Dalva Gomes Rodrigues Silva, nasceu no dia 11 de outubro de 1971, no estado de Mato grosso, Bairro dos Garças. Como ela foi a primeira filha, a primeira neta e a primeira sobrinha, foi uma criança muito amada e esperada por toda família. Seus pais tiveram mais seis filhos: quatro mulheres e dois homens e a sua infância ao lado deles foi no interior de Mato Grosso. Dalva cresceu em meio à um bananal enorme, plantações de mandioca e frutas, criação de gado, banhos em igarapés, enfim, seu crescimento foi saudável e feliz no meio rural mato-grossense.
Ao completar sete anos, em 1978, os pais da menina Dalva se mudaram para a cidade Nova Chamativa com a finalidade de colocar os filhos na escola. Assim, Dalva iniciou os estudos primários na escola Ministro João Alberto, onde conheceu a sua primeira professora, Belinha. Essa professora foi uma pessoa fantástica e inesquecível em sua vida pois a mesma foi quem ensinou Dalva a ler e escrever tendo toda a paciência do mundo. Até hoje, toda vez que Dalva vai para Mato Grosso, procura saber sobre os seus professores porque eles marcaram uma etapa muito importante de sua vida auxiliando na formação da mulher que ela se tornou. A época escolar foi tão marcante para Dalva que, nas brincadeiras de escolinha junto as primas, ela era sempre a professora.
A década de 1980, foi uma década marcante para a vida de Dalva e sua família pois, ao mesmo tempo em que foi a época em que a menina começou a estudar foi também nesse período que toda família se mudou para Roraima em outubro de 1985. É importante lembrar que nos anos 1980, Roraima experimentou uma grande migração de pessoas de outros estados vindas, principalmente, por causa do garimpo que havia no local. O garimpo atraiu milhares de pessoas e outras tantas também vieram em busca de melhores condições de trabalho e renda estimulados pela intensa atividade econômica.
Se Dalva chegou a Boa Vista em 1985, ela fez o final do antigo ensino primário já na cidade. O segundo grau (que hoje é o Ensino Médio) ela fez integrado ao Magistério e então, formou-se professora ao terminar. Dalva planejou fazer o magistério, mas a faculdade de História não foi planejada e essa faculdade tem história. Foi no ano de 1995 que, no Amazonas, ela se inscreveu para fazer o vestibular de História, pois era o menos concorrido. Sobre esse curso ela conta um fato interessante relacionado a época que estava 1ª ano do segundo grau, ano esse em que reprovou nas disciplinas de História, Física e Matemática. Sobre a reprovação ela diz que tudo aconteceu porque ela era atleta e se dedicava muito aos esportes de Handebol e Voleibol. Assim, ela acabava estudando pouco e terminou ficando pra exame final nessas três matérias. No período de recuperação, ela pensou consigo mesma assim: " Ah! História é muito fácil, então vou me dedicar a estudar só Física e Matemática". No fim das contas ela passou nas duas matérias que havia estudado e reprovou em História. Sua mãe ficou muito chateada com sua reprovação e decidiu colocá-la em um colégio interno no Amazonas (Colégio Adventista) como castigo por ela ter reprovado. Ela acabou terminando o segundo grau e fazendo o vestibular para História, passou. Fazendo o curso, ela se apaixonou pela area e hoje é professora de História no Estado de Roraima e também é especialista em Gestão e Psicopedagogia. Relembrando os velhos tempos, Dalva diz que os melhores anos de sua vida foi quando estudou no colégio interno, pois foi lá que conheceu a Igreja Adventista, na qual faz parte até hoje e tem uma intensa atuação ministerial.
Dalva é casada com Tedy Francisco da Silva Filho e tem três filhas: Rebeca, de 21 anos; Sara, de 18 anos e Ester, de 15 anos. Segundo ela, o marido sempre foi parceiro em sua vida dividindo as tarefas domésticas, os cuidados com as filhas desde que nasceram e ajudando no crescimento pessoal dela porque ele reconhece o papel da mulher que tem muitos afazeres, jornadas triplas de trabalho e sua atuação é para amenizar a correria diária que envolve a vida em comum da família.
Além de ser professora estadual, Dalva é a responsável pela instituição ADRA – Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais – que atua em 130 países ajudando as pessoas em situação de risco fornecendo água potável, materiais de higiene e limpeza como também promovendo ações de saneamento básico e saúde comunitária. Os projetos que essa instituição desenvolve estão presentes em várias regiões do Brasil e possibilitam atender a milhares de pessoas na redução da fome e melhor nutrição, geração de emprego e renda, promoção social e garantia de direitos e igualdade entre homens e mulheres, entre outras questões.
Sendo representante e gerente da ADRA em Roraima, Dalva tem trabalhado diretamente no atendimento aos migrantes venezuelanos que chegam aos milhares no estado. Através do trabalho da agência, são distribuídos aos migrantes kits de higiene pessoal assim como comida e outras doações coletadas junto à comunidade local.
Ao ver as pessoas venezuelanas chegando em Boa Vista, sem terem onde ficar, Dalva se viu em frente à um desafio, então, ela passou a mobilizar várias outras pessoas para ajudar a esses migrantes. Começaram distribuindo sopa no Tancredão, que foi o primeiro abrigo para venezuelanos que viviam nas ruas. Em 2017, mais abrigos foram organizados e hoje são onze em Boa Vista e dois em Pacaraima onde os voluntários continuam com o trabalho de entrega de doações aos flagelados.
Dalva considera que doar amor, atitudes e produtos necessários a manutenção de seres humanos em situação de risco e de flagelo é um trabalho fantástico que tem mudado a sua vida, pois se preocupando com o próximo, longe de ser apenas um discurso mas sim um comportamento, percebeu que sua função como ser humano é, também, ajudar pessoas. Ela considera que os voluntários que trabalham junto com ela formam uma grande equipe e deixam de lado lazer e outros afazeres para doar seu talento, gasolina, dinheiro e amor indo todos juntos aos abrigos para fazer a distribuição de produtos para as pessoas que não tem nada a não ser aquilo que vão receber de desconhecidos.
Na visão de Dalva, ajudar as pessoas a melhorarem suas vidas é uma oportunidade para ela exercitar os ensinamentos de Cristo e ela considera que não é por ser protestante cristã que ela o faz, mas sim porque amar o próximo é servir a ele, estender a mão e fazer o que Jesus faria com alegria no coração.
Sempre com a parceria do marido Tedy, Dalva conseguiu trabalhar e cuidar de suas filhas, que hoje são maiores de idade e estudam fora do estado em faculdades e colégios internos adventistas. Ela sempre ensinou suas filhas a servir e, sempre que as jovens estão em Roraima participam no ADRA nas atividades sociais. Essa educação em servir que Dalva deu e continua dando as filhas, ela considera essencial no desenvolvimento da humanidade de cada uma delas porque possibilita que vejam o outro e desenvolvam a empatia ao se porem no lugar daqueles que sofrem.
Dalva é descendente de índios guaranis e quando criança sofreu bullying por causa de sua aparência, pois seus lábios eram carnudos e seus cabelos, encaracolados. Apesar do apelido que recebeu de outras crianças na época “nega beiçola” ela não ficou traumatizada e sempre amou sua aparência e sua origem. Quando adulta, conquistou seu espaço social e profissional a partir do trabalho árduo e continuo e não lembra de ter sofrido rejeição ou discriminação por ser mulher já que, seus sonhos sempre foram o foco de sua vida e ela se fez respeitar nos ambientes em que viveu e ainda vive.
Para finalizar, a mensagem que Dalva deixa é endereçada para todas as mulheres: "Não desistam de seus sonhos, busquem alcança-los da maneira mais honesta possível, dedicando seu tempo não só para sua vida pessoal, mas para sua família também. Nenhum sucesso na vida vai ser explicado pelo fracasso da sua família. Deus em primeiro lugar, depois sua família e por fim seu trabalho. A mulher tem a virtude de conseguir gerenciar a sua família e a sua vida profissional pois pode fazer várias coisas ao mesmo tempo. Ao educar os filhos, nós mulheres devemos saber o que eles devem ser tornar através dos exemplos dos pais: a honestidade, o trabalho, a seriedade... Não deixem os filhos de fora de suas vidas: agreguem os filhos as suas atividades, sempre que possível levem juntos, pois mais na frente eles darão continuidade à sua herança.”
Escrito por: Kiese Bela Alexandre da Silva e Emanuela Silva Alencar em 28/11/2018
Orientadora: Rutemara Florêncio