Entre fios e agulhas, nasce uma paixão através do comércio de artesanato familiar
Entre fios e agulhas, nasce uma paixão através do comércio de artesanato familiar
Empreendedora mostra que empreender é sobre estar em constante movimento mas sem quebrar o legado da família
Por Kauane Gabrielly, Mirela Cunha e Sthefany Scholze.
Iva Kwan é a atual empresária da Safira Armarinhos e, mesmo com a loja de artesanato sendo seu principal motivo para dar o primeiro passo rumo ao empreendedorismo, após o apoio e conhecimento que adquiriu, ela não parou por aí. Conta atualmente com uma loja de semijoias – Iva Kwan Acessórios – e também, trabalha em conjunto com seu marido na Doce Generoso.
A loja nasceu em 2003, inaugurada pelos seus dois irmãos mais velhos, mas o artesanato já era de família: seus pais tocavam o próprio negócio desde meados de 1970, quando vieram de uma colônia portuguesa da África para a capital paranaense, em busca de estabilidade e qualidade de vida em meio às guerras de sua terra natal. Mesmo não tendo tanta experiência com a prática do artesanato, Iva sempre esteve no meio de sua família, ajudando no que podia, desde auxiliar os clientes, até na administração do caixa. Gostava de estar com pessoas, da criatividade, das diversas possibilidades que o artesanato pode proporcionar e tinha olhos atentos para saber quais eram os melhores materiais.
Ela se formou como arquiteta, mas depois de tentar seguir uma carreira tradicional dentro de escritórios, não sentia que era essa vida profissional que fazia seu coração bater mais forte. Percebeu que sua vocação era empreender: era a rotina agitada, fazer um pouco de tudo, estar no meio do fluxo de pessoas. O artesanato não era apenas fios amarrados uns aos outros, era arte que movimentava um grupo que tinha paixão pelo que fazia. Iva deixou a arquitetura e passou a dedicar seu tempo aos armarinhos. Nessa virada de chave de sua vida, além de ter muito apoio emocional de seus pais, que já estavam inseridos nesse ramo, como também de seus irmãos, que a incentivaram a se juntar a eles, a futura empreendedora descobriu o Sebrae.
Os cursos gratuitos oferecidos pelo Sebrae foram o divisor de águas para a Safira Armarinhos. Com eles, ela aprendeu que ter seu próprio negócio não é apenas repor estoque e vender, é administrar, conhecer seu público, entender suas necessidades e saber o que e como seus clientes desejam comprar. "A gente tem que estar sempre em movimento", destaca a empreendedora. Ela defende que sempre precisamos estar nos atualizando e que, para gerir um comércio, é necessário sair da zona de conforto.
Iva entendeu que a estrutura da loja precisava de modernização e de um diferencial. À medida que a loja expandia em tamanho, também crescia em visão de mundo. Logo as bancadas deram espaço para prateleiras em que o cliente podia escolher sozinho o que desejava comprar, podia sentir o produto nas próprias mãos. O que era apenas divulgado de “boca em boca”, passou a ter maior atividade nas redes sociais e proximidade com os clientes. Além disso, uma das maiores apostas do local foram os cursos de artesanato.
Hoje, o curso conta com professoras, viagens para fábricas e feiras, mas tudo começou com Isabel Chin, mãe de Iva. No começo da loja, ela parava para ajudar as clientes, ensinava pontos diferentes; cada uma pegava um novelo e aprendia com ela. Iva conta que atualmente existem clientes fiéis que relatam ter vendido peças de artesanato graças à sua mãe. “Não é só o produto, mas também é uma qualidade de vida”, destaca a empreendedora.
Iva aconselha que, para quem tem a vontade de abrir seu próprio negócio, é necessário ter uma base bem estruturada. Estudar, entender de finanças, do que o mercado quer no momento e, principalmente, entender o que seu público deseja ver faz toda a diferença. Porque ser empreendedor é, resumidamente, se atualizar e enfrentar os altos e baixos.