Dramatização Histórica, pelos alunos do 5ºA da Escola EB 2,3, do Bairro Padre Cruz, 25 de Maio de 2009. Elaborada e dinamizada pelos professores Fernando Oliveira e Ângela Lemos, com os alunos do 5º/A no âmbito da área curricular de Área de Projecto.
PERSONAGENS:
Brites: Tatiana, nº21 / Joane: Rui, nº19 / Rainha Velha D. Leonor : Bruna, nº3 / Rei D. Manuel I: Guilherme, nº12 / Rainha D. Maria: Jéssica, nº 13 / Infante D. João: boneco bebé / D. Joanina Moura (ama do infante D. João): Tatiana, nº20 / Duque de Bragança D. Jaime I: Diogo, nº 10 / Duquesa de Bragança, D. Leonor de Mendoza: Lídia, nº 15/Almirante Vasco da Gama: Fábio, nº 11/ D. Catarina de Menezes (esposa de V. Gama): Catarina, nº4/ Dama da Corte, D. Joana de Mendonça: Patrícia, nº 17/ Dama da Corte, D. Maria de Mendonça: Cheila, nº7/ Dama da Corte, D. Joana Cristiana: Cristiana, nº8 / Capitão da Guarda, D. Garcia Braz: João, nº 14 / Musico 1, Violante Angê: Danilza, nº 9/ Musico 2, Guiomar da Sé: Cláudia, nº 6.
IMAGENS
HISTÓRIA
Estamos no ano da graça de Nosso Senhor de 1502, numa tarde soalheira de junho, nesta mui nobre e grande cidade de Lisboa. Brites e Joane, os dois jovens amigos que moram em Cata- Que- Farás lá para o Bairro Alto, brincam nas pedras, evitando a água suja, quando ouvem os sinos tocar a rebate:
- “O que será isto? Fogo? Morreu a rainha? Afundou-se uma nau?” – Pergunta Joane.
- “ Deixa contar … 21 badaladas! Quer dizer que nasceu o príncipe herdeiro…” – Exclama Brites.
- “Vamos, depressa! Anda comigo até ao Paço! – diz Joane aos berros.
Chegam sem fôlego ao Paço atrás de uma multidão de gente que já enchia o grande terreiro. Ansiosos por esperar, resolvem aventurar-se e sem ninguém ver, entram por uma portinhola entreaberta, subindo as escadas que davam acesso aos corredores e daí ao salão principal do palácio real. Muito sorrateiros, espreitam pela cortina e ficam de credo na boca, completamente deslumbrados, ao verem toda a Corte reunida e vestida a preceito a cumprimentar suas Altezas Reais D. Manuel e D. Maria! Resolvem ficar a observar detalhadamente tudo e todos. Mas que aventura! Lá no bairro nem iriam acreditar…
D. Manuel risonho como sempre, conservando ainda o seu porte vaidoso, traja um pelote de fazenda rara que lhe chegara da Índia. Avança firmemente até ao meio da sala, descobre o seu chapéu de veludo azul debruado a fios de rubis e prata, e brinda aos nobres presentes, que comprazem todos a el-Rei fazendo-lhe a vénia.Brada agora ao mundo os seus muitos títulos e direitos reais sob as terras descobertas e ainda por descobrir.
A rainha D. Maria está rodeada pelas suas damas de honor e repousa. Veste um pelote de veludo vermelho de mangas abertas e um pesado cinto de diamantes, rubis e grossas pérolas que lhe realça a beleza. Não tirava os olhos do seu sereníssimo infante Joãozinho, de bochechas rosadas, com sua camisinha de Holanda, ao colo da ama D. Joanina Moura, enquanto pensava que tinha cumprido a sua função dando um herdeiro a Portugal.
A rainha velha D. Leonor vestindo um elegante conjunto negro de cota e opa, fixava o sobrinho. Já viúva, foi escolhida para madrinha da criança, a quem irá abençoar com o nome do seu “saudoso” esposo, D. João II. Pouco era vista na Corte, desde que se retirara para o seu convento da Madre de Deus em Xabregas.
D. Jaime I, duque de Bragança apresenta-se magnífico, vestindo um gibão debruado a ouro e carmesim, com calções da mesma cor. É acompanhado pela sua recente esposa andaluza, a duquesa D. Leonor de Mendonza. Formavam um casal bonito e simpático, alvo da atenção e dos mexericos de toda a Corte.
Entretanto entra ofegante pela sala dentro, o capitão da guarda, D. Garcia Braz que insiste em falar urgentemente com o rei, pois os seus soldados de vigia lá para os lados do Restelo, avistavam naus a aportar na barra do Tejo. Deviam ser as de Gaspar Corte Real que retornavam da Terra Nova, ou os da frota de João da Nova. Já se veria.
O rei aproveita a presença de Dom Vasco da Gama, para lhe perguntar como estavam os preparativos da quarta expedição marítima à Ìndia composta por vinte velas fortemente armadas, para impor de vez a presença portuguesa no Oriente. O almirante vestido ao modo hispano, desata a falar sobre as suas aventuras marítimas inigualáveis, só se calando quando a sua esposa, D. Catarina de Ataíde lhe faz sinal, pois já to-dos estão a ficar com cara de entediados e em especial o rei…
As damas da Corte, não param de cochichar. Ambicionam fazer bons casamentos e nenhum fidalgo importante lhes escapa da vista e do coração. São muitos os bilhetinhos, os galanteios e os segredinhos. Os músicos alegram o ambiente com as suas violas, sanfonas e gaitas e o grande baile que antecede o banquete, tem início.
Já cai a primeira brisa da tarde quando as gaivotas voam baixo e o sol se põe a poente, quando os nossos jovens heróis de Cata -Que--Farás dão por si e mais uma vez não acreditavam naquilo que tinham acabado de presenciar. Uma tarde de aventura no Paço Real da Ribeira ! Como os fizera sonhar…
- “É puto, foi à maneira não foi?” – comenta a nossa Brites, radiante da vida.
- “Eh, eh eh, nunca mais me vou esquecer deste dia! – afirma Joane.
- “Viva o futuro El-Rei de Portugal!” – Exclamam ambos ao mesmo tempo, enquanto desaparecem por entre o casario branco da cidade, saltitando por entre as fogueiras que se acendiam na noite quente que aí vinha. A festa prometia!
(inspirado no livro, “Brites e Joane vão de aventura na corte de D. Manuel” de Paula Bárcia)
Fernando Oliveira, Maio de 2009.