Juntos na iniciativa #tmj1MiO, um grupo de jovens se mobilizou na ideia de midiativismo e resolveu ir às ruas mostrar que todos devem reconhecer seus direitos.
Em anos como esses, é de suma importância reconhecermos nossos direitos e lutar por eles. EDUCAÇÃO É NOSSO DIREITO E DEVER DO ESTADO! Lutemos por uma população estudada.
A PANDEMIA
A educação formal no Brasil, que já vinha passando por processos de desmonte, sofreu um impacto negativo causado pela COVID-19, que ocasionou medidas de distanciamento social, e com isso o fechamento de escolas, situação que obrigou os docentes e estudantes a se adaptarem ao universo tecnológico. Nesse contexto pandêmico ficaram evidenciadas as desigualdades sociais presentes no país, de classe, racial, gênero, regionalidade ou qualquer outro fator.
No âmbito escolar verifica-se que na América Latina e no Caribe, o índice de crianças e adolescentes que não recebiam educação formal passou de 4% para 18% (UNICEF, 2020), no Brasil essa realidade é semelhante de acordo o estudo "Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia", feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no ano de 2020, no qual foi visto nos diversos níveis de ensino, da pré-escola até a pós-graduação, que 6 milhões de estudantes não tinham acesso a internet banda larga ou 3G/4G no domicílio, o que os deixavam impossibilitados de participarem do ensino remoto, sendo que 5,8 milhões eram da rede pública de ensino (UNICEF, 2020).
Quando observado o perfil dos estudantes que não tinham acesso à educação pela falta de condições objetivas para acompanhar as aulas remotas percebe-se que era formado majoritariamente pela população negra em situação de vulnerabilidade social, onde a renda mensal familiar não chega a 1 salário mínimo (UNICEF, 2020). A população negra teve seus direitos negados mesmo após o fim da escravização, tendo sua liberdade formal, mas sem subsídios para a construção de vidas dignas, situação refletida nos diferentes âmbitos sociais, seja na escola, trabalho, habitação, saúde. Essa população ainda sofre com essa herança colonial, embora políticas públicas, como a de cotas no Ensino Superior, através da reparação histórica, tenta-se reverter a marginalização desse grupo.
O fechamento das escolas e a falta de condições por parte dos estudantes para acompanhamento do ensino remoto gerou taxas elevadas de evasão, que se agravam quando comparadas às regiões do país.
Em relação às regiões, Norte (28,4%) e Nordeste (18,3%) apresentaram os maiores percentuais de crianças e adolescentes de 6 a 17 anos sem acesso à educação, seguidas por Sudeste (10,3%), Centro-Oeste (8,5%) e Sul (5,1%). A exclusão foi maior entre crianças e adolescentes pretos, pardos e indígenas, que correspondem a 69,3% do total de crianças e adolescentes sem acesso à Educação (UNICEF, 2021, p.1).
Em consonância com os dados é perceptível que as regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas pela crise.
O Sistema de ensino do Brasil não estava preparado para a adaptação para o meio eletrônico, e com isso enfrentou e vem passando grandes desafios, como a falta de suporte e formação para os docentes para o uso de plataformas digitais para auxiliar no ensino, ausência de suporte pedagógico aos estudantes e professores, carga horária excessiva frente a telas digitais. Conforme a pesquisa realizada em maio de 2020, pelo Instituto Península, na qual teve como amostra 7.734 docentes do país, 83% declararam que não estavam preparados para o ensino na modalidade remota e 88% nunca tinha dado aula de forma virtual antes da pandemia (INSTITUTO PENÍNSULA, 2020).
OS PROFESSORES
O novo cenário da pandemia no Brasil, um dos países com mais número de casos e mortes, implicou uma adoção de medidas econômicas, políticas, sociais e sanitárias em todos os Estados, como foco o distanciamento social, a redução de propagação do vírus e a prevenção do colapso de sistema de saúde mundial. A preocupação com a transmissão entre docentes, discentes e funcionários, às Instituições de Ensino do Brasil suspenderam as aulas presenciais e adotaram estratégias de ensino e aprendizagem virtuais, com o objetivo de reduzir o índice de evasão escolar, e prosseguir com as atividades acadêmicas.
Contudo, a urgência de adesão ao ensino remoto para atender à demanda atual do momento se tornou um grande empecilho para os professores. As adversidades impostas pelo âmbito inteiramente atípico, combinado por cobranças, pânico, incertezas, dúvidas e expectativas — destinou-se aos docentes uma urgência genuína e inequívoca: reinventar e inovar suas estratégias pedagógicas, preservando, no mesmo período, a qualidade do ensino.
Igualmente, a nova realidade educacional tem exigido mudanças permanentes e temporárias quanto a utilização de meios de Tecnologias de Informação e Comunicação na perspectiva crítica, reflexiva, interativa e motivacional para os estudantes. Tais mudanças evidenciam os obstáculos e responsabilidades da classe docente universitária e básica.
A partir da necessidade de mudança nesse novo ambiente virtual, e com o objetivo de observar como está a situação dos profissionais de educação, especificamente os professores, a equipe de voluntários do projeto 1 Milhão de Oportunidades (1MIO), que é desenvolvido por voluntários do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) com o objetivo de ajudar jovens a terem acesso ao mercado de trabalho e a conhecimentos sobre o mesmo, desenvolveu a pesquisa Visão dos Professores, que possui como objeto dar voz a esses profissionais com a finalidade de entender e compreender a partir de suas experiências os desafios e estratégias no período de ensino remoto e isolamento social.
Sabe-se que o momento atual tem exigido mudanças repentinas no mundo educacional, que provavelmente irão se perpetuar a longo prazo, sobretudo em um âmbito pandêmico cujo fim é indefinível. Como forma profilática de redução de propagação e colapso mundial, a necessidade de interromper as atividades do campo educacional e a qualidade do ensino foram resumidas no mundo tecnológico, pautadas pelo pelo aperfeiçoamento e flexibilidade, com maior alcance geográfico e temporal. Entretanto, aos professores foi atribuído o importante ofício de virtualizar o processo educativo em fase recorde sem apoio.
O estudo dos voluntários da 1MiO procurou compreender os empecilhos de 181 docentes de todas regiões e o impacto da pandemia da Covid-19 no ensino online do país. No que concerne às perspectivas comunicativas, salientam-se os “monólogos digitais”, evidenciados pelo empobrecimento da comunicação, partilha de vivências, expressões, sentimentos, emoções, conhecimentos, práticas e saberes entre docente e discente. A ausência de interação nas plataformas digitais, o face a face, bem como a opção de desativar a câmera e o microfone, consolida a lógica de uma direção só, aumentando mais ainda a sensação dos professores de estarem falando sozinhos.
Paradoxalmente, como tópicos sociais, sobressaem as incompatibilidades do home-office e atividades domésticas. Dessa forma, o distanciamento físico, adaptação da nova tecnologia, têm causado a sensação de perda da vida privada. A vida online e offline fundiram-se em suas rotinas diárias e foram mudadas exponencialmente.
Em relação aos aspectos tecnológicos, evidenciam-se a falta de recursos e a ausência de manejo em tecnologias. Habituados com giz e quadro, a mudança repentina na forma de ensino obrigou-os a familiarizar-se sozinhos com os aplicativos educacionais que jamais foram ensinados nos cursos de Licenciatura. A falta de equipamentos para ministrar aulas remotas também foi bastante mencionada, chegando a afirmar o descaso das instituições para com os professores em auxiliá-los com cursos de capacitação tecnológica para melhorar o suporte didático.
É imprescindível sobressair que dentro da lógica educativa e formativa, é indispensável disponibilizar aos professores carga horária para planejamento, organização das disciplinas e capacitação. Uma modificação imediata do modelo educacional tradicional sem a devida capacitação docente pode surgir efeitos negativos na eficácia, na qualidade do ensino e no desempenho destes profissionais. A função central do professor não é adotar recursos digitais de forma aleatória, ou adequar tecnologias prontas - mas assumir completamente o dever de construtor e direcionador do conhecimento. Isso implica em preparar e ajustar suas aulas e disciplinas para este novo formato online, de acordo com as necessidades de aprendizagem dos estudantes, buscando alternativas didáticas adequadas e personalizadas que estimulem a participação, a inserção e a absorção do conhecimento.
OS ALUNOS
Além dos professores, os estudantes também sofreram as consequências da adoção do ensino remoto. Devido a o Brasil ser um país marcado por uma grande desigualdade social, grande parte dos estudantes de escolas públicas não possuem computador em casa ou acesso a internet e, consequentemente, essa falta de material tecnológico impede que os alunos assistam corretamente as aulas. Segundo a pesquisa da Datafolha, anteriormente citada, quase a metade dos estudantes não teriam, segundo seus familiares, equipamentos e condições de acesso adequados para o contexto da educação não presencial (Datafolha, 2020). Sendo assim, os estudantes ficaram desestimulados com o aprendizado, de modo que a evasão escolar teve um aumento significativo durante a pandemia. O percentual de alunos sem motivação para estudar saiu de 46%, em maio, e chegou a 54%, em setembro. O contratempo em se organizar para estudar em casa também aumentou, de 58% para 68%, no mesmo período (Datafolha, 2020). Entretanto, não só os alunos da rede pública foram afetados, pois os colégios particulares observaram quedas nos rendimentos escolares dos estudantes. Isto pode ser explicado pelo fato de que a juventude, em geral, não estava acostumada com as rotinas de estudo com a educação virtual, que muitas vezes não corresponde às capacidades dos estudantes por estudarem apenas em casa, em situações adversas algumas vezes. Dessa forma, a saúde mental de muitos estudantes foi prejudicada, pois torna-se mais corriqueiro crises de ansiedade e/ou até mesmo depressão entre os jovens. Sete a cada dez universitários brasileiros (76%) declaram que a pandemia trouxe impacto na saúde mental, o maior índice registrado em 21 países analisados. Para a maior parte (87%), houve aumento de estresse e ansiedade. Somente 21% buscou ajuda, e 17% declararam apresentar pensamentos suicidas. (Global Student Survey, 2020).
A partir do que foi analisado anteriormente, é certo que a insuficiência do acesso e políticas públicas pertinentes para a Educação Brasileira impactam a eficácia do ensino público e privado. O Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e o Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) avaliaram a produtividade dos planos de educação remota de estados e capitais. Os resultados, mensurados entre março e outubro de 2020, mostram um cenário bem ruim: a nota média dos planos estaduais no Índice de Educação à Distância foi de 2,38 (de 0 a 10) e de 1,6 para os das capitais. A imprecisão do futuro, por conclusão, aliado à crescente falta de acesso, desigualdade social, sistemas de saúde em colapso, tendendo assim a piorar o rendimento e o abandono dos estudos de quem está na escola pública.
CONCLUSÃO DE NOSSA PESQUISA
De acordo com o que foi apontado, desde o ponto de vista dos estudantes afetados, e do perfil que estes apresentam, dos professores, desolados e despreparados para o ambiente de ensino virtual, ambas as partes em um cenário de pandemia imprevisível e que continua a trazer incertezas a respeito da qualidade do serviço prestado: de fornecer uma educação minimamente digna à população.
Enquanto não houver capacitações para possibilitar uma maior inserção dos professores no uso da tecnologia e da transformação de sua forma de ensinar, que convencionalmente foi desenvolvida para o mundo presencial, não haverá evolução na qualidade da educação em um mundo pandêmico. Da mesma forma para os estudantes, que não tem os equipamentos e acesso a internet suficientes para acessarem as aulas e materiais a serem repassados via internet.
Portanto, é imprescindível a necessidade de mudanças urgentes e permanentes na educação brasileira. Aos professores, oferecer cursos de informática e gestão do tempo, a fim de melhorar o seu relacionamento com os instrumentos tecnológicos e saber gerir o tempo devido ao maior trabalho que é realizado agora por eles. Também é essencial estabelecer um projeto com psicólogos e psicopedagogos para auxiliar os professores no decorrer do ano letivo, com o intuito de combater o estresse e saber como lidar com os estudantes neste momento. Para os alunos, possibilitar o acesso à internet e dos equipamentos a quem não tem condições financeiras, reduzir a carga horária das aulas, oferecer atendimento psicológico, além de criar um projeto de recuperação letiva para aqueles que não conseguiram aprender o suficiente.
REFERÊNCIAS