Com o apoio de cursos do Sebrae, cachorro-quente do Paulinho é o favorito dos clientes há 16 anos
Com o apoio de cursos do Sebrae, cachorro-quente do Paulinho é o favorito dos clientes há 16 anos
A ajuda da família e de clientes que se tornaram amigos, foi fundamental para construir um negócio no Sítio Cercado
Por Pâmela Fernandes Pereira
Nas noites de Curitiba, o movimento em volta do carrinho de cachorro-quente de Paulo Henrique, o Paulinho, já faz parte da rotina dos moradores da região do Sítio Cercado. O que começou como um sonho ainda na infância, se transformou em um negócio que há 16 anos garante o sustento da família.
Antes de colocar a ideia em prática, ele decidiu buscar capacitação. Foi no Sebrae que encontrou orientação para transformar o sonho em um empreendimento. Nos cursos ele aprendeu desde a produção dos lanches até conceitos de administração, planejamento financeiro e gestão de negócios. "Eu queria começar da forma certa", relembra.
Inspirado por um colega que trabalhava com um carrinho de cachorro-quente, passou a pensar na possibilidade de ter o próprio negócio no ramo alimentício. "Eu coloquei isso na cabeça e fui construir, é meu sonho", afirma.
Paulinho contou com o apoio da esposa, Juliana, e das filhas. Ao lado da família, começou a produzir os cachorros-quentes de forma simples, aproveitando os encontros de motociclistas dos quais participava para vender os primeiros lanches. Com o tempo, a clientela foi aumentando. O boca a boca, aliado aos anos em que viveu na região, ajudou a consolidar o negócio.
Clientes que viraram amigos
O que antes era apenas um carrinho acabou se transformando em uma estrutura fixa, construída aos poucos ao longo dos anos e que hoje representa a principal fonte de renda da família.
Entre os clientes que acompanham essa trajetória desde o início estão Cristiana, a Cris, e o marido, Daniel. Morador há 42 anos do condomínio localizado em frente ao estabelecimento, ele conheceu o carrinho logo nos primeiros anos de funcionamento.
"Vem comprar o lanche, espera, conversa e acaba conhecendo a vida da pessoa", relata Cris. "Tem histórias em comum. Ele frequentou várias vezes a cidade onde a Cris nasceu, Rio Negrinho, e sempre acaba tendo assunto para conversar", conta Daniel.
Em momentos difíceis, como durante a pandemia, Cris e a família estavam presentes oferecendo apoio para que o empreendedor continuasse acreditando no negócio. "Algumas vezes ele comentou com a gente que pensou em desistir. E a gente sempre conversava e apoiava para continuar", relembra.
A amizade construída ao longo dos anos também se reflete na fidelidade dos clientes. "A gente já tentou várias vezes 'trair' ele, mas o cara é bom", brinca Daniel. "Quando viajamos para Santa Catarina e compramos cachorro-quente em outro lugar, sempre os nossos filhos comentam que não é a mesma coisa."
Os novos desafios de empreender
"Educação financeira e automatizar são os novos desafios. E tem que olhar pra eles se não fica pra trás”, resume o empreendedor. Se no início o desafio era conquistar clientes, hoje a realidade é diferente. Além da produção dos alimentos, Paulinho precisa lidar com redes sociais, aplicativos de entrega, divulgação do negócio e o aumento constante dos custos.
Foi também diante das dificuldades que surgiu uma nova oportunidade. Após a pandemia da Covid-19, buscando aumentar a renda e diversificar as vendas, Paulinho passou a comercializar carnes assadas nos fins de semana, incluindo costelas, frangos e acompanhamentos.
Quem recebe apoio também apoia
Ao longo da caminhada, as filhas cresceram e a esposa seguiu outros caminhos profissionais. Mesmo assim, Paulinho permaneceu no negócio. "Muitas vezes escutei: 'para com isso'. Mas eu sempre entendi que era o meu sonho. No começo era tudo nosso, e cada um foi para um lado, mas eu continuo no meu sonho e vou ficar aqui até quando der", afirma.
Hoje, o empreendedor também exerce o papel de apoiador. Um dos integrantes da equipe é Cauã, jovem de 17 anos que nunca havia trabalhado com gastronomia. Estudante no período da manhã, ele vai de bicicleta para o trabalho todas as noites e aprendeu com Paulinho as funções que desempenha atualmente.
Segundo o empreendedor, a dedicação do jovem chamou sua atenção desde o início. Cauã, por sua vez, já considera seguir carreira na área e pensa em cursar uma faculdade relacionada à gastronomia.
Da mãe que o apresentou à cozinha, passando pelo Sebrae, pela esposa e pelos clientes que se tornaram amigos, ele vê uma rede de pessoas que ajudou a sustentar o negócio ao longo dos anos.
Mesmo diante dos desafios diários, afirma que não se vê fazendo outra coisa. Para quem deseja empreender, deixa uma mensagem simples: persistir. "Hoje pode não dar certo, mas amanhã pode dar. O importante é continuar acreditando”, finaliza.