Estaca Hélice contínua monitorada.
As fundações são uma etapa crucial de uma edificação. Imagine o quão difícil é resolver um problema oculto na fundação. Quando se trata de estacas hélice contínua, o problema pode ser ainda maior, uma vez que esses elementos podem chegar a até 30 metros de profundidade. Então, surge a pergunta: como garantir a qualidade desses elementos estruturais?
A estaca hélice contínua pode ser descrita como uma estaca moldada in loco, composta por três etapas executivas: perfuração com trado helicoidal, concretagem simultânea à retirada do trado e inserção da armadura.
Garantir a qualidade é possível, e para isso existem ensaios que visam testar a integridade e a resistência da estaca após sua execução. Neste artigo, iremos explicar e mostrar o funcionamento do teste de integridade de estacas - Pile Integrity Test (PIT).
Execução de Estaca hélice contínua monitorada
Fonte: GeoFix
Aparelho PIT
O teste é classificado como um ensaio não destrutivo, utilizado para obter informações sobre a continuidade, consistência dos materiais empregados e as dimensões físicas das estacas (SILVA, 2018).
A forma usual de realizar esse ensaio é por meio de um impacto com um martelo na cabeça de uma estaca instrumentada com um acelerômetro. O golpe gera uma onda que se propaga ao longo do comprimento da estaca, cuja velocidade é determinada pelas características do material da estaca. Durante a propagação, a onda sofre reflexões que devem ser analisadas. Dependendo da dispersão dessas reflexões, a estaca pode estar ou não íntegra.
Recomenda-se a aplicação de vários golpes sequenciais, para que o equipamento PIT tire a média dos sinais correspondentes. Esse procedimento possibilita a "filtragem" de interferências randômicas, destacando no sinal apenas as variações geradas pelas reflexões da onda (PEREIRA, 2022).
O PIT pode identificar falhas como: estrangulamento do fuste, nichos de concretagem, fissuras, trincas e também confirmar o comprimento da estaca.
As estacas devem estar devidamente arrasadas e com todo o concreto de má qualidade eliminado. Para isso, utilizamos um martelete e uma lixadeira com um disco de desbaste, a fim de deixar a superfície plana e lisa.
Outro detalhe importante é que não pode haver argamassa ou outro tipo de material, pois os golpes aplicados devem ser no mesmo material do restante da estaca.
Outro fator essencial para a realização do ensaio é que a resistência nominal do concreto já tenha sido atingida. Esse item é exigido porque o processo de cura do concreto muitas vezes não é homogêneo ao longo do fuste da estaca, podendo ocorrer variações de resistência do concreto ao longo do fuste, e essas variações serão detectadas pelo ensaio como possíveis danos.
Estacas preparadas para receber o PIT
O teste é realizado de forma rápida;
Ensaio não destrutivo
Comparado a outros métodos de avaliação de estacas, o PIT é relativamente mais econômico;
O teste fornece informações detalhadas sobre a integridade e a continuidade das estacas;
Pode ser utilizado em diferentes tipos de estacas, independentemente do material ou do método de instalação;
Contribui para a segurança da estrutura ao identificar possíveis problemas nas estacas antes que se tornem críticos;
A execução do teste PIT é relativamente simples e requer menos preparação em comparação a outros métodos de teste.
Resultado do teste PIT
REFERÊNCIAS
SILVA, Jackson. Boas Práticas para Execução da técnica de Fundações em Estacas Hélice Contínua. Dissertação (Mestrado em Estruturas e Construção Civil) – Instituto de Pesquisas Tecnológias do Estado de São Paulo – IPT, São Paulo/SP, p. 111. 2018.
Pereira, yani gonçalves. PATOLOGIA EM ESTACA TIPO HÉLICE CONTÍNUA: ESTUDO DE CASO. trabalho de conclusão de curso - universidade Federal do fluminense,. Niterói ,2022.