Acredito que seja impossível dissociar a prática musical a performance, sobretudo se considerarmos a evolução tecnológica e a ampliação do espaço social para o ambiente digital. Sei que pode soar exagerado imaginar que todo estudo ou prática musical envolva performance, porém se entendermos este termo de forma mais ampla, até mesmo a execução de uma obra musical, ao final de uma aula, pode ser considerada como performance.
A performance musical muitas vezes é o objetivo principal de uma aula ou curso de música. Muitos alunos procuram aperfeiçoamento, justamente, para se apresentarem, ainda que seja para uma pequena audiência de amigos e/ou familiares. Ao conversar com os alunos do projeto “Toque e se Toque”, às vésperas da apresentação de 17 de junho, muitos demonstravam apreensão, principalmente os que nunca haviam se apresentado. Além do nervosismo natural, que envolve uma apresentação, os nervos estavam ainda mais aflorados por considerarem que as cobranças seriam ainda maiores que nos ensaios por se tratar de uma ocasião mais séria, a “conclusão” do trabalho.
Os alunos mais antigos não compartilhavam do mesmo nervosismo, justamente por já terem vivenciado a situação e por saberem que, de forma geral, os músicos e professores não cobram da mesma forma o perfeccionismo dos ensaios. Cobrança e pressão exacerbados, em dia de apresentação, só aumentam o clima de tensão o que tende a piorar o nervosismo e prejudicar a performance. Em diversos momentos, os alunos mais antigos buscaram passar tranquilidade para os mais novos, algo que me chamou atenção, uma vez que eles se encontravam nessa situação do nervosismo da primeira performance há alguns meses.
No momento da apresentação, o foco de professores e alunos é entregar um bom espetáculo ao público. Obviamente, ainda há o caráter pedagógico, porém o objetivo principal é apresentar ao público o resultado das horas de estudo e repetição dos mesmos solos e acordes. Foi possível observar a satisfação no olhar de todos os alunos ao tocarem um solo por mais simples que seja, ainda que fora sua única participação em todo o show.
Após conversar com alguns alunos, depois da apresentação, os relatos dos alunos mais novos sobre como seria se apresentar foi completamente diferente. Eles compreenderam as palavras dos alunos mais antigos, que tentavam acalmá-los no início do dia. Particularmente, foi a performance que fez com que eu me apaixonasse pela música, então eu estava empenhado em que os alunos curtissem e aproveitassem o momento. A música foi feita para ser compartilhada e ser vivida em comunidade e a performance é o auge dessa comunhão.