A Biodança é um sistema de integração afetiva, renovação orgânica e reaprendizagem das funções originárias da vida. Criado por Rolando Toro Arañeda (1924–2010), o sistema expandiu-se globalmente a partir de experiências desenvolvidas no Chile, Argentina e Brasil, alcançando, atualmente, os cinco continentes.
No Nordeste brasileiro, essa história de amor à vida teve início em 1980. Foi em Fortaleza que Rolando Toro e Cezar Wagner decidiram semear a expansão do movimento na região, culminando na realização do 1º Encontro Nordestino de Biodança, em 1981.
O tema do 35º Encontro Nordestino de Biodança (ENEB) dialoga com os debates contemporâneos sobre saúde integrativa e saúde planetária, reconhecendo a profunda interdependência entre a saúde humana e o meio ambiente. Essa perspectiva se alinha aos desafios impostos pelas mudanças climáticas e às discussões internacionais em defesa da preservação da vida, como as que emergem em espaços como a COP-30. Nesse contexto, a Biodança, reconhecida como Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS) no SUS, reafirma seu compromisso com políticas públicas de cuidado, equidade e dignidade.
Ao propor os caminhos ancestrais na dança da vida, o ENEB se configura como um espaço de encontro entre facilitadores, estudantes, educadores biocêntricos, profissionais da saúde, gestores públicos e a comunidade em geral. O evento promove vivências, reflexões e educação política, fortalecendo a integração entre saberes, gerações e territórios. Assim, contribui para a consolidação da Biodança como uma prática ética, integrativa e socialmente comprometida, alinhada à construção de uma cultura democrática biocêntrica e às políticas do viver.