dependência do tempo em que for iniciado o processo de reanimação, pois embora grande parte do organismo permaneça biologicamente vivo, durante algum tempo, em tais condições, modificações irreversíveis podem ocorrer no cérebro, em nível celular. Se a PCR for precedida de déficit de oxigenação, este tempo é ainda menor.
A ausência de circulação do sangue interrompe a oxigenação dos órgãos. Após alguns minutos, as células mais sensíveis começam a morrer.
Os órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio são o cérebro e o coração. A lesão cerebral irreversível ocorre geralmente após quatro a seis minutos (morte cerebral). Os acidentados submetidos a baixas temperaturas (hipotermia) podem suportar períodos mais longos sem oxigênio, pois o consumo de oxigênio pelo cérebro diminui.
No atendimento de primeiros socorros, durante a aproximação, devemos observar elementos como imobilidade, palidez e os seguintes sinais que identificarão efetivamente uma parada cardiorrespiratória, a fim de iniciarmos o processo de ressuscitação, do qual dependerá a reabilitação ou não do acidentado. Ao iniciar o atendimento devemos verificar o nível de consciência, tentando observar as respostas do acidentado aos estímulos verbais: "Você está bem?". Se o acidentado não responder, comunicar imediatamente ao atendimento especializado. Posicionar o acidentado em decúbito dorsal, sobre superfície plana e rígida.
Os seguintes elementos deverão ser observados para a determinação de PCR:
- Ausência de pulso numa grande artéria (por exemplo: carótida). Esta ausência representa o sinal mais importante de PCR e determinará o início imediato das manobras de ressuscitação cardiorrespiratória.
- Apnéia ou respiração arquejante. Na maioria dos casos a apnéia ocorre cerca de 30 segundos após a parada cardíaca; é, portanto, um sinal relativamente precoce, embora, em algumas situações, fracas respirações espontâneas, durante um minuto ou mais, continuem a ser observada após o início da PC. Nestes casos, é claro, o sinal não tem valor.
- Espasmo (contração súbita e violenta) da laringe.
- Cianose (coloração arroxeada da pele e lábios).
- Inconsciência. Toda vítima em PCR está inconsciente, mas várias outras emergências podem se associar à inconsciência. É um achado inespecífico, porém sensível, pois toda vítima em PCR está inconsciente.
OBS: A dilatação das pupilas, começam a se dilatar após 45 segundos de interrupção de fluxo de sangue para o cérebro. A midríase geralmente se completa depois de 1 minuto e 45 segundos de PC, mas se apresentar em outras situações. Deste modo, não utilizar a midríase para diagnóstico da PCR ou para definir que a vítima está com lesão cerebral irreversível. A persistência da midríase com a RCR é sinal de mau prognóstico. É um sinal bastante tardio e não se deve esperar por ele para início das manobras de RCR (Ressuscitação Cardiorrespiratória)
A - Abertura das vias aéreas
B - Ventilação artificial
C - Suporte circulatório
Verifique nas ilustrações a seguir, a sequência de suporte básico de vida em um adulto, para orientação do pessoal que fará os primeiros atendimentos emergenciais em casos de acidentes.
As Limitações da Ressuscitação cardiorrespiratória: A ressuscitação cardiorrespiratória não é capaz de evitar a lesão cerebral por períodos prolongados. Com o tempo (minutos) a circulação cerebral obtida com as compressões torácicas vai diminuindo progressivamente até se tornar ineficaz. Durante a ressuscitação cardiorrespiratória a pressão sistólica atinge de 60 a 80 mmHg, mas a pressão diastólica é muito baixa, diminuindo a perfusão de vários órgãos entre os quais o coração. As paradas por fibrilação ventricular só podem ser revertidas pela desfibrilação.
O suporte básico da vida sem desfibrilação não é capaz de manter a vida por períodos prolongados. A reversão da parada cardiorrespiratória na maioria dos casos também não é obtida, deste modo é necessário se solicitar apoio ao atendimento especializado com desfibrilação e recursos de suporte avançado.
Posicionamento para a Ressuscitação cardiorrespiratória
a) Do acidentado:
- Posicionar o acidentado em superfície plana e firme.
- Mantê-lo em decúbito dorsal, pois as manobras para permitir a abertura da via aérea e as manobras da respiração artificial são mais bem executadas nesta posição.
- A cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo sanguíneo cerebral.
- Caso o acidentado esteja sobre uma cama ou outra superfície macia ele deve ser colocado no chão ou então deve ser colocada uma tábua sob seu tronco.
- A técnica correta de posicionamento do acidentado deve ser obedecida utilizando-se as manobras de rolamento.
b) Da pessoa que esta socorrendo:
- Este deve ajoelhar-se ao lado do acidentado, de modo que seus ombros fiquem diretamente sobre o esterno do acidentado.