Por Bernardo Bittencourt
Em meio às adversidades, a expressão artística frequentemente se revela como uma ferramenta de transformação e de subsistência. Essa perspectiva fundamenta a trajetória de Juliana Cidale, curitibana com formação em Letras que encontrou na confecção de bijuterias e acessórios os recursos necessários para reestruturar sua trajetória pessoal e profissional.
A transição na vida de Juliana ocorreu após um acidente automobilístico que resultou na perda de quase toda a sua família. Diante do ocorrido, ela assumiu a responsabilidade pelos cuidados de seu pai, enfrentando um período de 90 dias de internação hospitalar e, posteriormente, mais cinco anos de assistência intensiva em ambiente doméstico. Foi durante a permanência no hospital que as primeiras peças começaram a ser desenvolvidas como uma alternativa de ocupação para preencher o tempo.
O trabalho inicial rapidamente mobilizou uma rede de apoio e solidariedade. Amigas próximas passaram a intermediar as vendas, levando os produtos para ambientes de trabalho, salões de beleza e estabelecimentos comerciais. O período de acompanhamento hospitalar também possibilitou a construção de novos laços sociais, atraindo pessoas interessadas em colaborar tanto com a divulgação do artesanato quanto com o suporte nos cuidados diários de seu pai, evidenciando o impacto do acolhimento emocional no processo.
O crescimento da marca ocorreu de forma orgânica, impulsionado pela divulgação boca a boca. Contudo, a principal virada comercial do negócio aconteceu de maneira imprevista, após a aquisição de um dos produtos por uma personalidade pública. A exposição resultou em um incremento imediato na base de clientes digitais da empresa, elevando o volume de seguidores em redes sociais de 3 mil para 15 mil em curto espaço de tempo, o que impulsionou a visibilidade dos artigos no mercado.
Apesar da expansão, a gestão do negócio próprio impõe desafios constantes relacionados à resiliência operacional. A empreendedora observa que, embora muitas pessoas tenham ingressado no mesmo segmento na época em que começou, poucas permaneceram ativas devido às oscilações sazonais e de vendas comuns ao mercado autônomo, o que exige persistência para a manutenção da marca a longo prazo.
Atualmente, a experiência adquirida por Juliana foi direcionada para o desenvolvimento de um projeto social voltado ao atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade social em Curitiba e na Região Metropolitana. A iniciativa tem como objetivo central capacitar as participantes na produção de bijuterias, oferecendo uma alternativa de reabilitação emocional e uma nova vertente de geração de renda familiar.
O processo de superação e reestruturação permanece contínuo na rotina da empresária, que aponta o suporte familiar e o compromisso com sua filha, pai e esposa como os principais fatores de motivação para dar sequência ao trabalho e enfrentar as exigências do mercado empreendedor.