A Meditação Introspectiva é uma prática que purifica a mente e alivia a tensão do corpo. As técnicas de meditação que cultivam a introspecção, a contemplação, a autoanálise e a observação das sensações corporais e/ou experiências vividas são referidas como Meditação Introspectiva.
Foi o Buda que originalmente desenvolveu e ensinou Vipassana; um termo que significa “visão” ou “penetração na realidade”. Buda descobriu três níveis de treinamento que o praticante precisava passar a fim de alcançar o estado em que ele ou ela poderia separar-se dos pensamentos, permitindo que se possa ver o processo mente-corpo acontecendo.
Isso leva o praticante a testemunhar a verdadeira natureza de todas as coisas externas. À medida que o praticante passa por estes três níveis, ele torna-se consciente dos pequenos movimentos e ocorrências na vida, momento a momento. A percepção aumenta e ele passa a observar seus próprios pensamentos, reconhecendo o surgimento, continuidade e declínio de cada pensamento que passa. Através destes níveis de revelação, levanta-se o véu que cobre as características de impermanência física e mental, e o praticante progride em direção à iluminação.
História
A Meditação Introspectiva é considerada uma técnica de meditação antiga descoberta por Siddhartha Gautama há mais de 2500 anos. A contemplação dos ensinamentos budistas auxilia-nos no caminho da Vipassana, aumentando a consciência e sensibilidade do ‘Eu’ e todas as formas de vida.
Originalmente, o Budismo foi desenvolvido a partir dos conhecimentos e ensinamentos de Buda que surgiram a partir de suas revelações em seu caminho para a Iluminação. Vipassana é o ápice da experiência e conquista da iluminação alcançada por Buda, que veio a se tornar uma técnica aplicável que ele ensinou à humanidade, permitindo que as pessoas alcancem sua própria iluminação.
Desde então, Vipassana é praticada em todo o mundo. Esse tipo de meditação é frequentemente ensinado dentro das práticas tradicionais da Índia, aderindo estritamente às diretrizes originais de Buda. Ela também é ensinada em formas mais gerais, sob o termo “Meditação Introspectiva”, que é um termo mais abrangente e que engloba vários tipos de meditações contemplativas, todos levando à introspecção, mas que ainda são evoluções do ensino tradicional da Vipassana.
Aprofundando
Nos ensinamentos tradicionais da Meditação Vipassana, os praticantes contemplam as Quatro Nobres Verdades da tradição Budista. Essas verdades são fundamentais para os ensinamentos budistas e para o foco sobre a natureza do “dukkha” um termo que significa “sofrimento”, “ansiedade”, “estresse” e “insatisfação.”
As Quatro Nobres Verdades são: a verdade, a origem, a cessação e o caminho que conduz à cessação do sofrimento (dukkha). Em formas modernas, a técnica de Vipassana é simplesmente uma meditação que se concentra na experiência imediata do que está acontecendo no corpo e a capacidade de observar tal experiência, que é um processo de erradicação do sofrimento, ansiedade, estresse e insatisfação (dukkha).
Isso é alcançado através de varredura do corpo da cabeça aos pés, tornando-se cada vez mais consciente das sensações que surgem e passam. Os três treinamentos ministrados por Buda para auxiliar o progresso no caminho espiritual de Vipassana abrange diretrizes cuja adesão é necessária, a fim de atingir níveis mais elevados de concentração e consciência.
O primeiro treinamento é “sila”, que pede à pessoa se abster de matar, da atividade sexual, dizer mentiras, roubar e de utilizar qualquer substância intoxicante. Esta é a primeira exigência quando se pratica Vipassana. Seguir estas regras é essencial para a segunda parte do treinamento, “samadhi”, que é a concentração da mente. Uma vez que a mente consegue se concentrar de forma diligente e o corpo torna-se mais sensível às sensações, o terceiro treinamento, “panna”, começará o processo de purificação. Este processo começa com a observação da realidade da mente e do corpo no momento presente com um nível de foco objetivo e desprendido.
Formas contemplativas e experimentais da Meditação Introspectiva também chamam a atenção para a consciência do corpo e da mente sendo observados no momento presente, mas variam na forma como a prática é feita. Meditações de concentração geralmente consistem de se concentrar em um dos 40 temas diferentes. O praticante se concentra em um tema como, por exemplo, doença, até que ele enxergue a verdade, a origem e a cessação do conceito.
Praticando a Meditação Introspectiva
O objetivo é entrar conscientemente e permanecer no momento presente. Durante a meditação, observam-se ruídos e sensações do corpo, sem pensar sobre eles. Se os sons estão presentes o praticante simplesmente escuta, sentindo as vibrações sem reagir. A mesma observação objetiva é necessária quando as sensações são sentidas em todo o corpo, se sente calor, dormência ou contração muscular. As sensações são sentidas e observadas enquanto permanece equânime (sem julgamento) a tudo o que surge. Não há cânticos ou mantras envolvidos.
A Meditação Introspectiva auxilia na erradicação de questões profundas de tensão e complexidades mentais. O praticante provavelmente experimentará grandes sensações de agitação, à medida que ele progride. Tal agitação é devida ao afloramento de grandes questões a lidar, mesmo que ele não perceba isso. É importante para o praticante permanecer tranquilo e permitir que as citações continuem aparecendo. Estas sensações eventualmente passarão; consequentemente, o corpo e a mente atingirão um novo estado de leveza e iluminação.
Tal como acontece com a maioria das práticas de meditação, é importante encontrar um ambiente tranquilo para a prática e para sentar-se em uma posição confortável. Embora possa ser um desafio permanecer em uma posição por grandes períodos de tempo, o praticante deve se esforçar para ficar o mais imóvel possível. Isto permite uma consciência mais aguda de sensações corporais e maior sustentabilidade do nível de foco durante a exploração do corpo. Qualquer movimento feito, por menor que seja, distrai a mente e o corpo do estado de quietude, diluindo seu foco. Isto vale para coçar se, abrir os olhos, ajustar a roupa, etc.; tudo isso deve ser evitado. Embora tais distrações sejam suscetíveis de acontecer juntamente com os pensamentos, devem ser apenas observadas e deixadas de lado imediatamente.
A prática da Meditação Vipassana a seguir é o método mais utilizado no mundo hoje, assim como foi ensinado por Buda. Geralmente é feito em conjunto com os três níveis de treinamento do Buda, a fim de receber o máximo de benefícios:
• Marque o tempo. Se necessário, o praticante pode usar um cronômetro.
• Concentre a mente. Sentado com a coluna ereta e os olhos fechados, concentre se na respiração para começar a focar a mente e relaxar o corpo.
• Analise o corpo. A partir do topo da cabeça, faça uma varredura de cada parte do corpo. O praticante deve incluir a frente, trás, e os lados da cabeça; a testa, sobrancelhas, olhos, bochechas, frente, trás e lateral do pescoço, etc. A verificação mental deve continuar desta forma ao longo de toda a composição do corpo.
• Respire fundo. Em cada área do corpo que se analisar, respirar ou se concentrar por 5 segundos sobre a realidade de qualquer sensação sentida pode ajuda. Se não sentir nada, o praticante pode passar até um minuto focando mais intensamente sobre determinada área, mas deve seguir em frente para que a mente não fique entediada ou profundamente frustrado; o que pode impedir o progresso.
• Permaneça tranquilo. É crucial que o praticante permaneça objetivo no que ele experimentar. Esta tranquilidade permite que pensamentos e sensações emergentes sumam, levando a pessoa para novos níveis de clareza, discernimento e alívio de qualquer sofrimento.
• Termine no topo da cabeça. Uma vez que o corpo foi totalmente verificado da cabeça aos pés, o processo deve continuar para cima, a partir dos dedos dos pés até a cabeça. Isso proporciona uma varredura completa. É importante verificar tudo consecutivamente e não pular nenhuma parte; isto acumula a energia no corpo para analisar cada zona e as seguintes, sistematicamente. É preciso dar continuidade a este escaneamento durante todo o tempo da meditação.
Os Benefícios dessa Prática
Praticar a Meditação Introspectiva ajuda a criar um ambiente mais espiritual, dentro e fora de si mesmo. Ela não só acalma a mente e o corpo, mas traz uma sensação geral de paz e alegria, mesmo em situações difíceis. É uma técnica comum usada por pessoas que sofrem de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Vipassana ajuda as pessoas com TEPT a lidarem com suas emoções com um estado de espírito mais calmo, que muitas vezes ilumina raízes de problemas que eles têm dificuldade em enfrentar. Outros benefícios da Meditação Introspectiva incluem:
• Encontrar soluções. Durante a meditação, a mente entra em um estado de tranquilidade, onde soluções para questões e problemas são liberadas a partir do subconsciente e entra na mente consciente. É a desintegração da tensão na mente e no corpo, que abre as portas para o campo criativo de possibilidades.
• O aumento da sensação de completude. O processo de reflexão cria um diálogo espiritual com seu interior, que traz à tona questões e realizações pessoais que passaram despercebidas. Ao fazer isso, conflitos entre as emoções e os sentimentos são resolvi-dos, permitindo um maior sentido de completude na mente, corpo e espírito.
• Introspecção. A Meditação Introspectiva o leva a descobertas. Quando as coisas não estão indo bem e uma pessoa precisa de clareza, isso pode ser conseguido através da Vipassana. Tais descobertas ocorrem durante o processo de autorreflexão, prestando atenção no que vem à tona durante a meditação.
• Relacionamentos mais saudáveis. Independentemente de ser com um parceiro, amigos ou família, a Meditação Introspectiva é conhecida por reduzir a tensão e cargas emocionais que se tornaram obstáculos em qualquer tipo de relacionamento. A meditação traz uma sensação geral de bem-estar, que se traduz em redução da agitação e negatividade quando se lida com questões desafiadoras nos relacionamentos. Em geral, a mudança de comportamento no praticante reduz a intensidade das emoções que cercam as questões e facilmente traz resoluções para os problemas.
• Retarda a deterioração do cérebro. Estudos feitos em Yale, Harvard e o Hospital Geral de Massachusetts, levaram a um teste com 20 pessoas que praticam intensivamente a Meditação Introspectiva Budista, e 15 pessoas que não meditam. Aqueles que meditaram aumentaram a massa cinzenta no cérebro (responsável por aumentar a capacidade de concentrar-se e também processar experiências sensoriais). A massa cinzenta mantém o cérebro saudável e retarda o processo de envelhecimento. Aqueles que não meditam sofreram diminuição dos níveis de massa cinzenta, que faz parte da deterioração natural de seus corpos.
A Meditação Introspectiva leva a pessoa para o momento presente, sem apresentar uma reação negativa a ele. Ela ajuda a cultivar um crescente sentido de ter novas possibilidades, ao tratar e liberar velhos pensamentos e as tensões da mente e do corpo. Indivíduos que a praticam, não só purificam a si mesmos, mas também obtém acesso a um sentido pleno de ser e de explorar o potencial dormente dentro deles. A Meditação Introspectiva é o caminho mais comum para a autolibertação e a iluminação.