Giuliana Nicolino de Castro Lima, nasceu na cidade de Londrina, estado do Paraná no dia 20 de setembro de 1979 tendo atualmente 39 anos. Sua infância foi saudável e com muitas brincadeiras. Nos anos 1980, ser criança era brincar na rua, com os amigos e amigas, assistir os programas infantis na televisão, ir as festinhas de aniversário nas casas dos parentes e amigos da família, enfim, era diversão na certa. Giuliana, como uma criança que viveu na década de 1980, teve todas essas experiencias que a criançada tinha e que lhe deixaram saudades.
Giuliana sempre se dedicou aos estudos desde que entrou na escola. A família dela estimulava que os filhos estudassem e buscassem uma profissão. Quando adolescente, ela estudando no Segundo Grau – (Ensino Médio atualmente) ficou em dúvida sobre a profissão que seguiria: pensou em ser jornalista ou advogada. Na dúvida, optou por fazer o curso de Direito porque seu pai, que era advogado e um exemplo para ela, lhe havia habituado desde cedo ao mundo jurídico. Para fazer o curso ela foi para cidade de Maringá, vizinha a Londrina e se tornou advogada no ano de 2002. Sobre ter estudado Direito, Giuliana não se arrependeu por ter escolhido a área porque gosta muito dos resultados que seus estudos lhe proporcionaram além de achar que escolheu a carreira certa: se sente em casa com o que faz.
No ano de 2003, Giuliana chegou a Roraima atraída pelos concursos públicos que naquele ano estavam a todo vapor no Estado. Ela fez o concurso para Delegada de Polícia e foi aprovada: na época ela tinha 23 anos de idade. Analisando a área do Direito, Giuliana diz que, esse conhecimento, se bem utilizado, pode fazer o bem para as pessoas porque as leis são para proteção das pessoas contribuindo para que injustiças não sejam cometidas como também punir aqueles que atentam contra a vida ou contra o outro. No entanto, ela reconhece que, infelizmente, muitas leis não são conhecidas pela população e outras, não são cumpridas como deveriam ser. Giuliana cita como exemplo, a lei Maria da Penha que, segundo ela, traz uma série de medidas a serem tomadas pelos órgãos de proteção a pessoa – no caso a mulher- os quais fazem parte do Estado mas, que, não são colocadas em prática pelo poder público. Para ela, a existência da lei é para resolver conflitos assim como evita-los porque, de um pequeno conflito, pode resultar até casos graves de atentado contra a vida.
Giuliana sabe que as mulheres são vítimas de violências cotidianamente, mas, gosta de lembrar das conquistas que elas vêm protagonizando no presente e que, ainda vão conseguir no futuro. Para ela, o fato das mulheres hoje, terem o poder de escolher seu destino, sua profissão, seus sonhos, é uma grande conquista porque a algumas décadas passadas, não muito distantes da época atual, à mulher estava destinado o trabalho doméstico e a maternidade sendo que, se ela não seguisse o roteiro, seria estigmatizada socialmente. Giuliana vê um avanço e tanto no fato de a mulher de hoje poder escolher o futuro, sua profissão, se quer ser apenas trabalhar em casa ou ficar solteira, ser astronauta, enfim, se a mulher pode escolher o que quer ser então, isso é ser livre. Para Giuliana, o fato de hoje a mulher ter possibilidade de escolher a vida que quer ter é resultado das lutas que as mulheres empreenderam ao longo do tempo assim como as transformações sociais que ocorreram no mundo.
Em Roraima, Giuliana Castro atuou na Delegacia da Mulher e foi ela que implantou o núcleo de proteção à criança e adolescente que na época não existia em lugar algum do estado. Esse núcleo foi criado para tratar exclusivamente dos casos envolvendo menores vitimas de abusos sexuais e violência doméstica. A delegada destaca que ela não quis esperar o poder público tomar a iniciativa de criar uma lei para implantar algo assim: ela implantou na própria Delegacia da Mulher. A iniciativa deu tão certo que o núcleo continuou funcionando nos mesmos moldes de quando foi criado e até hoje faz parte da Delegacia da Mulher.
Com a melhoria na atuação da Delegacia onde Giuliana trabalhava, agora envolvendo os crimes cometidos contra menores, houve um aumento das denúncias tanto das mulheres vitimas de violência quanto da violência cometida contra menores. Ela observa que o fato de aumentarem as denúncias de práticas de violência não significou que essa violência tenha passado a ser praticada após a criação do atendimento exclusivo, mas, sim, que as vitimas se sentiram seguras para procurarem a lei e a delegacia no intuito de obter ajuda.
Giuliana, no ano de 2015, foi indicada e convidada a ser Secretária da Segurança Pública em Roraima. Ela considera que foi uma quebra de paradigma ela ser secretária de segurança porque o posto, majoritariamente, é ocupado por homens. Na época em que era secretária, havia apenas ela e outra mulher como secretárias da segurança em todo Brasil. Tal fato mostra o pioneirismo de se ter uma mulher atuando na área de segurança. Giuliana atualmente atua como Delegada Geral do estado de RR. Estando nessa função, em 2018, ela era a única mulher em todo Brasil sendo Delegada Geral (posteriormente, em outro estado do Brasil, uma mulher também assumiu a função).
A área de segurança, tradicionalmente é ocupada pelos homens, porém, segundo Giuliana, mulheres estão cada vez mais adentrando essa área e trabalhando com a mesma capacidade que os colegas homens desde que, sejam dadas as mesmas oportunidades e condições para que elas possam concorrer as vagas existentes. A Delegada destaca que, na Policia Civil, são dadas condições igualitárias a homens e mulheres que desejem adentrar nas funções: não há limites de vagas nos concursos para uns e outros e, quem estudar mais e se qualificar, entra o que não ocorre na Policia Militar, pois, existe diferenciação de vagas entre homens e mulheres. Giuliana é defensora da ideia de que a mulher não quer prevalecer sobre o homem ou seja, ser melhor. Na verdade, o que as mulheres desejam é direitos iguais e tratamento adequado seja em família ou no trabalho. Ela sabe que biologicamente mulheres e homens são diferentes, mas, como sujeitos de direitos, devem ser tratados de forma igual com as mesmas oportunidades: nenhum é superior ao outro apenas porque nasceu homem ou mulher.
Giuliana já sofreu ameaças por conta de sua atuação como Delegada assim como xingamentos relacionados ao fato de ser mulher e ocupar cargos de destaque. Porem, ela não se intimidou e conseguiu superar as criticas e ameaças buscando sempre fazer o trabalho de forma correta. Ela trabalha muito para que aquilo que faz possa contribuir para melhorar a vida das pessoas, que elas se sintam seguras e que seu trabalho tenha resultados. Ela ama a sua profissão.
Tendo 03 filhos pequenos, Giuliana tenta se equilibrar entre seu trabalho profissional, doméstico como também a maternidade. Ela é casada e ressalta que na casa dela o serviço é partilhado. Ela também conta com profissionais que trabalham em sua residência pois, o marido também é da área da segurança e tem horários parecidos com os dela. Na sua casa, a parceria é o que predomina assim como o respeito e o cuidado com os filhos, porém, ela não se cobra porque considera que não poderá fazer tudo perfeito. Em tudo isso, Giuliana vê sua mãe e sua avó como mulheres fundamentais na sua vida e na educação, exemplos de garra e superação das dificuldades: sua avó, por exemplo, sem escolaridade por falta de oportunidade quando criança e adolescente, atualmente usa aplicativos de mensagem mostrando que pode aprender mesmo já sendo idosa.
Em Roraima, Giuliana tem observado que as mulheres ocupam muitas funções e muitas profissões que em outros estados do Brasil são predominantemente ocupadas pelos homens. Ela considera que isso é altamente positivo para o estado que oportuniza as mulheres estarem em cargos importantes, nos espaços de poder. Roraima está na vanguarda de oferecer as mulheres a oportunidade de mostrarem seus valores e suas capacidades. Em todas as áreas, Roraima se destaca por oferecer as mulheres o empoderamento profissional além da possibilidade de estarem onde quiserem estar.
Escrito por Renato Lima e Rakkiney Costa em novembro/2018
Orientadora: Rutemara Florencio