A EDUCAÇÃO DA CRIANÇA NEGRA NA PROVÍNCIA DO PARANÁ (1853-1889)
A EDUCAÇÃO DA CRIANÇA NEGRA NA PROVÍNCIA DO PARANÁ (1853-1889)
AUTORA: GISLAINE GONÇALVES
RESUMO: Esta tese, ancorados nos Estudos Culturais e teorizações foucaultianas, analisa os documentos oficiais do Arquivo Público do Paraná para escrever a história das crianças negras na província do Paraná no período de 1853 a 1889. Investiga os aspectos culturais e sociais que influenciaram o contexto histórico das crianças negras na província do Paraná. Para isso, analisa as seguintes fontes primárias: as correspondências emitidas e recebidas pelos órgãos do governo paranaense no período provincial, especialmente, aqueles que estão listados no Catálogo seletivo (2005) de documentos referentes aos africanos e afro-brasileiros livres e escravizados, como certidões, circulares e mapas de óbitos, casamentos e batizados, listas de classificação dos escravizados para emancipação. Na análise documental, fica evidente a invisibilidade da criança negra, desde os tempos da escravidão, com o nítido propósito de negar história e cultura negra no Paraná. Nos eixos temáticos, aborda Família, Trabalho e Educação e seus desdobramentos, analisando os aspectos culturais e sociais que interferem na formação da criança negra no Paraná. Percebe que, assim como em outras províncias do Brasil, após a Lei do Ventre Livre as crianças ingênuas não foram entregues ao Estado. Embora as crianças participassem ativamente da economia, como trabalhadores, os documentos apontam um descaso em relação aos valores culturais e sociais da população negra, mesmo após o ano de 1888. A invisibilidade histórica fica evidente nas diversas pesquisas que abordam a sua presença, mas não adentram a problemática. A respeito da escolarização, as crianças negras tiveram dificuldades para frequentar aulas, sendo que esse direito foi motivo de discussões e pendências entre professores/as e Estado, durante o processo de implantação da educação formal na Província. Sobre a condição familiar, os documentos evidenciam que a maioria das crianças negras desconhecia a paternidade, pois os registros constavam nomes das mães condicionadas à categoria de solteiras. Conclui que a invisibilidade das crianças negras na província do Paraná faz parte do discurso que assevera o Paraná branco, sem escravidão e sem negritude. Isso deixou marcas que reverberam até os dias de hoje.
Palavras-chave: Educação; Criança Negra; Escravidão no Paraná; Estudos Culturais; Documentos Oficiais.
PEDAGOGIAS CULTURAIS NOS SAMBAS-ENREDO DO CARNAVAL CARIOCA (2000-2013): A HISTÓRIA DA ÁFRICA E A CULTURA AFROBRASILEIRA
AUTORA: ANA LÚCIA DA SILVA
RESUMO: A pesquisa “Pedagogias culturais nos sambas-enredo do carnaval carioca (2000-2013): a história da África e a cultura afro-brasileira”, apresentada a linha de pesquisa: “Ensino, aprendizagem e formação de professores”, investiga as pedagogias culturais nos sambas-enredo de algumas escolas de samba do Grupo Especial do carnaval carioca. Compreende-se que se aprende na escola e fora dos muros da instituição escolar, por meio de artefatos culturais das escolas de samba e da mídia que interpelam a vida social. O objetivo é analisar as pedagogias culturais presentes na cultura popular negra, especificamente na música, nos sambas-enredo. A análise tem como referencial teórico os Estudos Culturais, por não hierarquizar as culturas de maneira binária e assimétrica: “baixa” e “alta” cultura. Nas pedagogias culturais dos sambas-enredo se constatou que estes artefatos potencializam representações que enaltecem a África e a cultura afro-brasileira, combatem o eurocentrismo e apresentam caminhos para a Educação antirracista e o diálogo acerca das relações étnico-raciais. A Lei n. 10.639/2003 tornou obrigatório o estudo da História da África, da história e cultura afro-brasileira nas escolas, incluiu o 20 de novembro – “Dia da Consciência Negra” no calendário escolar, e possibilitou repensar o currículo escolar. Esta pesquisa apresenta possibilidades de se utilizar a música popular brasileira, especificamente o samba-enredo, no ensino de História e na formação inicial e continuada de professoras e professores, especialmente para a abordagem da História da África e da cultura afro-brasileira. Para analisar as pedagogias culturais nos sambas-enredo se tem como aporte teórico-metodológico Vicenzo Cambria em “A fala que faz: Música e identidade negra no bloco afro Dilazenze (Ilhéus, Bahia)”, publicado na Revista Anthropológicas (2006), Marcos Napolitano em História e música (2016) e de Stuart Hall em Cultura e representação (2016).
PALAVRAS-CHAVE: Educação; Carnaval carioca; Samba-enredo; Pedagogias culturais; História da África; Cultura afro-brasileira
PROFESSORAS, LEVEM MULHERES À SALA DE AULA: DO JORNALISMO VIOLENTO À PRÁTICA PEDAGÓGICA FILÓGINA
AUTORA: Fernanda Amorim Accorsi
RESUMO: Esta pesquisa está respaldada nos Estudos de Gênero, nas Teorizações Feministas e nos Estudos Culturais para associar educação e jornalismo a partir do seguinte problema de pesquisa: Como a relação entre professora e violência, noticiada na mídia, pode servir de base para uma Prática Pedagógica Filógina? Para respondêlo, foram examinadas 29 notícias do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba - PR, que apresentavam, no título, o substantivo professora e tratavam sobre violência. O método de análise das referidas notícias foi o processo de Codificação e Decodificação de Stuart Hall, em que as palavras carregam significados de quem produz e, ainda, podem servir de referência para quem lê, ouve e assiste. O objetivo geral foi propor práticas pedagógicas filóginas com base na análise das notícias, sobre violência da professora mulher, publicadas no jornal Gazeta do Povo entre 2006 e 2014. Foi verificado que o jornalismo da Gazeta do Povo utiliza de mansplaining, em que homens falam pelas mulheres, inclusive quando as histórias poderiam ser contadas pelas próprias protagonistas. O referido jornalismo examinado não demonstra vestígios das questões feministas, apresentando-se como sexista e misógino porque silencia as professoras, inclusive quando elas são a personagem principal da notícia. O jornalismo enaltece as narrativas masculinas, fazendo a manutenção do discurso hegemônico que sobrepõe o homem em detrimento da mulher. O jornal constrói uma realidade em que ser docente é sofrer violências. Os crimes são explorados pelo noticiário para garantir audiência das informações apresentadas, utilizando dramas e estereótipos. O machismo está presente nas notícias, portanto se houvesse consciência feminista no jornalismo, o resultado das informações poderia abarcar outras articulações sobre docência que não o binômio professora/violência. A formação de jornalistas precisa ser permeada pela consciência de que a mídia educa, logo as notícias não são meras informações transmitidas, elas podem colaborar com a produção identitária dos sujeitos. Sendo assim, a Prática Pedagógica Filógina foi produzida para o curso de jornalismo, cujo objetivo é de oportunizar chances às mulheres de serem vistas, lidas, assistidas, citadas e pensadas.
Palavras-chave: professora mulher, jornalismo, gênero, Gazeta do Povo, violência e prática pedagógica filógina.
UMA PEDAGOGIA BICHA: HOMOFOBIA, JORNALISMO E EDUCAÇÃO
AUTOR: SAMILO TAKARA
RESUMO: Esta tese faz uma interface entre Educação, Jornalismo e Estudos Culturais, com base nas leituras foucaultianas e teorizações feministas que se aproximam da teoria queer. A questão que direciona esta tese é: de que modos uma pedagogia bicha problematiza a educação da sexualidade pelas notícias sobre homofobia? Nessa empreitada, discute como o jornalismo indica suas percepções acerca da produtividade e da coerção do discurso midiático em todo um dispositivo sexual acerca das possibilidades e dos limites de pensar como a homofobia produz sentidos e significados que perpassam as produções jornalísticas e as relações pedagógicas. O objetivo geral é problematizar as verdades constituídas e constituidoras da homofobia. Desse modo, analisa o campo educacional e os discursos jornalísticos como constituidores de verdades para problematizar a homofobia; desacomoda os modos de ler as representações dos casos homofóbicos no texto jornalístico e propõe uma formação educacional que instigue outros olhares para as homossexualidades. Utiliza o método documental e bibliográfico para analisar as reportagens sobre homofobia encontradas entre 22 de março de 1999 e 22 de março de 2013 no caderno de Educação do site da Folha de S. Paulo. Nesse período localiza 21 reportagens de 2009 a 2013 e, destas, 17 tratam de casos de homofobia específicos. Nesse processo de análise, entende que a percepção da bicha, como figura pedagógica, é uma arma possível para instabilizar os discursos científico e jornalístico. Considera que as relações saber/poder são produtivas em sua incidência sobre os corpos que constituem modos de vida. Assim, a bicha e o homofóbico tornam-se lados de uma mesma produção: a coerção homofóbica que é produtiva para a construção de determinadas masculinidades precisa da bicha para sua (re)produção de um sistema de significação social e político.
Palavras-chave: Educação; Estudos Culturais; Jornalismo; Homofobia; Gay.
TESSITURAS DA COR DA CULTURA: EM CENA, OS EPISÓDIOS TELEVISIVOS DA SÉRIE "NOTA 10"
AUTORA: FRANCY RODRIGUES DA GUIA NYAMIEN
RESUMO: Esta tese teve como objetivo investigar e sistematizar as questões abordadas nos episódios televisivos da série "Nota 10", esta produzida pelo projeto "A Cor da Cultura", uma parceria realizada entre a antiga SEPPIR, a Petrobras, o CIDAN, o MEC, a Fundação Palmares, a TV Globo, a TV Educativa e o Canal Futura. Indagou-se, a partir dessa série, quais foram as questões discutidas e as proposições pedagógicas sugeridas nesses episódios para a ressignificação das relações raciais na educação e a inclusão da história e cultura africana e afro-brasileira no currículo escolar? Para responder a essa questão e alcançar os objetivos da investigação, adotou-se a abordagem qualitativa de natureza descritiva e interpretativa, inspirada em pesquisadores/as do pensamento negro em educação que investigam a mídia e o currículo, utilizando as ferramentas teóricometodológicas dos estudos culturais. Foram selecionados onze episódios em suporte DVD, edições 2005 e 2010, voltados aos/às educadores/as que apresentam experiências educativas desenvolvidas em escolas da rede pública e em espaços informais. Esses episódios veiculados na televisão foram distribuídos nas escolas, disponibilizados para professores/as de dezoito estados brasileiros. O pressuposto era que, como artefatos culturais, essas produções audiovisuais pretendiam ensinar outros modos de educar para as relações étnico-raciais e atender à Lei Federal nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e da cultura afro-brasileira e africana no currículo escolar. Foi possível apreender, a partir da pesquisa, que esses episódios constituem um currículo que faz parte das lutas culturais por mudanças de significados e por tentar desestabilizar os discursos hegemônicos. Assim, há possibilidades de uma rede de saberes sendo tecida, em que a história e a cultura afro-brasileira e africana são produzidas por meio de discursos mais plurais em sua composição e divulgação. É necessário, portanto, uma abordagem crítica e reflexiva do sentido educativo no uso das mídias audiovisuais, além da leitura atenta para a seleção dos seus conteúdos pedagógicos difusores de saberes e de subjetividades; sentidos sobre o mundo; ensinamentos sobre raça/etnia; identidade e corpo; religiosidade; e modos de ser, de agir, de pensar, de olhar para si e para o outro, que são significativos na compreensão da realidade social e racial brasileira.
Palavras-chave: Educação antirracista; "A Cor da Cultura"; Episódios televisivos; História e cultura afro-brasileira; Currículo
O PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO/2007 E A CONSTRUÇÃO DAS IDENTIDADES NO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PARANÁ-CAMPUS DE CAMPO MOURÃO
AUTORA: ELAISE MARA FERREIRA CREPALDI
RESUMO: O Projeto Político Pedagógico e, neste, a Matriz Curricular de 2007 da Unespar-Campus de Campo Mourão é o objeto desta pesquisa. O objetivo foi investigar como as proposições presentes no Projeto Político Pedagógico e, neste, a Matriz Curricular do Curso de Pedagogia da Unespar-CM, na operacionalização da formação inicial do/a educador/a pedagogo/a, constrói identidades profissionais que atendam às necessidades de formação dos sujeitos. Como eixos norteadores do referencial teórico, trabalhamos: a) o conceito de identidades nos contextos político, econômico, social e cultural na contemporaneidade, com: Giddens (1991); Bauman (1999; 2000; 2003; 2005; 2006); Dubar (2005; 2006); Hall (1998; 2011; 2012; 2013); Silva (2010; 2011; 2012); Castells (2008); b) o conceito, as teorias, as tendências de currículos no Brasil e as proposições curriculares de acordo com as políticas educacionais recentes, com: Silva (1995; 2011); Giroux (1997; 2001); Moreira (1990; 2003); Sacristán (1995; 2000; 2001); Arroyo (2013); Candau (2002); c) a história do Curso de Pedagogia no Brasil focalizando reformas educacionais e proposições para formação inicial do/a educadora/a pedagogo/a; d) os debates para a elaboração de DCNP e sua aprovação/implantação; e) o estudo e análise do PPP da Unespar-CM, bem como as proposições de construção das identidades do/a profissional em formação inicial do/a educador/a pedagogo/a, utilizando as ideias de Brzezinski (1996; 2002; 2006; 2011; 2012; 2013), Silva (2006); Pimenta (2012); Libâneo (2004). Para encaminhamento teóricometodológico, levantamos o seguinte problema: O Projeto Político Pedagógico e, neste, a Matriz Curricular do Curso de Pedagogia Licenciatura da Unespar-CM contribui para a construção das identidades do curso e do/a educador/a pedagogo/a? Elegemos os Estudos Culturais como perspectiva teórica para fundamentar a verificação do objeto e proposição da pesquisa. A escolha dessa abordagem foi essencial para a análise da educação e a formação inicial do/a educador/a pedagogo/a como ação produzida em meio a relações de poder. A metodologia empregada foi a de pesquisa qualitativa, nas dimensões bibliográfica, documental e de estudo de caso histórico-organizacional, com aplicação da técnica de triangulação na coleta de dados e análise de conteúdo dos documentos por inferência para a interpretação da realidade educativa. Dialogamos com Lüdke & André (1986); Mynaio (2000); Trivinõs (2011) e Bardin (2011). As conclusões apontam que o PPP do Curso de Pedagogia da Unespar-CM foi elaborado de acordo com princípios democráticos, conforme orientações dos referenciais normativos; dados qualitativos e quantitativos do perfil do egresso do curso foram considerados no momento de elaboração do PPP; constatamos inconsistências teóricas e contradições na fundamentação das proposições do PPP; o PPP apresenta orientações identitárias do Curso de Pedagogia, e uma delas é a prospectiva, identificada por um movimento de fora para dentro, combinando as identidades da formação inicial profissional às demandas da sociedade em constante movimento.
PALAVRAS-CHAVE: Identidades. Currículo. Políticas Educacionais. Curso de Pedagogia. Formação Inicial.
NEGRITUDE EM DISCURSO: A EDUCAÇÃO NAS REVISTAS VEJA E ÉPOCA (2003-2010)
AUTOR: DELTON APARECIDO FELIPE
RESUMO: Esta tese investigou a organização e articulação das narrativas discursivas, publicadas nas revistas Veja e Época sobre a educação da e para a população negra no Brasil. Quais os posicionamentos sugeridos pelas revistas Veja e Época sobre a educação da e para a população negra brasileira? Para responder esta questão norteadora utiliza-se o eixo explicativo dos Estudos Culturais e as teorizações focaultianas como fundamento de análise das narrativas discursivas das revistas selecionadas. Para alcançar os objetivos propostos e problematizar a questão norteadora, realizou-se um mapeamento em 726 revistas, no período de 2003 a 2010, e localizaram 75 textos e, destes, 48 na Veja e 27 na Época tratam da população negra no Brasil. As revistas reconhecem a existência do racismo, mas fazem da denúncia uma questão cívica para proteger o projeto de nacionalidade brasileiro, formulado no final do século XIX e início do XX, que utilizou pressupostos europeus como sinônimo de progresso em detrimento da população descendente de africanos e indígenas que aqui viviam. As narrativas dos experts de Veja e Época argumentam que a representação da negritude no Brasil está presa a algumas barreiras visíveis e invisíveis, que estão ligadas à raça e cor dessa população que historicamente foi excluída de várias esferas sociais, políticas, econômicas e culturais. No entanto, ao propor formas de equacionar as representações negativas, que os negros e as negras vivenciam, defendem o desenvolvimento econômico e as práticas pedagógicas para solucionar as deformidades representativas entre negros e brancos, sem questionar o projeto de construção nacional. Os textos das revistas posicionam-se contra o envolvimento governamental para resolver as disparidades sociais entre negros e brancos no Brasil, em especial, quando são adotadas políticas de ações afirmativas que consideram o pertencimento racial. Os discursos difundidos pelas revistas analisadas enunciam que o governo deve investir na educação básica, mas não informa como a educação deveria trabalhar as disparidades, nem se o projeto de nação que exclui a população negra será repensado. As políticas de cotas raciais surgem nas revistas como o aspecto mais polêmico dos dispositivos legais organizados para a educação dos negros e das negras, e, dos 75 textos encontrados, 36 textos discursam diretamente sobre as políticas de cotas raciais e suas repercussões sociais. Concluí que as reivindicações da população negra são atendidas e valorizadas nos discursos da Veja e Época nos elementos culturais que não questionam a forma que foi organizada a sociedade brasileira, mas são negadas reivindicações que consideram as relações de poder na construção do projeto nacional. Ou seja, os temas da cultura negra, como corporalidade, religiosidade e história, são abordados com o intuito de valorizar a negritude, mas sempre como forma de construir um sentimento de pertença sem questionar as estruturas sócio-históricas, mantendo, assim, o projeto de Brasil dentro dos padrões eurocêntricos.
Palavras-chave: Educação; Cotas raciais; Revista Veja e Época; Discursos; População negra
O PROGRAMA MÍDIAS NA EDUCAÇÃO E NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES/AS: LIMITES E POSSIBILIDADES
AUTORA: DENISE ROSANA DA SILVA MORAES
RESUMO: O Programa Mídias na Educação, disponibilizado no portal do Ministério da Educação brasileiro, é destinado à formação continuada de professores/as da Rede Pública de Educação Básica na modalidade à distância. Trata-se de uma proposta de aplicação na prática pedagógica das potencialidades das mídias no espaço escolar. O Programa oferece conceitos e estudos das diferentes linguagens midiáticas para capacitar o/a professor/a na compreensão do atual contexto educacional e o papel das mídias no processo de ensino e aprendizagem. O problema é: Quais as possibilidades e limites do Programa Mídias na Educação, ofertado via web, para a formação de professores/as? A hipótese encaminhou para uma ambiguidade, de um lado, uma orientação pedagógica de introdução da mídia na educação formal de inclusão, de outro, um Programa intencionalmente técnico, que não resulta na formação crítica dos/as cursistas para o uso da mídia na sua prática docente. Esta tese tem como objetivo analisar o referido Programa do MEC ofertado no sistema web, em seu contexto pedagógico. Para atender ao objetivo proposto, foi realizada pesquisa bibliográfica sobre a temática e análise documental tendo a internet como fonte de pesquisa. Apresenta breve cartografia da inserção das tecnologias e suas mídias no espaço educativo português, elaborada durante o estágio de Doutorado Sanduíche na Universidade Católica Portuguesa em Lisboa. No referencial teórico fez interlocuções com autores dos Estudos Culturais, como: Hommy Bhabha, Néstor Garcia Canclini, Paulo Freire, Henry Giroux, Stuart Hall, Douglas Kellner, Jesus Martín-Barbero, John B. Thompson, Raymond Williams, Tomaz Tadeu da Silva, entre outros pesquisadores de expressiva relevância, que contribuíram para a análise sobre as possibilidades de inserção da mídia na prática pedagógica e a articulação entre a teoria e a prática que fundamenta a formação de professores/as. A conclusão é que o Programa analisado necessita ser redimensionado, com a inserção de momentos de interação online e presencial entre os cursistas, porque a formação exige tempo e espaço para alcançar sua finalidade pedagógica. Considera uma fragilidade do Programa, sua característica fortemente instrumental, constituída por uma seqüência de modelos a serem seguidos e aplicados na escola. A compreensão do processo de produção das mídias e o lugar que ocupa no contexto cultural contemporâneo podem contribuir com a continuidade e aprofundamento teórico e metodológico sobre as mídias na educação desde que os modelos de formação sejam alicerçados nos contextos de vida e trabalho dos/as professores/as.
Palavras-chave: Formação de professores/as. Mídias na educação. Estudos Culturais. Prática pedagógica.
A OBRA LITERÁRIA VAI AO CINEMA: UM ESTUDO DA PRÁTICA DOCENTE EM LITERATURA BRASILEIRA
AUTORA: MARIA FATIMA MENEGAZZO NICODEM
RESUMO: A presente tese relata os resultados da investigação sobre as práticas docentes com o uso de mídias cinematográficas baseadas em obras literárias. Objetivou conhecer na ação de professores/as de língua e literatura o desempenho do uso de mídia cinematográfica como estratégia para o incentivo à leitura de obras literárias. Com base nos estudos culturais e nos estudos de literatura e cinema no espaço escolar, especialmente autores como Hall, Williams, Bauman, Martin-Barbero e Canclini, Sarlo, Benjamin, Malard, Labaki, Foucault, Fantin e Colomer, entre outros, foram analisados teoricamente sobre o uso de mídias na educação, em especial no ensino de literatura. O problema se desenhou sobre três perguntas fulcrais que permearam toda a pesquisa: como, por que e para que utilizar mídias cinematográficas no ensino de Literatura brasileira? Para respondê-las a opção foi pela pesquisa-ação, por meio de uma intervenção pedagógica, para coletar dados empíricos. Para tanto, foi realizado um evento de extensão denominado Cinema e Literatura no Ensino Médio no período de julho a agosto de 2012 destinado aos/às professores/as de língua e literatura que atuam nas escolas da rede estadual de ensino, pertencentes ao Núcleo Regional de Ensino (NRE) de Foz do Iguaçu, que concordaram em participar como sujeitos desta investigação. Os instrumentos aplicados foram: doze (12) questionários semiestruturados, sendo dois gerais (um ao início e outro ao fim da pesquisa) e dois para cada um dos cinco filmes exibidos e trabalhados didaticamente. Esse procedimento ofereceu leituras, interpretações e indicações de possibilidades didáticas para as práticas de ensino com o intuito de tornar as aulas mais profícuas, utilizando de discussões e de compartilhamentos de ideias realizadas durante o evento. Os/as professores/as sujeitos, por atuarem em espaços e tempos marcados pela efemeridade, manifestaram uma inquietude que instigou a busca por alternativas para suas práticas pedagógicas no processo de ensino e aprendizagem dos conteúdos de literatura. As obras fílmicas ou mídias cinematográficas situam-se num panorama em contínua transformação e se inserem entre os objetos de estudo e pesquisa da pós-modernidade. A conclusão foi de que o uso dessas mídias não substitui, sob qualquer hipótese, a leitura da obra literária, por isso a cinematografia inspirada na literatura serve como estratégia de apoio para articular e incentivar as atividades de leitura. Isto se evidencia nas respostas dos/as professores/as sujeitos, como também nos estudos do referencial teórico utilizado para analisar o tema e o conjunto de dados levantados.
Palavras-chave: Cinema na educação. Literatura brasileira. Pesquisa-ação. Práticas docentes.
A IDENTIDADE PUYANAWA E A ESCOLA INDÍGENA
AUTORA: MARISTELA ROSSO WALKER
RESUMO: A Comunidade Puyanawa (gente do sapo) tem origem, segundo as tradições, da junção do sapo com a folha. Fala a língua portuguesa e tenta re (vitalizar) a língua Puyanawa, chamada pelos mais idosos de “ũdikuĩ” (língua verdadeira), que pertence à família lingüística pano. Vive no Estado do Acre, no Território Indígena (TI) Puyanawa, dividido entre duas aldeias: Barão e Ipiranga, situado no município de Mâncio Lima, às margens dos rios Moa e Azul, afluentes do rio Juruá. Em 2011 havia 555 pessoas (301 na aldeia Barão e 254 na aldeia Ipiranga). O objetivo desta tese é analisar a identidade puyanawa com base nos letramentos na escola Ixubãy Rabuy Puyanawa, destacando aspectos de sua cultura e de sua história, a fim de verificar se a educação formal contribui ou não para o fortalecimento da identidade desta etnia. Para investigar essa comunidade procura responder as seguintes questões: Como a identidade do povo Puyanawa é produzida?É possível recuperar a cultura Puyanawa por meio da (re) vitalização da língua?Quais são os mecanismos que a Escola Ixũbãy Rabuĩ Puyanawa envolve ativamente ou não na constituição e na fixação da identidade de seu povo? Na metodologia recorre ao estudo de caso etnográfico e qualitativo de pesquisa porque se trata de um estudo da cultura. Na pesquisa empírica, aplica os seguintes instrumentos: entrevistas, depoimentos orais e escritos, observação participante, análise documental, registros de diários de campo, realizando triangulações de dados conforme proposição de Sarmento (2003). No referencial teórico destacam-se os autores: HALL, BHABHA, WILLIAMS, CEVASCO, FOUCAULT, SILVA, CANCLINI, ORTIZ, JAMESON, LYOTARD, BAUMAN, ZIZEK, ANDERSON, COSTA entre outros, sem, no entanto, desprezar outros conhecimentos advindos da Antropologia e da Educação. Os resultados apontam que para a comunidade Puyanawa a revitalização língua é fundamental para visualização da sua identidade cultural. Há uma força que a cultura exerce ao forjar uma identidade, contudo, as identidades puras estão em processo de extinção, porque identidades são cada vez mais hibridas. A identidade da etnia Puyanawa caracteriza-se de traços caleidoscópicos e fronteiriços. Ela é instável, movediça e incompleta.
Palavras-chave: Identidade e Cultura. Educação Escolar Indígena. Formação de Professores. Povo Puyanawa.