A Meditação Compassiva, também conhecida como meditação da bondade amorosa, é uma prática simples e suave que ajuda os praticantes a ampliar as capacidades de amar, sentir empatia e ser compreensivo.
A prática é centrada em torno da repetição silenciosa de frases de compaixão; em vez de lutar para se livrar de pensamentos desagradáveis, o praticante se reúne em pensamentos positivos e energia.
Os praticantes descobrem que têm a capacidade de experimentar a empatia e compaixão por todos os seres vivos, de amigos a inimigos, entes queridos a estranhos, de seres humanos aos animais.
História
A Meditação Compassiva originou-se do “lojong”, uma prática budista tibetana com mais de mil anos. O Lojong é uma prática de treinamento mental que analisa pensamentos e emoções em sua relação uns com os outros que não foram analisados anteriormente.
O objetivo é transformar os pensamentos originais em comportamentos mais amáveis e emoções mais altruístas. Segundo a lenda, a meditação compassiva originou-se há muito tempo em um grupo de discípulos de Buda.
Uma vez, em uma floresta remota onde costumavam a meditar, eles se assustaram bastante com barulhos estranhos e aparições. Então, fugiram para pedir ajuda ao Buda.
O Buda ensinou-lhes a meditação compassiva para que eles pudessem aprender a sentir compaixão em relação aos espíritos, e uma vez que a compaixão floresceu em seus corações, os espíritos tonaram-se amigáveis e gentis. A Meditação Compassiva os deixaram em harmonia.
A Meditação Compassiva ainda é comumente praticada em retiros budistas. De acordo com Toni Bernhard (2012), por ser um tipo de meditação facilmente praticável estando sozinho em casa, é frequentemente recomendada como uma alternativa à prática de meditação budista mais comum, a meditação mindfulness.
Aprofundando
Antes de iniciar a meditação compassiva, o praticante deve ter uma ideia clara do que a compaixão é, e qual ideal deseja atingir em sua prática. O conceito de compaixão abrange todas as seguintes ideias:
• Compaixão é um desejo de que os seres não sofram combinado com simpatia e preocupação. Isso inclui a si mesmo, seus entes queridos, estranhos alguém ou alguma coisa viva no universo. O sofrimento varia de desconforto físico ou emocional a uma profunda angústia e dor.
• Compaixão é diferente de pena, pois envolve uma relação de igualdade entre as pessoas. Tudo e todos estão relacionados, e compaixão fortalece as conexões.
• Compaixão também não é conformidade com os demais ou uma negação dos seus direitos individuais. Você pode ser compassivo para com as pessoas que erraram com você, mesmo quando exigir que não errem novamente.
• Compaixão pode motivá-lo a agir pelo entusiasmo e ajudar os outros ou a si mesmo. O sentimento de compaixão ativa a mesma área do cérebro que se prepara para fazer algo em relação ao sofrimento.
• Compaixão é natural. Abra o seu coração para qualquer dificuldade, luta, tristeza ou estresse, e a compaixão fluirá naturalmente através de você.
Praticando a Meditação Compassiva
É fácil praticar a meditação compassiva por conta própria. Você não precisa de um instrutor ou adereços especiais; tudo que você precisa é de si mesmo, um ambiente tranquilo e uma vontade de buscar compaixão.
1. Antes de começar, escolha três ou quatro frases sobre compaixão. Você vai repetir essas frases em todas as meditações. Você pode usar qualquer frase ou que possua um significado pessoal. Estas são as mais comuns: “Que você fique livre da dor e da tristeza. Que você esteja bem e feliz. Que você viva em paz.” Fique à vontade para adaptar suas frases ao longo dos meses enquanto continuar a sua prática para melhor atender às suas intenções de bondade.
2. Comece a sua prática em um lugar tranquilo e relaxante. Posicione-se em qualquer posição confortável e mantenha a sua coluna reta. Evite sobrecarregar ou arquear suas costas; você pode se sentar em uma cadeira, em almofadas, ou até mesmo deitar-se.
3. Caso se distraia, observe o motivo da distração, aceite, e depois volte o seu foco para a prática. Faça isso quantas vezes forem necessárias; distrações momentâneas não vão prejudicar o benefício da prática.
4. Feche os olhos completamente ou semifechados. Comece a pensar em alguém que você se importa. Visualize-a. Diga seu nome para si mesmo. Tente sentir a sua presença. E então, pense em frases de compaixão para com essa pessoa. Faça isso por alguns minutos, à precisão do tempo aqui não é importante.
5. Foque no seu interior e diga estas frases para si mesmo: “Que eu possa me libertar das dores e da tristeza. Que eu possa ficar bem e feliz”. Lembrando que você pode usar outras frases que tenham um significado mais pessoal.
6. Depois de mais alguns minutos, concentre-se em alguém por quem você acha difícil sentir compaixão. Repita o processo de imaginar a sua presença e ofereça-lhe as mesmas frases de compaixão.
7. A seguir, pense em alguém que você mal conhece. Talvez alguém que você conheceu brevemente no trem, ou no atendente da lanchonete onde tomou café esta manhã. Você não precisa saber seus nomes para visualizá-los e obter a sensação da presença deles. Ofereça a eles frases de compaixão silenciosamente.
8. E finalmente, ofereça a sua compaixão a todos, em todos os lugares. Use alguma versão universal destas frases: “Que todos os seres estejam livres de dor e tristeza. Que todos estejam bem e felizes.” Sua compaixão não é limitada a familiaridade, carinho, ou mesmo espécies biológicas.
A prática pode durar em torno de 20 minutos. Comece com alguns minutos, e lentamente aumente a duração de cada sessão até que você passe a praticar durante 30 minutos por dia. A quantidade exata de tempo não é importante, o que importa é a profundidade do foco e da compaixão.
Iniciantes na prática talvez queiram se concentrar na compaixão focada em apenas uma pessoa por sessão, ao invés de passar por todos os estágios de uma só vez. Assim que o praticante ficar confortável ao ofertar compaixão para cada grupo diferente, eles podem acelerar o seu ritmo e produzir mais por sessão.
Não se apresse em aperfeiçoar a prática.
A seguir, algumas ideias que o praticante deve ter em mente, tanto durante a prática quanto na vida cotidiana. Enfatizar compaixão em alguma situação torna mais fácil encontrar a compaixão nos outros:
• Durante a sua prática, pense sobre as sensações físicas que acompanham a compaixão. Quando você está se sentindo totalmente compassivo, pense sobre o que sente em seu peito, garganta e face. Concentre-se na diminuição de seus pensamentos e reações. Conhecer essas sensações físicas pode tornar mais fácil encontrar o seu caminho de volta para o estado de compaixão futuramente.
• Reconheça os momentos de compaixão na vida diária. Abra-se para a compaixão natural quando assistir uma tragédia no jornal, uma pessoa com fome nas ruas, um amigo que sofreu uma perda.
• Tente encontrar compaixão em momentos que não espera. Deixe a compaixão se tornar um fator em cada decisão que você tomar, parte do impulso por trás de todas as suas palavras e ações.
“O mundo certamente poderia usar um pouco mais de bondade e compaixão. Começando localmente, as consequências da mudança podem ser experimentadas diretamente.”
Os Benefícios desta Prática
Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison sugerem que a compaixão pode ser uma habilidade a ser ensinada. Um estudo em 2008, dirigido por Richard Davidson e Antoine Lutz, mostra que a meditação pode afetar regiões do cérebro que tornam a pessoa mais compreensiva para com os outros. Aqui estão outros benefícios sugeridos pelos pesquisadores:
• Quanto maior o treino da meditação compassiva, maiores as respostas empáticas.
• Habilidades empáticas e simpáticas levam mais felicidade para a vida cotidiana.
• O treinamento em meditação compassiva promove o alívio da depressão e outras doenças mentais.
• A meditação compassiva pode promover harmonia nas relações entre os praticantes e os seus entes queridos, ou mesmo nas relações mais casuais ou profissionais.
• A meditação compassiva pode ser usada para ajudar as crianças a aprender habilidades de empatia mais fortes; em especial, nas crianças com tendência ao bullying. A compaixão ajuda a prevenir o bullying, agressão e violência.
A Meditação Compassiva é uma excelente prática para indivíduos que buscam retreinar o seu processo de pensamento sobre a abordagem da vida de uma forma mais positiva e ter compaixão pelos outros. Este estilo focado de meditação também ajuda a aliviar a raiva e ansiedade. É um estilo verdadeiramente benéfico.