A Passarola de Bartolomeu de Gusmão, século XVIII, autor não identificado.
Vocabulário histórico e geográfico relacionado com o subdomínio 10
Auto de fé – cerimónia pública religiosa que se iniciava com uma procissão que apresentava os condenados à população, a que se seguia a sua morte na fogueira.
Baixa – zona central de uma cidade, habitualmente a mais frequentada.
Baixa pombalina – a parte baixa da cidade de Lisboa, onde antigamente se situava o Terreiro do Paço, que foi mandada reconstruir pelo Marquês de Pombal, após o terramoto de 1755.
Bandeirantes – grupos de aventureiros que, guiados por índios, rompiam através da densa vegetação do interior do Brasil, explorando o território e aumentando-o para o interior, procurando, simultaneamente, ouro, riquezas, e índios para escravizar. À frente levavam uma bandeira, daí o nome de bandeirantes.
Bandeiras – expedições de colonos para explorar o interior do Brasil.
Barra quintada – as pepitas de ouro encontradas eram fundidas em barras e marcadas com o sinal do imposto pago à Coroa.
Barroco – estilo artístico dominante na Europa, no século XVIII, caracterizado pelo excesso decorativo, de linhas curvas e contracurvas, o uso da talha dourada (folha de ouro), mármores e painéis de azulejos.
Berlinda – coche pequeno, de quatro rodas, suspenso entre dois varais.
Canavial – campo de cultivo da cana-de-açúcar.
Capatazes – homens responsáveis por vigiar e controlar os escravos, de índole rude e violenta, capazes de infligir vários tipos de maus-tratos.
Casa grande – residência dos proprietários e família das fazendas ou engenhos do Brasil.
Coches – carros ricamente decorados a veludo e talha dourada, puxados por seis cavalos ou mula, e eram o transporte das classes privilegiadas. Também existiam as seges, as berlindas e as liteiras.
Colonos – indivíduos que, num processo de colonização, ocupam uma região e impõem a sua cultura e atividade comercial.
Comércio Triangular – rota de comércio efetuado entre a Europa (Portugal), a África e a América (Brasil), formando um triângulo no Oceano Atlântico.
Companhia comercial – comerciantes de um mesmo produto, que se organizavam em grupo, partilhando regras comuns, de forma a fortalecerem a sua posição de mercado.
Cortes – assembleia convocada e dirigida pelo rei para ouvir a opinião do clero, da nobreza, e por vezes, do povo, sobre assuntos importantes para o reino, como por exemplo, decidir a guerra e a paz.
Cristão – pessoa que é batizada e segue a religião cristã, podendo ou não, obedecer ao papa.
Cristão-novo – judeu que, forçosamente, passou a ser católico.
Embaixada – representação oficial de um país estrangeiro.
Emigração – movimento da população que se desloca do seu país de origem para outro.
Engenho de açúcar – grande propriedade onde se produzia e se transformava a cana-de-açúcar. Era constituída pelos canaviais, pelo moinho, pela casa do senhor e senzala (sanzala).
Exportação – venda de produtos para fora do território nacional.
Gaiola pombalina – construção antissísmica em madeira, que cobria a estrutura dos edifícios, em jeito de gaiola, tornando-os mais resistentes aos abalos dos terramotos.
Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) – tribunal introduzido em Portugal no reinado de D. João III (1536) onde se julgavam os que eram acusados de crime de heresia, ou seja, de não respeitarem ou ofenderem a fé católica, geralmente, judeus e cristãos-novos.
Liteiras – meios de transporte sem rodas, suspensos por varais levados, à frente e atrás, por homens ou animais.
Mão de obra escrava – trabalhadores forçados ou escravos, sem quaisquer direitos ou liberdade.
Minuete – dança de salão de origem francesa, em ritmo ternário, muito praticada na Corte dos séculos XVII e XVIII, caracterizada pela repetição de reverências.
Miscigenação – mistura entre povos de diferentes etnias.
Monarquia Absoluta – forma de governo em que o rei (ou a rainha) tem todos os poderes, ou seja, manda em tudo e em todos, governando segundo a sua vontade própria.
Mudança – alterações que se verificam na evolução das sociedades, em virtude dos impactos de determinados acontecimentos históricos ou de inovações que são introduzidas e que conduzem a novos tempos, a novas formas de viver.
Navio negreiro – embarcação onde eram transportados os escravos africanos e levados para a América (Brasil). Eram viagens longas, feitas em péssimas condições, onde 20% dos escravos acabavam por morrer.
Pavana – dança em ritmo binário, de origem incerta, remontando ao século XVII, muito em moda na Corte do rei francês Luís XIV. Os movimentos desta dança fazem lembrar os de um pavão, daí a origem do nome.
Quintalada (quintos do Brasil) – tributo de um quinto do ouro retirado das minas do Brasil que era pertença do rei de Portugal.
Reforma – mudança, alteração no sentido de modernizar.
Regras de etiqueta – conjunto de comportamentos rígidos, usados no convívio social, sobretudo na Corte.
Rei absoluto – rei que governa num regime de monarquia absoluta, concentrado em si todo o poder, que justifica como sendo de origem divina.
Seges – carruagem antiga, muito popular no século XVIII, com duas rodas e um só assento.
Senzala (sanzala) – lugar onde dormiam e descansavam os escravos dos Engenhos de Açúcar, no Brasil.
Talha dourada – a madeira depois de esculpida (talhada) era revestida a folha de ouro. Foi uma técnica que atingiu o seu auge no século XVIII, devido às grandes remessas de ouro proveniente do Brasil.
Terramoto (sismo) – quando a terra treme com uma incidência muito forte, provocando muitos estragos e destruição. Pode ser seguido por um maremoto (tsunami), que são ondas gigantes que se abatem nos grandes rios ou praias.
Tráfico negreiro – transporte forçado de negros africanos para o Brasil, para trabalharem como escravos.
Tratado de Tordesilhas – acordo de navegação entre os portugueses e os espanhóis, em 1494, que dividia o mundo em duas partes, por um meridiano a passar a 370 léguas a ocidente de Cabo Verde, em que as terras descobertas a oriente seriam portuguesas, e as terras descobertas a ocidente seriam castelhanas.
Trono real – assento ou cadeira de cerimónia destinado exclusivamente a altos dignatários como papas ou reis. O trono simbolizava o poder e a soberania, daí a expressão “herdeiros do trono”.
Tsunami (maremoto) – quando, em virtude de um terramoto, provoca a criação de ondas gigantes que se abatem sobre os rios ou praias, provocando grande destruição.