Investimento

Investimento. No seu sentido mais usual, pode considerar-se que o investimento traduz, em termos reais, a despesa realizada em bens de capital. O investimento, do mesmo modo que o consumo, é um modo alternativo de afetação de rendimento. Do ponto de vista macroeconômico, o equilíbrio keynesiano é traduzido pela igualdade entre a poupança e o investimento (tendo em conta as variações do stock e as operações com o estrangeiro).

Do ponto de vista da contabilidade nacional, o conceito anterior de investimento (em termos brutos) é designado por formação bruta de capital fixo (FBCF), a qual traduz um fluxo contabilístico e é adicionada, em cada período de tempo (o ano, por exemplo), ao stock de capital fixo, adição feita antes de se deduzir o desgaste gerado no capital existente durante o mesmo período. A FBCF inclui, assim, as aquisições de bens novos e as grandes reparações ou valorizações que demorem, normalmente, mais de um ano.

O investimento tem papel fundamental na teoria econômica. Ele entra como variável explicativa de outros agregados econômicos, como por exemplo, na teoria keynesiana da eficiência marginal do capital, no princípio de ajustamento do stock de capital e na teoria neoclássica.

A este respeito convém referir que, em geral, as teorias do investimento se têm preocupado, não apenas com a especificação das relações entre as variáveis num ponto correspondente a uma determinada posição de equilíbrio, mas também com o padrão de ajustamento (no tempo) daquelas mesmas variáveis na direção dos respectivos valores de equilíbrio.

Uma das questões: quais os critérios mais adequados de análise de rendibilidade dos investimentos? A resposta correta seria com certeza também vasta, sendo no entanto importante salientar que os mais utilizados, na prática, tem sido o critério do valor atual líquido (VAL) e a taxa interna de rendibilidade (TIR).

Ambos os critérios anteriores são baseados nas técnicas de atualização, ou seja, têm em conta quer a variável tempo quer o custo de oportunidade do capital para a empresa. (1)

Investimento. (Econ.) O investimento é o aumento dos bens de capital técnico fixo ao nível da empresa ou a nível nacional. Se designarmos por Kt o stock de capital de um período t e por K(i) o stock de capital do período seguinte, o investimento (I) será I = K(i) - Kt. Em termos infinitesimais, isto exprime-se: I = dk/dT. O investimento é bruto ou líquido, a nível da empresa ou da nação, consoante inclua ou não a quota de amortização dos bens durante o período considerado.

A. Lamfalussy classificou os investimentos em três categorias: 1) os investimentos de expansão: em que os novos bens de capital possuem as mesmas características que foram utilizadas anteriormente, o que implica que não provocam qualquer mudança nas técnicas de produção, mas apenas um acréscimo das quantidades produzidas. 2) Os investimentos de substituição que arrastam a empresa para um processo mais capitalístico, isto é, que a relação capital/trabalho aumente. 3) Os investimentos de inovação: quer ao nível do processo produtivo, quer nos produtos. Graças a este, a empresa atinge uma função de produção mais elevada.

Os investimentos dividem-se em dois grupos: 1) Os investimentos de infra-estrutura (também chamados investimentos de utilidade pública) caracterizados por duas particularidades: a) são de caráter condicional neste sentido - não aumentam diretamente a produção, mas a sua existência facilita a realização de investimentos diretamente produtivos. b) Não são substituíveis por importações: a sua realização é uma missão da administração pública. 2) os investimentos diretamente produtivos ou aqueles cuja realização aumenta a produção. (2)


(1) POLIS - ENCICLOPÉDIA VERBO DA SOCIEDADE E DO ESTADO. São Paulo: Verbo, 1986.

(2) THINES, G., LEMPEREUR, A. Dicionário Geral das Ciências Humanas. Lisboa: Edições 70, 1984.