A transição de carreira do casal Hirami garantida pelo apoio familiar e do comércio local
A transição de carreira do casal Hirami garantida pelo apoio familiar e do comércio local
Criado por um ex-enfermeiro e uma musicista, o ateliê curitibano mostra como o investimento, as parcerias regionais e o suporte familiar transformou uma transição de carreira em uma economia criativa
Por Flora Carneiro, Fernanda Cardoso e Thaysa felix
A jornada empreendedora raramente é um caminho solitário. Para Tatiana e Paulo Hirami, fundadores do Otake Ateliê de Encadernação, a base estrutural do ateliê é formada por uma densa rede de apoio, que vai desde o apoio familiar até parcerias estratégicas com o comércio local de Curitiba.
A história do ateliê começou a ganhar forma em 2016, quando o casal buscava um álbum de assinaturas para o próprio casamento. O contato com os materiais e o ambiente criativo despertou o interesse pela encadernação manual, após uma amiga da família, que já trabalhava na área, apresentar a eles esse novo mundo, mostrando os primeiros passos sobre a encadernação. Já o salto definitivo para o empreendedorismo ocorreu anos depois
O ateliê foi oficialmente fundado em 2019. Porém, somente em 2022, após o desligamento de Paulo na área de enfermagem, o casal tomou a decisão de investir integralmente no negócio próprio. Para o pontapé inicial, utilizaram o recurso financeiro para estruturar o maquinário da empresa que veio do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. "Com o dinheiro do FGTS, foram os nossos primeiros investimentos na empresa, na maquinaria", relata a dupla, destacando o papel essencial do investimento.
Em vez de focar exclusivamente no ambiente digital ou em mercados de outros estados, traçaram uma rota para valorizar o desenvolvimento territorial. A estratégia foi clara desde o princípio: fortalecer o ecossistema cultural do local onde moram. "Vamos fazer arte na nossa cidade, é onde a gente fica. A gente precisa expandir isso no local onde a gente vive, fortalecer esse espaço que a gente habita", explicam.
Livrarias de rua e espaços culturais da cidade são os principais pilares de venda e visibilidade do negócio. O caminho começou em lojas colaborativas e rapidamente se expandiu para espaços de peso, batendo de porta em porta. Hoje, o ateliê produz peças não apenas sob encomenda, mas também abastece pontos icônicos da capital paranaense, desde livrarias tradicionais, que os apoiaram desde o início, até a loja oficial do Museu Oscar Niemeyer, o maior museu de arte da América Latina.
Para eles, a escolha vai além do posicionamento de marca. Trata-se de uma injeção direta na economia da cidade. "Não é se fechar para outros locais, é o contrário. É fortalecer, colocar uma força aqui no que é local mesmo. Isso faz a diferença na arte que circula aqui também, inclusive financeiramente na cidade", pontua.
Para conseguirem manter o negócio em pé, o casal conta com o apoio prático e afetivo de amigos e familiares para conseguir participar das rotinas intensas de feiras literárias e gráficas, como a do Sebrae, que já participaram em 2 anos consecutivos. "Eu acho que o principal apoio da marca é o apoio familiar de presença, de ajuda, de auxílio em momentos que estão muito corridos e a gente precisa de uma ajuda, por exemplo, para dar um suporte para a nossa filha, para que ela esteja bem e a gente consiga dar conta da quantidade de itens a serem criados", conta Paulo.
Essa mesma colaboração se estende à concorrência e aos colegas de profissão. Diferente do imaginário de rivalidade, se apoiam mutuamente. "Nunca encontrei alguém que tentou puxar o nosso tapete, por exemplo, é o contrário. Sempre contamos com muito apoio”, finaliza o casal.