✳️Eixos Temáticos✳️

O tema “Políticas do Viver: caminhos ancestrais na dança da vida” expressa a necessidade urgente de repensar os modos de viver, cuidar e conviver em um contexto marcado pelo aumento do sofrimento psíquico, pelas profundas desigualdades sociais, pelas crises ambientais e pelo enfraquecimento dos vínculos comunitários.

Diante desses desafios, torna-se fundamental fortalecer abordagens que integrem saúde, educação, cultura e meio ambiente, reconhecendo a vida como valor central das políticas públicas e das práticas sociais. Inspirado pelo Princípio Biocêntrico e pelo método vivencial da Biodança, o ENEB propõe um espaço de encontro, reflexão e vivência, onde os caminhos ancestrais, o afeto, a arte e a diversidade se entrelaçam como forças de cuidado, resistência e regeneração da vida.

Os eixos temáticos a seguir expressam essas múltiplas dimensões do viver, convidando à construção coletiva de práticas e saberes comprometidos com a dignidade, a justiça social, a democracia e a celebração da vida em todas as suas formas. São eles:


1. Dançar para o ENCONTRO AMOROSO

Esta temática estará sempre presente em todos os movimentos da Biodança, uma vez que Rolando Toro a define como uma “poética do encontro”. Este eixo abrange trabalhos e vivências que têm o afeto como mediação e potência de transformação dos contextos sociais e pessoais, considerando o amor como uma força ética e política de resistência ao individualismo, ao caos e às diversas formas de opressão que ameaçam a vida.

2. Dançar para a INCLUSÃO SOCIAL, SAÚDE E DIVERSIDADE

Neste eixo serão reunidos trabalhos de Biodança que fazem a ponte entre as vivências em sala e sua radicalização nos contextos sociais, especialmente aqueles que envolvem experiências exitosas em trabalhos comunitários com populações em situação de desigualdade social e com grupos historicamente minorizados, como mulheres, população LGBTI+, comunidades quilombolas, povos indígenas, entre outros.
Incluem-se também experiências relacionadas às Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), no campo da saúde coletiva, com foco na promoção da equidade, do cuidado integral e da justiça social.

3. Dançar para a INTEGRAÇÃO DE GERAÇÕES E ANCESTRALIDADE

Este eixo acolhe trabalhos e vivências que evidenciam a importância das especificidades das diferentes fases do desenvolvimento humano, bem como a riqueza da integração entre gerações — crianças, adolescentes, jovens, adultos e pessoas idosas. Inclui vivências que valorizam a convivência intergeracional, a transmissão de saberes ancestrais, a memória viva da cultura e as práticas de Biodança no contexto familiar e comunitário.

4. Dançar para uma EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA BIOCÊNTRICAS

Este eixo acolherá pesquisas, reflexões e vivências que compreendem a educação como um ato político, favorecendo processos de reflexão crítica, diálogo participativo e corresponsabilidade. Abrange práticas de educação biocêntrica, experiências formativas e iniciativas comunitárias que fortalecem políticas do viver, especialmente nos campos da cidadania, da democracia, da participação social, da convivência e da construção coletiva.
A educação, a democracia e a cultura são aqui vivenciadas seguindo os ritmos e melodias do método vivencial da Biodança.

5. Dançar a ARTE, A CULTURA E A NATUREZA EM NÓS

“O mundo é originariamente um paraíso e o ser humano é um ser maravilhoso, porém, isto é uma linguagem esquecida. É importante compreender que a possibilidade de viver no amor existe. Nossa cultura deve renascer no Princípio Biocêntrico, que propõe uma sociologia da felicidade, uma cultura para a vida e não uma cultura da morte. Devemos aprender a colocar a vida no centro.”
(Rolando Toro)

Neste eixo temático, o Princípio Biocêntrico é vivenciado como caminho de conexão consigo, com o outro e com a natureza, por meio da exaltação da sacralidade da vida, da arte e da cultura, reconhecendo-as como expressões essenciais do viver.