Os gráficos são “uma forma de apresentação dos dados estatísticos, cujo objetivo é o de produzir, no investigador ou no público em geral, uma impressão mais rápida e viva do fenômeno em estudo” (CRESPO, 2002, p. 38). Este mesmo autor, ainda, acrescenta que a representação gráfica deve obedecer alguns requisitos, tais como: simplicidade, clareza e veracidade. Confirmando o defendido por Vendramini, Cazorla e Silva (2009),
O gráfico estatístico é uma figura utilizada para representar dados, de maneira simples, legível e interessante, evidenciando características que poderiam passar despercebidas nas tabelas e permitindo comparações dos resultados, poupando assim tempo e esforço na compreensão dos dados numéricos. (p. 178).
Essas mesmas autoras indicam os elementos considerados essenciais em um gráfico. São eles:
• Título da Figura: é o elemento de identificação ordenada da figura.
• Escala: é uma sequência ordenada de valores que descreve o campo de variação do fenômeno. Mostra comparações e distribuições de variáveis de um conjunto de dados em valores absolutos ou relativos em escala vertical (eixo das ordenadas) escrita de baixo para cima e à esquerda do eixo; e/ou horizontal (eixos das abscissas) escrita da esquerda para a direita e embaixo do eixo. Os eixos devem ser identificados com os nomes das variáveis ali representadas e incluir a unidade de medida.
• Fonte: o objetivo principal da fonte é informar a procedência original dos dados.
• Nota: é utilizada sempre que for necessário indicar a natureza geral das informações contidas no gráfico.
• Chamada: é utilizada sempre que for necessário indicar a natureza específica de alguma informação contida no gráfico.
• Legenda: é a descrição das convenções utilizadas na elaboração do gráfico (cores, hachuras, etc) que deve estar contida dentro dos limites do gráfico. (VENDRAMINI; CAZORLA; SILVA, 2009, p. 177-178, grifo das autoras).
Os gráficos mais comuns são o gráfico de barras/colunas, gráfico de setores, gráficos de linhas/segmentos e gráficos pictóricos. Sobre a utilização da representação gráfica, Van de Walle (2009, p. 491) assevera que “diferentes técnicas gráficas ou tipos de gráficos podem fornecer uma imagem instantânea diferente dos dados como um todo”. E por isso, é imprescindível que se conheçam os tipos de gráficos e em quais casos cada um deles é mais indicado.
O gráfico de setores é usado segundo Cazorla e Oliveira (2010, p. 128) “ para variável categorizada, e é representado por um círculo que está dividido em setores, cujos ângulos são proporcionais à frequência que lhes corresponde”. Sobre esse tipo de gráfico Cazorla e Santana (2009) chamam a atenção de que ele “tem um apelo visual muito grande e deve ser utilizado quando se quer passar a informação geral” (p. 15) mas ao mesmo tempo fazem uma ressalva, mencionando que esse tipo de gráfico “não deve ser utilizado quando a variável possui muitas categorias, quando se deseja transmitir padrões de comportamento, tendências ou precisão; neste caso, é preferível o gráfico de barras/colunas” (p. 15).
Esses mesmos autores recomendam a construção de gráficos de barras ou colunas para representar variáveis qualitativas. E sua construção é “constituído por barras, horizontais ou verticais, de comprimento (altura) proporcional à sua frequência” (CAZORLA E OLIVEIRA, 2010, p. 129), sendo adequados quando “se deseja comparar comportamentos ou tendências, no caso de variáveis ordinais” (CAZORLA; SANTANA, 2009, p. 30). Em relação ao gráfico de barras, destacam que estes gráficos
[...] podem combinar mais de uma variável, como por exemplo, a distribuição do gosto pela Matemática quanto ao sexo, para analisar visualmente se existe relação entre essas duas variáveis. Neste caso, recomenda-se a utilização da frequência relativa (porcentagem), pois permite a comparação entre os sexos, a despeito da ordem de grandeza (CAZORLA; SANTANA, 2009, p. 17).
Essa variação do gráfico de barras ou colunas é chamado de “gráfico de barras duplas” ou “gráficos de barras lado a lado”, possibilitando a comparação de duas ou mais variáveis. E ainda, “gráfico de barras lado a lado e o de barras empilhadas mostram a mesma informação, diferem apenas no modo de apresentação” (CAZORLA; SANTANA, 2009, p. 33). Assim, Van de Walle (2009) indica que um gráfico de linha ou segmentos deve ser utilizado
Quando existe um valor numérico associado com pontos igualmente espaçados ao longo de uma escala numérica. [...] Por exemplo, um gráfico de linha poderia ser usado para mostrar como o comprimento de uma sombra do mastro de uma bandeira muda de uma determinada hora a hora seguinte no dia. No exemplo da sombra, existe uma sombra a toda hora, mas seu comprimento não saltou ou pulou de um valor plotado ao outro. Ele mudou continuamente como sugerido pelo gráfico (p. 495).
E esse mesmo autor pondera que, o gráfico de linhas ou segmentos “não seria apropriado para um gráfico das cores favoritas dos estudantes porque não há ordenamento natural, nem existem valores entre as cores. Para esses gráficos, um gráfico de barras seria mais apropriado” (VAN DE WALLE, 2009, p. 496).
Os gráficos pictóricos por sua vez são comuns em informações divulgadas pela mídia e são muito importantes quando o trabalho de construção de gráficos é realizado com crianças pequenas ou alunos que ainda não conheçam o plano cartesiano, representando variáveis categorizadas. Na sua construção utiliza-se símbolos ou ícones representando o objeto de estudo (CAZORLA; OLIVEIRA, 2009). Van de Walle (2009) compara os gráficos de barras ou colunas e os gráficos se setores, mencionando que
Gráficos de barra e gráficos circulares (gráficos de porcentagem) mostram cada um como os dados se agrupam em diferentes categorias. O gráfico circular enfoca mais os valores relativos desse aglomerado enquanto o gráfico de barras acrescenta uma dimensão de quantidade. A escolha de quais e quantas categorias usar nesses gráficos cria diferentes imagens ou panoramas da forma dos dados. (p. 491).
O autor deixa claro que apesar de os dois tipos de gráfico mostrarem como os dados se agrupam em categorias, cada um deles dá uma ideia diferente dos dados coletados. Importante nesse momento é que o pesquisador saiba qual o seu objetivo com a pesquisa para definir o mais adequado a situação. Assim, para Van de Walle (2009, p. 502) “a escolha e a interpretação dos gráficos são mais importantes que a habilidade de construir e fazer os cálculos”.