Propulsão veicular, dilemas racionais e políticos.
Propulsão veicular, dilemas racionais e políticos.
Propulsão
Com aspecto, que ao mesmo tempo remete uma máquina a vapor e um relógio mecânico, o motor a combustão interna, há tempos monopoliza o mercado de automóveis como status quo da propulsão veicular, salvo algumas aparições dos motores elétricos, o pensamento dominante do complexo industrial de automóveis foi em torno desta tecnologia.
No início deste século, a indústria enfrenta a complexa decisão de escolher onde alocar o estoque de poder econômico, ou seja, busca-se um pacote tecnológico produtivo que ao menos manterá os níveis, e as taxas de retorno, das reservas de capital que atualmente estão alocadas na tecnologia da combustão interna.
Não limitando-se aos agentes privados, os estados-nação enfrentam a difícil lição de aplicar conhecimentos históricos, econômicos, e gerenciais dos recursos que dominam. Isto para não repetir erros ocasionados por políticas públicas ocorridas em torno do padrão tecnológico anterior, a exemplo de guerras por petróleo, instabilidades financeiras, sociais e geopolíticas de impactos globais.
Analisando a quantidade de recursos alocados atualmente, e o encadeamento dos diversos mercados que compõem fornecedores de equipamentos e pessoal. Pode-se projetar modelos econômicos, em diversas configurações de mercado, que visam simular quais pacotes tecnológicos disponíveis receberão mais recursos.
Com a demanda por redução de emissões de gases do efeito estufa, verifica-se no mercado um forte apelo por motorização elétrica.
Isto pode ser em parte explicado, devido ao seu aproveitamento energético, de pelo menos de 95%, enquanto no motor térmico por volta de 35%, esta diferença considerável, quando somadas ao menor nível de ruídos, manutenções bastante reduzidas, e zero emissão de fumaça, torna este tipo de propulsor mais atrativo aos consumidores.
Fundamentados nisto, agentes produtivos, públicos e privados, posicionam-se de tal forma, a alocar seus ativos, e força de trabalho, em torno deste tipo de motor, a medida que novos agentes posicionam-se na tendência, surgem interações e encadeamentos entre os recursos fabris que levam ao surgimento da produção em escala em torno deste novo pacote tecnológico.
Com o estabelecimento de uma industria em escala, decisões sobre quanto e como produzir, começam a afetar outros mercados e a própria sociedade como um todo, alguns movimentos podem demandar adaptações educacionais para subsidiar pesquisas e força de trabalho para operar equipamentos. Em outro aspecto, mudanças nas matérias-primas podem levar a grandes movimentos capazes de trazer ao centro mercados de insumos que antes eram relativamente periféricos, como o lítio, intensificando a mineração do mesmo, também pode manter os níveis de mercados existentes, como a produção de etanol, e/ou desarticulação de outras cadeiras produtivas, como alguns mercados de lubrificantes.