“Comecei com dois fios de novelo, cara e a coragem”, relata Gisele Toniolo, feirante há 27 anos
“Comecei com dois fios de novelo, cara e a coragem”, relata Gisele Toniolo, feirante há 27 anos
O apoio ao empreendedorismo veio de familiares e até concorrentes da feira da Praça Santos Andrade
Por Juan Victor, Flavio Roni Leske Filho e Gabriel Mecenas
Gislaine Toniolo ficou grávida, viúva e cuidava de duas filhas quando decidiu apostar no empreendedorismo, porque queria mais tempo, dinheiro e autonomia, e optou pelo artesanato de rua. Sem condições de prosseguir com o negócio sozinha, familiares se juntaram, fornecendo dinheiro para contas primordiais, a matéria prima para a produção das primeiras peças, fios e agulhas, e o alvará. Ela usou da dificuldade para iniciar sua vida de feirante, e apesar de insegura, não recuou.
Ela é familiarizada com a arte desde os 11 anos, quando aprendeu com a avó de uma vizinha e a mãe, que foi feirante do Largo da Ordem, a crochetar. Aos 14, ingressou em um curso básico de balconista, em que aprendeu postura e profissionalismo como vendedora. Aos 32 anos, em 1999, ela abriu a própria barraca na Praça Santos Andrade, hoje com peças de artesanato de exclusiva autoria.
No início os produtos eram jogos de banheiro, portas e tapetes feitos de crochê. Com pouca variedade em meio a tantos feirantes, as peças da artista não eram tão requisitadas, o que resultou em uma baixa margem de lucro. Os seus parceiros de feira, então, a ensinaram a produção de bijuterias, e também forneceram peças prontas para a venda. Em especial um artesão concorrente que a presenteou com o primeiro painel de bijuterias, com diversos produtos produzidos por ele.
A expansão para as bijuterias se tornou parte fundamental para seu lucro, representando ao menos 50% de todos os seus produtos atualmente, devido à demanda.
Gisele cresceu como comerciante, se consolidou dentro da feira e novas pessoas conheceram o seu trabalho. Dentre a nova freguesia, conheceu uma estilista, que a contratou como mão de obra para a produção de peças de crochê dos moldes criados pela artista, que eram vendidos para o exterior. Apesar da feirante não ter permissão de vender as peças da designer na própria barraca, a experiência de produzir novas confecções refletiu no aperfeiçoamento e melhora de diversas vestimentas de crochê.
A história de Gislaine Toniolo exemplifica como o apoio, seja financeiro ou educacional, pode transformar completamente a vida e a renda de uma família toda.