Com apoio da família, do Sebrae e de programas de inovação de Curitiba, Lorenzo Mesadri transformou uma plantação doméstica em uma startup voltada à agricultura urbana
Por Emily Silva
Produzir alimentos orgânicos dentro de casa ou em apartamentos pode parecer impossível para muitas pessoas, mas, para Lorenzo Mesadri, essa dificuldade se transformou em uma oportunidade de negócio. Foi da busca por respostas que nasceu a EVA Agricultura Urbana, startup curitibana que desenvolve soluções para tornar o cultivo de alimentos mais acessível dentro das cidades.
Durante a graduação em Agronomia na UFPR, Lorenzo participava de um projeto de horta comunitária em Curitiba que, durante a pandemia da Covid-19, chegou a atender 35 famílias. Essa vivência permitiu que ele observasse de perto os desafios enfrentados pelos moradores: falta de tempo, falta de espaço e a crença equivocada, segundo ele, de que é difícil cultivar hortaliças dentro de casa. "A EVA nasceu justamente buscando trazer ferramentas e soluções para resolver esses três principais problemas", conta.
A relação inicial com esse tipo de cultivo surgiu quando o agrônomo ainda morava na casa dos pais, em 2019. Quando eles viajaram, Lorenzo aproveitou o espaço e montou sua primeira horta. “Eu sempre fiquei imaginando: se eles tivessem visto aquilo e negado, se não tivessem apoiado ou tivessem julgado de forma negativa... Mas isso não aconteceu”, relata. O apoio familiar veio de todas as formas, tanto emocional e educacional quanto financeiro. O avô foi um dos primeiros entusiastas, acompanhando cada etapa do projeto e oferecendo recursos financeiros. “Hoje eu consigo reconhecer que, de fato, sou um empreendedor de impacto justamente por conta do apoio do meu pai, da minha mãe e da minha família em geral”, diz.
Realizado durante a pandemia de forma on-line, o programa de pré-incubação Garage, do Sebrae, foi o que possibilitou o desenvolvimento do modelo de negócios. Lorenzo e seu sócio participaram de outros programas de incubação e aceleração, feiras do empreendedor, eventos como o Neon e o Startup Summit, em Florianópolis, e o Capital Empreendedor, em São Paulo. "Depois que você entra no ecossistema do Sebrae, não tem mais como sair", conta.
Nos primeiros anos, Lorenzo enfrentou uma dificuldade comum entre empreendedores: encontrar pessoas que compartilhassem do mesmo sonho. A insegurança de tocar o projeto sozinho foi diminuindo quando ele encontrou sócios que complementavam suas habilidades. Alexandre Santos, amigo de infância de Mesadri, passou a contribuir justamente nas áreas em que Lorenzo tinha menos experiência, como administração e finanças. “Eu olhava para ele e falava: 'eu tenho outras qualidades, essas não. Então preciso de alguém que me complemente'”, diz.
Mais tarde, outros parceiros começaram a surgir. Um sócio investidor trouxe, além do capital, uma visão empresarial de longo prazo. Foi por influência dele que a EVA patenteou um de seus produtos, a EVA Baby. O projeto venceu o Pitch Live do Vale do Pinhão, competição que abriu as portas do hub de inovação e trouxe conexões que vão além do networking. O contador e os advogados da startup são profissionais que Lorenzo conheceu por lá. "O Vale do Pinhão nos ajudou não só no negócio em si, mas também ao trazer oportunidades de programas e de fazer negócios dentro do próprio ecossistema", explica.
Ao olhar para a própria trajetória, Lorenzo acredita que o negócio dificilmente teria chegado ao estágio atual sem as pessoas e instituições que o auxiliaram ao longo do caminho. “Sem o apoio da família, talvez o projeto nem tivesse nascido. Sem o Sebrae, provavelmente não teríamos formalizado a empresa. O apoio serve para acelerar o crescimento e o aprendizado”, completa.