Sônia Maria Mendes Di Benedetto. Arquivo Público. aquarela. 20x29cm. 2025
Após a Primeira República, o APERS passou por muitos processos e transformações. Seus pavilhões assistiram a chegada e a partida de documentos. Tecnologias, como a microfilmagem e a digitalização, foram debatidas e testadas, ainda que não tenha havido programas amplos e perenes de sucesso nessas áreas. Equipes se profissionalizaram em meio aos avanços da arquivística no país. A Sala de Pesquisa mudou-se e mudou seus mecanismos para dar acesso aos documentos. Após viver o autoritarismo, a sociedade brasileira trava batalhas para enterrar a cultura de opacidade e acolher pluralidades. Nesse movimento o APERS também se movimenta, investindo em ações de descrição arquivística, difusão e educação que promovem a diversidade. Siga conosco para conhecer mais!
Corredores e porões dos prédios I e II.
Após o que muitos consideram o apogeu do Arquivo Público, entre o ano de sua fundação e a década de 1920 - coincidindo com a hegemonia política do Partido Republicano Rio-grandense - a instituição entra em decadência gradual.
Na década de 1960, o sucateamento e o abandono do Arquivo já se refletia na redução significativa de pessoal e no estado dos papéis sob sua guarda. A massa documental tomava os corredores, tornando impossível a organização e a higienização dos espaços.
Acervo 1998 Claudio Roberto Rodrigues para Concurso de Fotografia APERS
Acompanhando um movimento nacional de profissionalização do serviço público a partir do final da ditadura civil-militar, o Arquivo busca modernizar a gestão do acervo e os seus serviços sob os marcos da redemocratização, da promulgação da Constituição de 1988 e da Lei de Arquivos, de 1991.
Dentre os princípios que guiam esta nova fase estão a garantia de direitos dos cidadãos, a ampliação do acesso à documentação pública, a transparência na Administração e o apoio à produção do conhecimento histórico.
Corredores do Prédio II
Os anos 1980 e 1990 marcam uma ruptura com o legado decadente da ditadura militar. Os documentos foram retirados do chão, iniciaram-se trabalhos de higienização do acervo e a realização de pequenos reparos em um “Improvisado ‘Laboratório de Restauração’” para lidar com a deterioração e os ataques biológicos que acometiam o acervo.
Além disso, a antiga Sala de Consulta se converte em uma Sala de Pesquisa, espaço de estudos e de sociabilidade de pesquisadores da história e da genealogia, na atual Sala Borges de Medeiros.
Em 1991 é realizado o primeiro concurso para Arquivista no serviço público estadual e, a partir de 1992, são nomeados os primeiros servidores arquivistas para o APERS.
Com a chegada deles, são feitos trabalhos de gestão documental segundo princípios arquivísticos. Importantes eliminações, como do Registro de Imóveis no Prédio I e do Detran no Prédio II permitiram a melhor gestão do espaço e a eliminação das estantes temporárias de madeira que ocupavam os corredores.
Criado em 05 de junho de 1989, o Sistema de Arquivos do Estado do Rio Grande do Sul (SIARQ/RS) tem como objetivo integrar arquivos, implementar e gerir as políticas de gestão documental do Estado. Integram o patrimônio arquivístico público todos os documentos, de qualquer tipo e natureza, gerados e acumulados no decurso das atividades de cada órgão da Administração do Estado do Rio Grande do Sul.
Reunião do Comitê Gestor do SIARQ, em novembro de 2023. Em pauta a atualização dos Instrumentos de Gestão Documental do Estado.
O reconhecimento do conjunto arquitetônico e da documentação por ele guardada como patrimônio foi coroada em 1991 com o tombamento pelo IPHAE. Veja aqui alguns registros do processo.
A partir de 1999 os prédios I e II do Arquivo Público passaram pelo seu único processo de restauração completa. A obra levou dois anos e foi entregue em um evento de reinauguração em 26 de junho de 2001.
Em meio a esse processo houve a saída da Junta Comercial do Prédio III que foi, após quase 50 anos, integralmente entregue ao seu propósito inicial de sediar os espaços administrativos do Arquivo Público. Para ele foram destinados os acervos do Registro Civil, a Sala de Pesquisa, os escritórios e espaços de trabalho dos servidores.
A partir das reformas no piso térreo da Sala de Pesquisa e Sala Joel Abílio, no final de 2024, o Arquivo vem passando por novas obras de qualificação dos seus espaços de atendimento e armazenamento. Desde então, foram reformadas a entrada principal, a recepção e a Sala de Pesquisa, reinauguradas por ocasião do aniversário de 120 anos, em março de 2026. Ainda estão em andamento as obras de recuperação da antiga sala de microfilmagem, a substituição dos elevadores do Prédio III e a impermeabilização da laje do Prédio II. Esta última etapa tem conclusão prevista ainda para o ano de 2026.
Sala de consultas, na atual Sala Borges de Medeiros
Sala de Pesquisa
Foto: Claudio Roberto Rodrigues para "Concurso de Fotografia APERS"
Sala de Pesquisa no Prédio III
Nova Sala de Pesquisa no Prédio III
Nos anos 2000, os serviços ao público foram expandidos, com o desenvolvimento das primeiras iniciativas educativas como o projeto "Por dentro do Arquivo". Também, como forma de promover a pesquisa a partir da documentação guardada pelo APERS são realizados projetos de levantamento do acervo e de elaboração de catálogos, como a coleção Documentos da Escravidão no Rio Grande do Sul.
Projeto educativo "Por dentro do Arquivo", 2002
Desde 2008 também temos ações educativas ofertada através do Programa de Educação Patrimonial UFRGS-APERS.
O Projeto de extensão universitária - Parceria entre a UFRGS e o APERS - conecta ensino, pesquisa e extensão. Entendendo a educação patrimonial como direito social, mobiliza temas como memória, identidade e cidadania por meio de atividades, tensionando as relações entre passado e presente, de forma a potencializar o ensino de história. Desde sua concepção, já trouxe cerca de 17 mil estudantes para oficinas de educação patrimonial nos espaços do APERS.
desenvolvidas a partir de documentos salvaguardados no APERS, contribuindo para a difusão arquivística.
de estudantes de graduação e professores da Educação Básica.
do Patrimônio Cultural do Estado
Comemorado todos os anos no dia 08 de março, o aniversário é o evento mais tradicional do Arquivo Público. Dentre eles, merece destaque a comemoração do centenário da instituição, em 2006. Na época o Arquivo foi homenageado em expediente na Assembleia Legislativa do Estado, e também sediou uma grande solenidade em seus jardins, com exposição e apresentação musical para a plateia lotada.