Gestão de Resíduos Recicláveis em Florianópolis
A gestão adequada dos resíduos recicláveis é um elemento central para a construção de uma cidade verdadeiramente sustentável. Em Florianópolis, esse tema ganha ainda mais relevância devido às características específicas do município: crescimento urbano acelerado, fluxo intenso de turistas ao longo do ano e a forte dependência de seus ecossistemas naturais, como praias, manguezais e unidades de conservação. Esses fatores tornam a gestão de resíduos não apenas uma prática desejável, mas uma necessidade urgente para evitar impactos ambientais e sociais que se acumulam ao longo do tempo.
A gestão de resíduos recicláveis envolve etapas como separação, coleta, triagem, tratamento e reinserção de materiais na cadeia produtiva. No entanto, quando observamos a realidade de Florianópolis, percebe-se que essas ações ainda enfrentam limitações significativas. Apesar de existir coleta seletiva em diversas regiões, sua cobertura permanece desigual, especialmente em comunidades periféricas e áreas de difícil acesso. Além disso, o volume de resíduos gerado pela atividade turística aumenta a pressão sobre o sistema, evidenciando a necessidade de planejamento mais robusto e políticas públicas mais efetivas.
A relevância do tema vai além da sustentabilidade ambiental: trata-se também de um desafio social e econômico. A má gestão de resíduos implica maiores custos para o município, maior envio de materiais aos aterros e mais riscos de contaminação de solos e corpos d’água. Por outro lado, uma gestão eficiente fortalece a economia circular, reduz a extração de recursos naturais e incentiva a geração de renda por meio das cooperativas de catadores. Contudo, essas cooperativas ainda operam com recursos limitados, infraestrutura insuficiente e pouca valorização institucional — elementos que precisam ser problematizados para compreender a complexidade da situação.
Na prática cotidiana da cidade, a gestão de resíduos recicláveis se manifesta por meio da coleta seletiva, de campanhas educativas e de iniciativas privadas que buscam incorporar práticas sustentáveis. Porém, a participação social ainda é irregular, seja pela falta de informação clara, seja pela ausência de incentivos. A distância entre aquilo que as políticas públicas propõem e o que efetivamente ocorre no território demonstra que o desafio não é apenas operacional, mas também cultural e estrutural.
Dessa forma, mais do que descrever o funcionamento da gestão de resíduos em Florianópolis, é necessário compreender suas fragilidades e potencialidades: ampliar a cobertura da coleta seletiva, fortalecer cooperativas, integrar moradores e turistas ao processo e garantir que as práticas sustentáveis deixem de ser exceções para se tornarem uma rotina na cidade. Esse olhar crítico permite que o tema seja tratado não apenas como uma necessidade ambiental, mas como parte de uma transformação mais ampla na forma como o município se organiza e projeta seu futuro.
Marcos Normativos e Políticas Públicas :
PNRS (Lei Federal 12.305/2010): Estabelece a responsabilidade compartilhada entre governo, empresas e cidadãos, além de priorizar a inclusão socioeconômica das cooperativas de catadores no sistema de reciclagem.
Lei Municipal 10.501/2019 – Meta Lixo Zero: Define metas de desvio de resíduos do aterro sanitário e orienta Florianópolis rumo a práticas mais sustentáveis.
Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS): Documento que organiza estratégias, metas e diretrizes operacionais para a gestão local de resíduos.
Principal operadora pública do serviço de coleta e triagem.
Responsável pela coleta seletiva, logística e operacionalização de políticas municipais. Sua atuação define o ritmo e a efetividade das práticas de reciclagem.
A relação com as cooperativas é central: quando a COMCAP amplia ou reduz a cobertura da coleta seletiva, afeta diretamente o volume de materiais que chegam às associações de catadores.
Associação de Coletores de Materiais Recicláveis
A associação atua de forma integrada à coleta seletiva pública municipal (COMCAP). O poder público realiza parte da coleta ou cede a infraestrutura, e os associados realizam a triagem, o beneficiamento (como a moagem de plásticos rígidos) e a comercialização.
Todo o valor arrecadado com a venda dos recicláveis secos é revertido para a manutenção da associação e divisão de renda entre os cooperados, garantindo autonomia financeira e direitos fundamentais que o ambiente de rua historicamente negava a esses trabalhadores.
RACLI é uma empresa especializada em limpeza urbana
A RACLI é a empresa terceirizada contratada pela Prefeitura de Florianópolis para realizar a coleta de resíduos convencionais em regiões específicas da cidade, cobrindo principalmente os bairros do Continente, as regiões do Centro e parte do Norte da Ilha.
Uma característica importante desse arranjo institucional é que a coleta seletiva (recicláveis) e os serviços integrados de educação ambiental continuam sendo prestados e gerenciados de forma pública pela autarquia municipal (COMCAP) em toda a extensão da cidade.
O trabalho que limpa as nossas cidades é o mesmo que muitas vezes é invisível aos olhos da sociedade . No Dia do Gari, este vídeo nos convida a olhar de perto a realidade desses profissionais que não têm tempo ruim: seja sob sol escaldante ou chuva persistente, eles estão lá por nós .
A rotina de um gari exige força, resistência e muito sacrifício. Entre as maiores dificuldades enfrentadas no dia a dia estão:
Rotinas exaustivas: Acordar de madrugada (às 4h da manhã) ou dormir apenas 5 horas por dia para dar conta de dupla jornada .
Barreiras urbanas: Ruas estreitas, áreas de difícil acesso sem planejamento, fiação baixa e carros estacionados incorretamente que impedem a passagem dos caminhões .
Invisibilidade social: Como lembra um dos garis no vídeo, a maioria das pessoas só nota e valoriza esse serviço essencial quando o lixo deixa de ser recolhido na sua porta.
Mais do que recolher o que descartamos, essas pessoas carregam histórias de superação, orgulho e herança familiar. Que possamos demonstrar empatia com pequenos gestos — seja facilitando o descarte correto ou simplesmente dizendo um "bom dia".