Povos indígenas e sua epidemiologia são tópicos complexos de serem tratados. Parece clichê, mas com essa população em específico, existem muitas coisas a serem consideradas. Nós do grupo não somos indígenas e o contato de pessoas não indígenas com aldeias não é tão simples assim, então fizemos de tudo para procurar o máximo de informações do máximo de lugares diferentes, incluindo com nossa tutora e indígenas que trabalham na UNIFESP.
Nós sabemos que é impossível aprender tudo que é preciso sobre epidemiologia dos povos indígenas numa apresentação de trinta minutos. Por isso, deixamos aqui várias fontes e recursos para leitura que explicam várias outras coisas não faladas com mais detalhes e tecnicidade, para leitura posterior. Todas as fontes estão disponíveis em português brasileiro.
Então se você quer se aprofundar mais ou ter mais argumentos para suas futuras discussões sobre a importância de unidades de saúde específicas para indígenas ou sobre a real vulnerabilidade social dessa população, faça bom proveito!
Agradecimentos especiais para os nossos influenciadores:
Sendo um dos territórios indígenas no município de São Paulo, as Terras Indígenas do Jaraguá correspondem à moradia de cerca 600 indígenas da etnia guarani e há presença tanto do dialeto Mbya quanto do Nhandeva. É o único território demarcado no município e fica na zona oeste, divisa de Osasco, a 30 minutos a pé da estação de trem Vila Clarice.
Antes da construção da Rodovia dos Bandeirantes e do Rodoanel Mario Covas, a região formava um contínuo de floresta com a região da Serra da Cantareira e do Parque Anhanguera, entrecortada de pequenos estabelecimentos rurais. Atualmente, a região foi urbanizada e foram construídas rodovias e estradas no território, de modo que os únicos remanescentes de vegetação nativa encontram-se dentro da terra indígena.
A etnia pankararu é originária de Pernambuco, margens do rio São Francisco, e teve sua organização interna intensamente modificada e influenciada pelas missões religiosas que sofreram no passado. Em Pernambuco, esses indígenas têm seu território demarcado, porém não em sua totalidade.
Com o fluxo migratório no sentido nordeste-sudeste, muitos pankararu vieram para São Paulo para trabalhos sazonais com intuito de estabilizar as finanças, mas sem estadia fixa na metrópole. Ao longo do tempo, os pankararu foram estabelecendo moradia em São Paulo, mesmo com os parentes em Pernambuco, sendo que o maior agrupamento de indígenas da etnia pankararu no município é na favela de Real Parque, zona sul, no bairro Morumbi. São estimados cerca de 1500 indígenas.
Como está escrito na faixas em destaque, se trata de um dos vários protestos que ocorreram em março de 2019 por todo o Brasil contra a municipalização da saúde indígena. A municipalização se trata da não mais responsabilização do governo federal pela saúde indígena e entregando os cuidados dessa população para os municípios. O argumento dado é que assim, os gastos seriam diminuídos. Mas por quê?
Com a municipalização, órgãos importantíssimos para a garantia de saúde pública para os povos indígenas de forma digna e que respeite a herança cultural desses povos, como o Sesai, perdem seu caráter planejador, executor e coletor de dados para se tornar um mero fiscalizador de como os municípios lidam com a população indígena. Para tal, nosso presidente o governo extinguiu o Departamento de Gestão da Sesai, cujas atribuições ficaram na responsabilidade do Departamento de Atenção à Saúde Indígena, acabou com diversos cargos dentro do departamento e retirou, no texto e na prática, o caráter democrático e participativo da administração da saúde indígena. A municipalização já tinha sido barrada por protestos indígenas em março de 2019, mas em abril o assunto voltou à tona.
O risco é que, com isso, o respeito às práticas tradicionais e à independência de gestão dos povos indígenas fique mais ameaçada do que já é. Com a municipalização da saúde indígena, essa população se torna muito mais vulnerável à violência no seu atendimento à sua saúde e na sua garantia de direitos, além de abrir caminho para o desmantelamento do atendimento específico para eles e o descaso cada vez mais crescente quanto à sua dignidade como seres humanos. Com o crescimento da força da bancada ruralista, o Brasil tem cada vez mais a temer sobre a manutenção da vida dos povos indígenas a preservação de todo o bioma nativo deste país.
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