. Do latim fides. O termo é empregado em muitas acepções que poderiam ser divididas em profanas e religiosas. No sentido profano, significa dar crédito na existência do fato, fazer bom juízo sobre alguém, expressar sinceridade no modo de agir etc. Quando o testemunho no qual se baseia a confiança absoluta é a revelação divina, fala-se de Fé no seu sentido religioso. A Fé, neste sentido, não é um ato irracional. Com efeito, o espírito humano só pode aderir incondicionalmente a um objeto quando possui a certeza de que é verdadeiro (1).

"Ter é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer "eu creio", mas afirmar: "eu sei", com todos os valores da razão tocados pela luz do sentimento". (2)

. Confiança cega, crença sem base. A fé não deve ser confundida com a confiança, por exemplo, em um amigo, na solvência de uma firma ou no poder razão. Toda confiança tem uma ou outra base, e ela se enfraquece com experiências negativas. A fé, por outro lado, é dificilmente impregnada pela experiência, pois é cega.(3)

. A realidade da fé é essencial não só no campo religioso, onde tudo gira em torno dela, mas também no campo das relações interpessoais. A fé humana é a abertura para o outro ser humano, a confiança nele, a atitude de se apoiar em sua força e segurança. A fé religiosa volta-se para Deus como raiz última da existência. Mas o traço comum e característico da fé em geral é a confiança, a abertura para o outro.

A adesão fiducial ao outro. Fiducial significa pessoa que merece confiança. Por meio da fé, o homem rompe com sua solidão e sente-se dinamizado para as tarefas mais árduas. Em termos antropológicos está atrelada à esperança e ao amor. Quando se confia em alguém, espera-se algo para o futuro que penetra no campo da esperança. A confiança presente e futura não se pode dar sem o amor, que é a vinculação mais estreita que pode ocorrer entre dois seres individuais. Fé, esperança e amor não são três atitudes diversas, mas sim três aspectos da plena unidade interpessoal, graças à qual a vida se torna bela e atraente.

O aspecto cognoscitivo da união fiducial: não conhecer com os próprios olhos, mas sim com os olhos da pessoa amada. Se uma aceita uma realidade, a outra a segue. A confiança que se tem na pessoa torna suficiente o olhar alheio. Esta confiança difere da prova científica dos fatos.

Em alguns meios, a superestimação da ciência procura desprestigiar a forma de conhecimento pela fé por carecer da experiência direta e comprovável. Só se trata de pesquisar e estudar aquilo que se ama por uma espécie de simpatia emocional. É por isso que Agostinho dizia que não se pode chegar à verdade a não ser pelo amor.

O grande êxito da psiquiatria é ganhar a confiança do paciente, pois somente assim conseguirá penetrar em seu mistério interior.

Diferentemente do conhecimento objetivo, que é fundamentalmente racional e especulativo, analítico e frio, o conhecimento pela fé é basicamente intuitivo e sintético. O conhecimento científico vê por partes; o fiducial abrange o todo. O essencial é a confiança na pessoa do outro em relação à vida. Frio e indiferente não mostra fé. Crer é comprometer-se. Fé sem obras é morta.

Tudo o que se diz da fé humana pode-se dizer da fé religiosa, cujo objetivo não é um amigo, mas Deus.

O nosso mundo atual encontra-se muito necessitado da fé. A cultura tecnológica é cada vez mais pragmática e utilitarista, tendendo a reduzir as relações humanas a um simples intercâmbio econômico. Há necessidade que a nossa fé se atualize constantemente para poder sobreviver em um mundo altamente técnico. (4)


Mais informação: http://www.sergiobiagigregorio.com.br/palestra/fe-esperanca-e-caridade.htm

http://www.sergiobiagigregorio.com.br/filosofia/fe-e-razao.htm

http://www.sergiobiagigregorio.com.br/filosofia/fe-e-razao-segundo-alguns-filosofos.htm


(1) ÁVILA, F. B. de S.J. Pequena Enciclopédia de Moral e Civismo. Rio de Janeiro: M.E.C., 1967.

(2) XAVIER, F. C. O Consolador, pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977, pergunta 354

(3) BUNGE, M. Dicionário de Filosofia. Tradução de Gita K. Guinsburg. São Paulo: Perspectivas, 2002. (Coleção Big Bang)

(4) IDÍGORAS, J. L. Vocabulário Teológico para a América Latina. São Paulo: Paulinas, 1983.

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