"Aprendeu-se mais sobre o sono nos últimos trinta anos que em toda a história anterior da medicina"
As descobertas mais recentes:
• O botão liga-desliga – Trata-se de um conjunto de células cerebrais só ativadas quando o indivíduo dorme. Apelidado de sleep switch (o interruptor do sono, em inglês), desliga determinadas funções cerebrais para que o sono ocorra. A quantidade de células do sleep switch tende a cair com o passar dos anos. Isso pode explicar por que os idosos dormem menos.
• A molécula do despertar – Em 1999, duas pesquisas separadas, uma em Stanford e outra na Universidade do Texas, chegaram à mesma conclusão sobre as causas genéticas da narcolepsia, doença neurológica em que o paciente cai adormecido inesperadamente: ela se dá pela falta de um neurotransmissor, a hipocretina. É provável que a hipocretina seja o elemento químico responsável por virar o sleep switch para a posição acordado. Em teoria, com a hipocretina é possível criar uma droga para nos manter acordados por longos períodos de tempo.
• O indutor do sono – A melatonina, o hormônio que induz o sono e só é produzido no escuro, foi estudada a fundo, pela primeira vez, por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Israel. O que descobriram foi a importância do relógio biológico e das condições ambientais para o sono. O cérebro começa a secretar a melatonina entre 21 e 22 horas e só para pela manhã. Como o hormônio leva duas horas para fazer efeito, o ideal é ir dormir às 23 horas. O pior momento é por volta das 19 horas, quando a quantidade do hormônio no organismo ainda está muito baixa.
Os cientistas dividem o sono em dois tipos: REM, a sigla inglesa para movimentos oculares rápidos, e não-REM, também chamado de sono quieto. Neste último, as atividades mentais ficam vagarosas, ocorrem movimentos corporais e a pessoa mergulha lentamente no sono mais profundo. No REM, o período em que mais se sonha, a atividade cerebral é intensa, mas o corpo dorme pesado.
O processo do sono é dividido em cinco etapas. Nas duas primeiras, apenas se cochila. Na terceira e na quarta, o sono é profundo e, na quinta, ocorre à maioria dos sonhos. Esse ciclo se repete quatro ou cinco vezes por noite. Quem tem dificuldade para dormir pode não conseguir chegar aos estágios finais.
"Há casos em que a pessoa apenas cochila a noite inteira e só percebe que dormiu mal porque fica irritada, ansiosa e cansada durante todo o dia", diz o médico Sérgio Tufik, diretor do Instituto do Sono da Universidade Federal de São Paulo.
A maioria dos adultos precisa dormir de sete a nove horas por noite, mas essa quantidade pode variar muito de uma pessoa para outra. Algumas só precisam de quatro ou cinco horas de sono. A qualidade é que importa. Nosso relógio biológico determina que necessitamos dormir certo número de horas a cada 24 horas para podermos funcionar. Mas os médicos ainda não sabem com total segurança porque as pessoas precisam dormir. Uma das hipóteses mais aceitas é que o sono tem a função de repor a energia cerebral.
"Novos estudos sugerem que as reservas de energia do cérebro, que garantem seu bom funcionamento, se esgotariam caso não houvesse a chance de a mente se restabelecer durante o sono", diz o neurologista americano Saper.
Durante o ciclo do sono, o cérebro consolida as informações recebidas ao longo do dia. Seleciona as que serão guardadas na memória e descarta as supérfluas. O processo ocorre principalmente durante o estágio REM, aquele em que se sonha, mas a relação entre sonho e memória ainda não está muito clara para os cientistas.
É bem possível que os sonhos que Sigmund Freud considerava reveladoras manifestações do inconsciente sejam meros reflexos da faxina nos neurônios da memória. Noites mal dormidas provocam envelhecimento precoce porque 70% do GH, o hormônio do crescimento responsável pela renovação das células e tonificação da pele, é secretado durante o sono pela hipófise, glândula localizada na base do cérebro. A deficiência do GH no organismo causa enfraquecimento dos ossos, perda da massa muscular e flacidez.
Insônia
A insônia se caracteriza por dificuldade em iniciar o sono, ou por acordar durante a noite com dificuldade para voltar a dormir com consequências no dia seguinte. Muitas vezes, ocorre a sensação de sono não reparador, de má qualidade, com cansaço diurno. Outras consequências da insônia em longo prazo são irritação, dificuldade para se concentrar ou de memória, sintomas de depressão, entre outras.
A insônia tem muitas causas, sendo algumas delas problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, uso de alguns medicamentos em longo prazo e de bebida alcoólica; no último caso, principalmente após a suspensão do consumo. Pode estar associada a outros distúrbios do sono que facilitam sua interrupção, favorecendo alguns despertares.
A insônia primária, que é a forma mais comum, apresenta predomínio em mulheres, mas pode ocorrer em homens também. Essa insônia se caracteriza por uma resposta anormal a estresses, como, por exemplo, perdas, dificuldades financeiras, doenças, ou até mesmo coabitar com um parceiro, mudanças, promoções no trabalho, entre outros.
Além disso, o indivíduo apresenta dificuldade para dormir durante a noite ou de dia (o que não é aconselhado), e isso é muitas vezes associado à atividade mental intensa, com maior fluxo de pensamentos. Com frequência, as insônias são agravadas ou podem decorrer de hábitos inadequados que adquirimos durante a vida. Geralmente é um conjunto de fatores que provocam dificuldades para dormir, associados à predisposição para se ter insônia. Frequentemente quem sofre de insônia tem familiares com o mesmo problema.
Doenças físicas podem provocar insônia
Atualmente as dificuldades respiratórias durante o sono são causas frequentes de um sono de má qualidade. São situações que podem provocar pequenas pausas respiratórias conhecidas como apneia, que culminam em curtos despertares. Como esses pacientes apresentam muitas apneias e, consequentemente, muitos despertares, podem achar que estão dormindo uma grande quantidade de horas de sono, porém acordam cansados e sentem muita sonolência durante o dia.
Doenças que causam dores, principalmente durante a noite, também podem provocar insônia. Existe um quadro clínico, a fibromialgia, que predomina nas mulheres, e se caracteriza por pontos dolorosos em determinadas regiões do corpo. Além de outras doenças físicas, como distúrbios hormonais, hiper e hipotireoidismo, algumas doenças psiquiátricas e neurológicas, como ansiedade, depressão, doença de Parkinson, doenças cerebrais isquêmicas e doença de Alzheimer também podem provocar insônia.
O que é narcolepsia?
A narcolepsia é um distúrbio de sono caracterizado por sonolência diurna, por vezes com ataques de sono, cataplexia e anormalidades do sono REM. Sua prevalência é em torno de 0.02-0.18% na população em geral, considerando-se EUA, Europa e Japão; no Brasil ainda não há um estudo desse tipo. Essa prevalência equivale a 1 caso da doença em cada 2000 pessoas, e não é uma prevalência muito baixa. A narcolepsia ainda é pouco diagnosticada. A cataplexia é o único sintoma específico da narcolepsia, mas pode não aparecer em todos os casos.
Fatores genéticos estão envolvidos com o surgimento da narcolepsia. Embora a maioria dos casos seja esporádica e não familiar, o risco de um parente de 1° grau de um paciente narcoléptico ter o mesmo distúrbio é 40 vezes maior que na população em geral. A narcolepsia humana é causada principalmente pela falta da proteína hipocretina no cérebro.
Como é o tratamento da narcolepsia?
A narcolepsia é uma doença de certa forma benigna, porém o tratamento é prolongado. Os medicamentos usados para tratar a narcolepsia podem ser estimulantes do sistema nervoso central e antidepressivos tricíclicos no caso de cataplexia, se necessário. O objetivo do tratamento é o controle dos sintomas, principalmente das crises de sono e da cataplexia (perda do tônus muscular), com a administração de medicamentos, permitindo assim que o paciente mantenha suas atividades normais nos campos profissional e social. Como medida paralela ao tratamento, recomenda-se alguns cochilos voluntários durante o dia para reduzir a sonolência diurna. Durante o tratamento, não se deve exercer atividades de risco, como dirigir ou manipular equipamentos que exijam atenção contínua.
O que é bruxismo?
O bruxismo é definido como um distúrbio caracterizado pelo ranger ou apertar dos dentes (como uma mastigação) durante o período de sono. Durante o bruxismo, a força realizada sobre a musculatura mastigatória e os dentes é excessiva, produzindo sintomas musculares e dentais, tais como: dor facial, desconforto muscular principalmente ao morder, dores de cabeça, desgaste dos dentes e danos à gengiva. Um sinal típico é o desgaste do esmalte dos dentes.
Como é o tratamento do bruxismo?
Existem vários tratamentos em estudo, mas, por enquanto, o mais recomendado é o aparelho intraoral, confeccionado com resina acrílica, chamado placa miorrelaxante. Esse tipo de tratamento proporciona uma posição articular estável, protegendo os dentes e toda a estrutura de suporte dos mesmos (gengivas, maxilares, etc.). Gerenciamento de emoções.
O que é sonambulismo?
Tal como o terror noturno, o sonambulismo normalmente ocorre na infância. Caracteriza-se por falar, sentar ou também andar pelo quarto e até mesmo pelos ambientes da casa. Por vezes, medidas de segurança são necessárias para que não ocorra nenhum acidente de maior gravidade com a criança ou o adulto.
Como é o tratamento do sonambulismo?
Normalmente o tratamento não é necessário, pois, em geral, o sonambulismo desaparece com o crescimento. Caso os episódios se tornem frequentes e acentuados, é preciso usar medicamentos.
O que é a Síndrome das Pernas Inquietas (SPI)?
É uma irresistível necessidade de movimentar as pernas, que alivia uma sensação extremamente desagradável nos membros inferiores. Tais sintomas ocorrem à noite, antes de dormir, o que muitas vezes impede o início do sono, levando à insônia. O tratamento é medicamentoso. Ao suspeitar do problema, o paciente deve procurar um especialista em Medicina do Sono.
O que são Movimentos Periódicos das Pernas (PLM)?
São movimentos geralmente de pequena amplitude, como uma flexão nos pés e nas pernas. Os movimentos duram em média de 0,5 a 5 segundos, ocorrendo com uma frequência de um entre 20 a 40 segundos. Podem vir acompanhados de despertares breves e ocorrem mais nos idosos. Quando levam a sintomas durante o dia devem ser tratados. O tratamento principal também é medicamentoso. O diagnóstico requer a polissonografia. Ambos, PLM e SPI, podem ocorrer mais em uma mesma família.
Problemas decorrentes do PLM:
11% dos pacientes com insônia
17% com hipersonolência
11% com queixas como cansaço, estresse, etc
Teoria de Freud
O sonho é constituído pela experiência do sujeito e de seus registros sensoriais desde a infância. Tudo que foi sensível a sua percepção está armazenado no seu inconsciente. Uma forma de retorno é o sonho. Podemos afirmar que a mente não dorme, sendo que sua atividade psíquica continua durante o sono e que a dinâmica desse processo reflete na qualidade de vida do sujeito.
O sonho é a expressão “viva” do inconsciente, é um desejo que se manifesta através de dois mecanismos: deslocamento e condensação.
O deslocamento é uma força psíquica atuante que concentra novos valores a partir de elementos que sejam toleráveis ao julgamento crítico (censura) do sujeito. Sendo assim, ocorre uma transferência e um deslocamento de intensidade psíquica no processo de formação do sonho.
A condensação é outro mecanismo do sonho onde o conteúdo é expresso como se fosse um roteiro pictográfico, cujos caracteres são transpostos para a linguagem onírica, pois os sonhos são breves e apresentam uma lógica própria, daí o valor de decifrar, de interpretar o simbolismo das imagens.
Uma imagem onírica desloca-se de uma cena para outra, como também concentra vários sentidos numa mesma cena. A escolha do material a ser reproduzido em sonho é o mais peculiar, pois envolve a memória em geral, sendo registrado e percebido (Freud, S. 1900 – vol. 4 – Standard Edition).
Freud descreveu 4 fontes dos sonhos: excitações sensoriais externas (objetivas), excitações sensoriais internas (subjetivas), estímulos somáticos internos (orgânicos) e fontes de estímulos puramente psíquicas.
As imagens mais fortes são mais facilmente lembradas, pois o material é censurado conforme a dinâmica do inconsciente do sujeito – sua vivência. Em suma: a sensibilidade de cada sujeito, como percebe, interpreta e reage aos estímulos de um modo genérico e pessoal.
O relato de um sonho está vinculado ao momento emocional do sujeito com suas vivências e códigos de valores. Uma situação qualquer na vida do sujeito vai ser interpretada e sentida de maneira diferente, dependendo do contexto psicológico e de realidade inseridos.
Higiene do Sono
A Higiene do Sono consiste em algumas orientações para modificar hábitos inadequados com relação ao sono e melhorar a qualidade de vida das pessoas com problemas de distúrbios do sono em geral.
1) dormir e acordar sempre no mesmo horário é bom para regular o relógio biológico;
2) emagrecer é essencial, pois o acúmulo de gordura na região do pescoço, tórax e abdômen aumentam as chances de roncar e ter apneias já que estrangulam a passagem do ar nas vias aéreas e dificultam a respiração;
3) é importante ir para cama somente quando estiver com sono;
4) o ambiente onde dorme deve ser mantido o mais escuro possível e com temperatura agradável. A falta de luz induz a produção da melatonina que favorece o sono;
5) evite fumar. O efeito estimulante da nicotina contribui para espantar o sono;
6) criar um ritual ajuda a induzir o sono. Sempre antes dormir leia um livro, ouça uma música calma, tome banho morno, beba um copo de leite ou de chá – camomila, valeriana, melissa;
7) não utilize medicamentos para dormir sem prescrição médica;
8) evite bebidas alcoólicas ou estimulantes como o café e energéticos, além de exercícios físicos pesados próximos da hora de dormir;
9) no jantar, não exagere na quantidade e dê preferência a alimentos saudáveis como frutas e verduras;
10) deixe as preocupações pessoais e profissionais distante da cama. Reserve um tempo antes de dormir para organizar as tarefas e compromissos do dia seguinte;
11) TV, vídeo games e Internet são os grandes inimigos do sono quando utilizados sem controle. A luminosidade deixa o cérebro excitado e afasta o sono. O melhor é desligar esses aparelhos pelo menos meia hora antes de dormir.
Terapias integrativas como aliadas ao tratamento
Reflexologia podal - Pode estimular o sono e gerenciar cansaço e estresse.
Acupuntura - eficaz em 98% dos casos, conforme Organização Mundial da Saúde (OMS). Gera regularização dos níveis de neurotransmissores, levando ao bem estar físico, comportamental e psicológico.
Musicoterapia - Noturno, opus 48, de Chopin. Sonata ao luar, de Beethoven. Sonho de amor, de Liszt. Canção noturna, de Schumann. Ouvir uma peça por dia, na sequência apresentada. O melhor horário é justamente à noite, na hora de dormir, em que se deixa a música tocar próximo à cama até que se consiga adormecer. No início não são conseguidos bons resultados, principalmente se a pessoa está acostumada a tomar soníferos, mas após alguns dias de prática o sono natural e sereno vem surgindo e se firmando.
Aromaterapia - a lavanda pode ajudar a ter uma noite de sono mais completa, principalmente junto dos idosos. Pode ser usada como infusão para chá.
Massagem - diminui a tensão muscular, gerencia emoções.
Cromoterapia - utiliza estímulos com determinadas freqüências luminosas para restaurar, manter ou alternar as vibrações do corpo que resultam em saúde, física e mental, bem-estar e harmonia. O azul é uma cor suavizante e calmante que atua no sistema nervoso central. Possui propriedades antisépticas, refrescante e adstringente. Vitaliza as glândulas tireóide e paratireóides, além dos órgãos da garganta e do sistema respiratório.
Meditação/mindfulness - modalidade de redução do estresse mental, definida como uma forma estilizada de relaxamento físico e mental. A reação de relaxamento foi descrita em 1974 pelo Dr. Herbert Benson, cardiologista da Universidade Harvard, como uma resposta fisiológica coordenada, oposta às mudanças fisiológicas causadas pelo estresse, que estimulam o comportamento de luta ou fuga.