Môme Café: quando o sonho familiar se torna realidade
Môme Café: quando o sonho familiar se torna realidade
Fachada verde no bairro Juvevê, em Curitiba, carrega muito mais que um café, sustenta lutas, esperanças e gana da família Andrade
Por Ana Collita
"Eu sou uma sonhadora mesmo, descobri que não me contento com sonhos pequenos."
A ideia de ter um negócio sempre esteve na cabeça da psicóloga, Noemi de Andrade, porém, por muito tempo, preferiu investir em sua carreira na área da saúde. Morava em Rio das Ostras, no Rio de Janeiro. Lá, fez cursos e chegou até a criar projetos relacionados à gastronomia, mas nenhum saiu do papel. Até que, em 2023, seu filho veio para Curitiba e, a partir desse momento, o rumo da família mudou.
Com dificuldades de encontrar trabalho em sua área, Renan de Andrade, passou a olhar com outros olhos para a ideia da mãe, mas ainda com bastante ressalva, "Eu tinha muito medo de que esse sonho de abrir um café pudesse se tornar uma história de terror. Porque a minha mãe sonhava muito com essa ideia, sempre foi sonhadora. Eu achava que ela pudesse estar nas nuvens demais e ignorando um pouco as dificuldades de entrar nessa história". As incertezas ainda cercavam Renan, porém, após muitas conversas, o filho passou a comprar a ideia. E foi assim que o Môme Café começou a surgir.
O apoio veio principalmente do núcleo familiar, um coletivo trabalhando e lutando pelo mesmo objetivo. "Eu tive apoio do meu marido, um apoio financeiro, inclusive. Para montar isso aqui (o café), foi uma obra de quase um ano. O maior apoio foi o núcleo familiar mesmo, eu, meus dois filhos, meu marido. Foi montado assim, dentro dessa esfera", conta Noemi de Andrade.
Para Renan de Andrade, outra figura foi muito importante na sua caminhada, "Minha companheira. Ela me ajudou a entender, verbalizar e elaborar, a ter discernimento. Ela tinha um restaurante, e me ajudou muito a tentar entender onde eu estava pisando, porque era totalmente fora da minha realidade. Eu nunca me imaginava sendo empreendedor".
Foi um processo difícil, com muitos gastos, incertezas e discussões, mas tudo valeu a pena quando a porta de entrada abriu pela primeira vez, "Tudo se estabilizou, a gente começou a entrar em uma harmonia incrível de mãe e filho, de sócios, de colegas de trabalho. A gente montou tudo, tudo nós dois sozinhos, cada detalhezinho do café", comenta a cozinheira do Môme, Noemi de Andrade.
Foi uma montagem pensada, estruturada e realizada pela família. Cada canto decorado traz uma história, cada quadro pintado uma lembrança, cada planta do jardim um cuidado tudo isso cercado pela parede emblemática de cor amarela.
Um lugar afetivo, onde percebe-se o sonho familiar no ar. É possível se sentir bem-vindo antes mesmo de entrar, sendo confortado pela música, pela luz natural e pelo cheiro de café. "Eu acho que a minha mãe acabou abdicando, muitas vezes, dos próprios projetos em prol da família. E de repente você vê sua mãe com nos altos dos seus 60 anos realizando sonhos. É muito bom estar de mãos dadas com ela e vendo ela fazer, ela teve muita coragem.", finaliza o barista do Môme Café, Renan de Andrade.