Alometria

Instituição Responsável:

Universidade Regional de Blumenau (FURB)

Coordenador:

Prof. Dr. Alexander Christian Vibrans

Objetivo:

Desenvolver ajustes de modelos matemáticos de volume e biomassa à realidade das florestas do estado, utilizando de métodos destrutivos, a fim de subsidiar estudos científicos e ações de manejo florestal em Santa Catarina.

Ações de manejo em florestas secundárias podem aliar-se à conservação, entretanto, informações técnicas que as suportam ainda são insuficientes.

Desde de 2014 o IFFSC realiza a coleta de dados para estudos alométricos no município de Guaramirim-SC, em uma área submetida à manejo madeireiro autorizado via termo de cooperação técnico-científico entre a Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina (FATMA) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com iniciativa do Professor Dr. Alfredo Celso Fantini.

Volume

Desenvolvemos estudos com modelos matemáticos para conhecer o volume do fuste (tronco) e o volume total de um conjunto de espécies de árvores e também especificando-se em duas espécies de importância madeireira - Licurana (Hieronyma alchorneoides) e Jacatirão (Miconia cinnamomifolia).

O desenvolvimento da modelagem necessitou de uma boa base de dados adquirida em campo por meio de cubagem rigorosa e seguiu diferentes etapas de processamento:

(i) ajustar, selecionar e validar modelos genéricos e específicos para volume do fuste e volume total por meio de procedimentos matemáticos;

(ii) comparar o desempenho dos modelos genéricos e específicos para estimar o volume de árvores das espécies escolhidas (Jacatirão e Licurana);

(iii) investigar as relações dendrométricas em modelos volumétricos;

(iv) fornecer fatores de casca.

Os resultados serão publicados, em breve, na Revista Ciência e Agrotecnologia. Em resumo: Apesar dos modelos utilizando como variáveis independentes o diâmetro (DAP - diâmetro a altura do peito) e altura (H) apresentarem melhor desempenho do que modelos utilizando somente DAP, é fato que modelos que empregam somente DAP são válidos diante das dificuldades e incertezas nas medições de altura nas florestas tropicais e sub-tropicais. Modelos específicos apresentaram melhor desempenho para a espécie M. cinnamomifolia, embora os eventuais esforços empenhados na coleta de dados para a construção de modelos específicos podem não ser justificados pelo sutil aumento no desempenho do modelo. Os fatores médios de casca desenvolvidos podem ser empregados satisfatoriamente para a obtenção de estimativas de volume médio sem casca.

Biomassa

A biomassa é um termo utilizado para descrever todo material biológico, tanto de origem animal como vegetal. Todavia, a nós do IFFSC é a biomassa vegetal a variável de interesse e a qual temos estudado de forma mais aprofundada.

A biomassa vegetal tem grande importância para o homem, pois as plantas capturam e armazenam o carbono que é liberado por processos biológicos naturais (por exemplo: respiração, processos de decomposição, etc) e por atividades humanas (principalmente através da queima de combustíveis fósseis; a citar: gasolina, diesel, carvão mineral, etc). O carbono liberado nestes processos apresenta-se na forma de CO2 (dióxido de carbono) e tem se tornado um problema para o homem e demais seres vivos, devido o aumento de sua concentração na atmosfera. A elevação dos níveis de CO2 na atmosfera reforça o efeito estufa, que vem influenciando o aumento da temperatura da Terra e consequentemente modificando uma série de eventos naturais (regime das chuvas, por exemplo).

A redução do estoque total de biomassa nas florestas brasileiras é fato, mas por outro lado tem-se o potencial de aumento do estoque via a regeneração das florestas secundárias, que apesar de conter estoques substancialmente menores de carbono que as florestas primárias, possuem maior capacidade de incremento.

Observando isto e tendo conhecimento sobre a falta de informações precisas de biomassa nos ecossistemas florestais, mais especificamente na Floresta Atlântica, o IFFSC iniciou em 2014 um projeto com o objetivo de quantificar destrutivamente a biomassa aérea de espécies arbóreas e arbustivas em um trecho de Floresta Ombrófila Densa gerando dados que posteriormente irão abastecer modelos matemáticos que serão ajustados relacionando o DAP (diâmetro a altura do peito), a altura total e a densidade da madeira com a biomassa das árvores permitindo ao fim realizar estimativas da biomassa estocada nas florestas catarinenses e consequentemente o carbono retido.