Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que devem ser compreendidos e conhecidos são:
- temperatura,
- pulso,
- respiração,
- pressão arterial.
Os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo.
A medição e avaliação da pressão arterial são excelentes fontes de indicação de vitalidade do organismo humano.
Este assunto não será tratado neste curso, pois a sua verificação exigirá conhecimento e instrumental especializado, o que dificulta a sua utilização ao nível de primeiros socorros.
Temperatura Corporal: A temperatura resulta do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a perda de calor pelo organismo. A temperatura é um importante indicador da atividade metabólica, já que o calor obtido nas reações metabólicas se propaga pelos tecidos e pelo sangue circulante.
A temperatura do corpo humano está sujeita a variações individuais e a flutuações devido a fatores fisiológicos como: exercícios, digestão, temperatura ambiente e estado emocional. A avaliação diária da temperatura de uma pessoa em perfeito estado de saúde nunca é maior que um grau Celsius, sendo mais baixa pela manhã e um pouco elevada no final da tarde. Existe pequena elevação de temperatura nas mulheres após a ovulação, no período menstrual e no primeiro trimestre da gravidez.
Nosso corpo tem uma temperatura média normal que varia de 35,9 a 37,2ºC. A avaliação da temperatura é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas emergências a temperatura muda muito.
O sistema termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor excessivo e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda de calor. Graças a isto, o homem é um ser homeotérmico que, ao contrário de outros animais, mantêm a temperatura do corpo constante a despeito de fatores externos.
Variação de Temperatura do Corpo (°C):
Sub-normal: 34 .. 36°C
Normal: 36 .. 37°C
Estado febril: 37 .. 38°C
Febre: 38 .. 39°C
Febre alta (pirexia): 39 .. 40°C
Febre muito alta (hiperpirexia): 40 .. 41°C
Perda de Calor: O corpo humano perde calor através de vários processos que podem ser classificados da seguinte maneira:
Eliminação - fezes, urina, saliva, respiração.
Evaporação - a evaporação pela pele (perda passiva) associada à eliminação permitirá a perda de calor em elevadas temperaturas.
Condução - é a troca de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que circula sob a pele maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação explica o avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre.
Verificação da Temperatura:
Oral ou bucal - Temperatura média normal varia de 36,2 a 37ºC. O termômetro deve ficar por cerca de três minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado.
Não se verifica a temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos (frios ou quentes) após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral.
Axilar - Temperatura média varia de 36 a 36,8ºC. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado sentado, semi-sentado (reclinado) ou deitado.
Não se verifica temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na axila ou fratura dos membros superiores.
Retal - Temperatura média varia de 36,4 a 37,ºC. O termômetro deverá ser lavado, seco e lubrificado com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em decúbito lateral, com a flexão de um membro inferior sobre o outro. Não se verifica a temperatura retal em vítimas que tenham tido intervenção cirúrgica no reto, com abscesso retal ou perineorrafia.
A verificação da temperatura retal é a mais precisa, pois é a que menos sofre influência de fatores externos.
Importante: O acidentado com febre, muito alta e prolongada, pode ter lesão cerebral irreversível. A temperatura corporal abaixo do normal pode acontecer após depressão de função circulatória ou choque.
A Febre:
A febre é a elevação da temperatura do corpo acima da média normal. Ela ocorre quando a produção de calor do corpo excede a perda. Tumores, infecções, acidentes vasculares ou traumatismos podem afetar diretamente o hipotálamo e com isso perturbar o mecanismo de regulagem de calor do corpo. Portanto, a febre deve ser vista também como um sinal que o organismo emite. Um sinal de defesa.
Devemos lembrar que pessoas imunodeprimidas podem ter infecções graves e não apresentarem febre.
A vítima de febre apresenta a seguinte sintomatologia:
- inapetência (perda de apetite)
- mal estar
- pulso rápido
- sudorese
- temperatura acima de 40 graus Celsius
- respiração rápida
- hiperemia da pele
- calafrios
- cefaléia (dor de cabeça)
Primeiros Socorros para Febre: Aplicar compressas úmidas na testa, cabeça, pescoço, axilas e virilhas (que são as áreas por onde passam os grandes vasos sanguíneos).
Quando o acidentado for um adulto, submetê-la a um banho frio ou cobri-la com coberta fria. Podem ser usadas compressas frias aplicadas sobre grandes estruturas vasculares superficiais quando a temperatura corporal está muito elevada.
O tratamento básico da febre deve ser dirigido para as suas causas, mas em primeiros socorros isto não é possível, pois o leigo deverá preocupar-se em atender os sintomas de febre e suas complicações. Drogas antipiréticas como aspirina, dipirona e acetaminofen são muito eficientes na redução da febre que ocorre devido a afecções no centro termorregulador do hipotálamo, porém só devem ser usadas após o diagnóstico.
Devemos salientar que os primeiros socorros em casos febris só devem ser feitos em temperaturas muito altas (acima de 40ºC), por dois motivos já vistos:
- a febre é defesa orgânica (é o organismo se defendendo de alguma causa) e
- o tratamento da febre deve ser de suas causas.
Pulso: O pulso é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre o sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com regularidade, segundo as batidas do coração.
Existe uma relação direta entre a temperatura do corpo e a freqüência do pulso. Em geral, exceto em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento no número de pulsações por minuto (cerca de 10 pulsações).
O pulso pode ser apresentado variando de acordo com sua frequência, regularidade, tensão e volume.
a) Regularidade (alteração de ritmo): Pulso rítmico: normal / Pulso arrítmico: anormal
b) Tensão
c) Frequência - Existe uma variação média de acordo com a idade como pode ser visto no a seguir:
60-100 batimentos por minuto (bpm) = adultos
80-140 bpm = Crianças
85-190 bpm = Recém-nascidos
d) Volume - Pulso cheio: normal / Pulso filiforme (fraco): anormal
A alteração na frequência do pulso denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo. As causas fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso são: digestão, exercícios físicos, banho frio, estado de excitação emocional e qualquer estado de reatividade do organismo.
No desmaio / síncope as pulsações diminuem. Através do pulso ou das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e o funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-se sentir o pulso com facilidade:
- procurar acomodar o braço do acidentado em posição relaxada;
- usar o dedo indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida para sentir o pulso, fazendo uma leve pressão sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar mais facilmente o pulso de uma pessoa;
- não usar o polegar para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações;
- contar no relógio as pulsações num período de 60 segundos. Neste período deve-se procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a frequência do pulso.
Existem no corpo vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea.
Importante não fazer pressão forte sobre a artéria, pois isto pode impedir que se percebam os batimentos.
O pulso radial pode ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a figura abaixo.
Pulso radial e carotídeo: O pulso carotídeo é o pulso sentido na artéria carótida que se localiza de cada lado do pescoço. Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para não comprimir a artéria e impedir a percepção do pulso.
Do ponto de vista prático, a artéria radial e carótida são mais fáceis para a localização do pulso, mas há outros pontos que não devem ser descartados. Conforme a figura a seguir: