Apresentação

É um facto que ocorre com demasiada frequência; assistirmos, quietos, à fantástica derrocada dos nossos sonhos, dos nossos ideais. São simplesmente engolidos pela máquina da sociedade que se organiza à margem da lei do respeito por aqueles (nós) que a mantêm de pé. Formam um código verbal que nos prende a regras mafiosas e tradições caducadas. Infelizmente a nossa falta de coragem para dizermos ’’ não’’ leva-nos a duplicar a nossa personalidade e embora nos continuemos a ver e a tocar, não passamos de fantasmas. Pois, o que será um homem sem sonhos? Liberta-me a palavra escrita e é nela onde desejo encontrar-me, analisando sentimentos, posturas, regras…

Fernanda R-Mesquita


Nasceu em Portugal a 11 de Fevereiro de 1961. Vive no Canadá na cidade de Edmonton, capital da província de Alberta, onde tem o estatuto de dupla nacionalidade luso-canadiana.

Tem participado em muitas antologias, quer de contos, quer de poesia. Editou alguns livros de poesia.

Colabora na revista Ponto & Vírgula. Revista coordenada por Irene Coimbra e no blog Ponto & Vírgula

Autora dos blog: Laços de poesia

O livro de escritas org.

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Escrita- Biblioteca Virtual de escritores


“ Vivi a ditadura e o dia em que nos libertamos dela. "

Da História de Portugal antes do 25 de Abril? Até então, eu a conhecia através da matéria que dera na Escola de Ensino Primário e no Ciclo Preparatório. Matéria apenas para decorar. Era proibido sentir e levantar questões. Guardo na memória a sala de aula na pequena escola da aldeia. Sem que me apercebesse, tudo ali era comandado pelos ideais políticos de um só homem; Salazar. Todas as manhãs, antes do início das aulas, ficávamos de pé, solenemente direitos, para cantar o Hino Nacional. Este ritual obrigatório, estendia-se e fazia-se sentir em toda a nossa educação. Muito mais tarde, viria a entender a presença da enorme cruz, no meio das molduras escuras, com as fotos a preto e branco do Presidente da República e do Presidente do Concelho.

Até ali, Salazar não passara de mais um personagem nas histórias que o meu avô contava. Anos depois compreendi o verdadeiro significado do tom mais baixo que ele usava quando falava do Estado Português. Algumas vezes, em jeito de segredo, dizia para a minha avó: “Fulano falou demais e ninguém mais soube dele.”

A minha entrada no Liceu coincidiu com a chegada da liberdade. Não foi fácil a adaptação. Fui aprendendo que a liberdade não depende apenas de um estado político.

Celeste e Francisco- A junção dos dois foi a ferramenta para que eu aprendesse letras, arrumasse palavras e as desfiasse em histórias.


Fernanda R-Mesquita


Este site contém apenas trabalho literário de Fernanda R-Mesquita. Existem obras terminadas e outras por terminar.