Gehane Saade transformou a tradição árabe da família em um negócio de sucesso: a Sukar Coffee
Gehane Saade transformou a tradição árabe da família em um negócio de sucesso: a Sukar Coffee
“O Sebrae me deu empurrão e fortalecimento”, explica a vencedora do Prêmio Empreendedora 2025, da Prefeitura de Curitiba
Por Izabella Machado e Maria Eduarda Perly
A relação de Gehane Chamun Saade com o empreendedorismo começou cedo. Filha de comerciantes e neta de imigrantes árabes, ela cresceu em meio às vendas e encontrou na tradição familiar inspiração para empreender. Formada em Direito, decidiu seguir outro caminho e passou a produzir doces árabes de forma artesanal. O negócio ganhou estrutura após a busca por capacitação e consultorias do Sebrae, que auxiliaram na elaboração do plano de negócios e na transformação da antiga doceria em uma cafeteria árabe voltada à experiência e ao acolhimento. O Sukar Coffee é um sucesso no Prado Velho, em Curitiba, e Gehane venceu em 2025 o Prêmio Empreendedora 2025 do município.
O empreendedorismo feminino segue em expansão no Paraná, mas ainda convive com desafios históricos. Dados do Sebrae apontam que 44% das empreendedoras paranaenses são chefes de família e 55% concentram a maior parte das tarefas domésticas, cenário que evidencia a dupla e, muitas vezes, tripla jornada enfrentada por essas mulheres. Ainda assim, elas seguem fortalecendo negócios e ocupando espaços de liderança.
À frente da Sukar Coffee, Gehane afirma que empreender exigiu enfrentar inseguranças e provar diariamente a própria capacidade. Diagnosticada com dislexia e TDAH, ela transformou obstáculos em combustível para crescer e consolidar o negócio. “O Sebrae me deu empurrão e fortalecimento. Se você acredita no seu potencial, você vai longe”, afirma. Aos 30 anos, a empresária vê na própria trajetória um incentivo para que outras mulheres também ocupem o espaço do empreendedorismo.
Segundo a consultora de negócios do Sebrae Paraná, Letícia Pimentel, o crescimento do empreendedorismo feminino representa também um avanço na redução das desigualdades. Ela explica que muitas mulheres encontram no negócio próprio a possibilidade de autonomia financeira e liderança, embora ainda enfrentem barreiras ligadas à sobrecarga e ao chamado “teto invisível” no mercado de trabalho. Para enfrentar esse cenário, iniciativas como o Sebrae Delas oferecem capacitação técnica, fortalecimento socioemocional e rede de apoio entre empreendedoras.