NOVA IGUAÇU
NOVA IGUAÇU
Nova Iguaçu tem uma história profundamente marcada pela citricultura, e os anos 1940 representam tanto o auge quanto o declínio desse ciclo econômico extraordinário.
No início do século XX, Nova Iguaçu se tornou a maior produtora de laranjas do Brasil e uma das maiores do mundo. O município ficou tão identificado com o produto que chegou a ser chamada de "Cidade Perfumada" — uma referência ao aroma das laranjeiras em flor que impregnava toda a região da Baixada Fluminense.
Na década de 1940, os laranjais dominavam a paisagem do município, que então compreendia um território vasto, englobando o que hoje são vários municípios da Baixada Fluminense. A produção era escoada principalmente pela Estrada de Ferro Central do Brasil, que ligava Nova Iguaçu ao porto do Rio de Janeiro, de onde as frutas eram exportadas sobretudo para a Argentina, o Uruguai e países europeus.
O ciclo da laranja criou uma estrutura social particular. Grandes proprietários rurais controlavam extensas fazendas, enquanto trabalhadores volantes e colonos — muitos deles imigrantes japoneses e seus descendentes, que tiveram papel fundamental na citricultura local — formavam a base da mão de obra. O comércio urbano girava em torno das necessidades das fazendas, e a riqueza gerada pela laranja financiou boa parte da infraestrutura do município.
A década de 1940, porém, é também marcada pelo início do fim do ciclo. Vários fatores combinados aceleraram a decadência da citricultura iguaçuana:
A Segunda Guerra Mundial (1939–1945) fechou os mercados europeus e dificultou o escoamento da produção para o exterior, golpeando duramente as exportações. Ao mesmo tempo, pragas como a tristeza dos citros, um vírus devastador que se alastrou pelos laranjais brasileiros na década de 1940, destruiu uma parcela enorme da produção, sem que os produtores tivessem condições técnicas ou financeiras de recuperar seus pomares.
A especulação imobiliária também entrou em cena. Com a expansão do Rio de Janeiro e a melhoria das ligações ferroviárias e rodoviárias, as terras de Nova Iguaçu passaram a ser mais valorizadas como lotes urbanos do que como áreas agrícolas. Muitos fazendeiros optaram por lotear suas propriedades, o que acelerou a urbanização desordenada da região e o fim dos laranjais.
O declínio do ciclo da laranja nos anos 1940 abriu caminho para uma transformação radical de Nova Iguaçu. A cidade que havia sido um polo agrícola exportador começou a se converter em cidade-dormitório para trabalhadores do Rio de Janeiro, processo que se intensificou nas décadas seguintes com a industrialização e o crescimento das periferias metropolitanas.
O legado do ciclo da laranja ainda pode ser encontrado em elementos simbólicos do município — como o brasão de Nova Iguaçu, que traz a laranjeira como símbolo —, e na memória afetiva de gerações que viveram aquele período de prosperidade perfumada.